Os acontecimentos de Soufanieh ocorreram com maior intensidade entre os anos de 1982 e 1987, portanto, muito antes da Guerra da Síria. Após isso, ocorreram de modo esporádico até 2017. Este livro do Padre Elias Zahlaoui, que acompanha e cataloga todos os fatos e testemunhos envolvendo os fenômenos desde o seu início, foi publicado originalmente em 1991. Após essa data, os fenômenos envolvendo Soufanieh se repetiram em 2001 e 2004, quando as Páscoas ortodoxa e católica coincidiram. Ocorreram novamente em 2014, em plena guerra e, por último, em 2017, quando da coincidência das Páscoas dos ortodoxos, dos católicos e dos judeus.
Mais do que o aspecto formal, ou seja , as datas, o que Jesus e Maria pedem é a união dos corações dos cristãos, única coisa capaz de quebrar o mal e levar a luz e a paz ao mundo.
Mensagem de Cristo, Sábado Santo, 14 de Abril de 1990 Meus filhos, vocês ensinarão às gerações a palavra da unidade, do amor e da fé. Eu estou com vocês. Mas tu, Minha filha, tu não voltarás a ouvir a Minha voz até que a festa (da Páscoa) seja unificada.
Mensagem da Virgem no 8 º aniversário do fenômeno, na noite de 26 de Novembro de 1990 Não temas, Minha filha, se te digo que Me vês pela última vez até que a festa(da Páscoa) seja unificada. Diz aos Meus filhos: Querem ver e relembrar os sofrimentos do Meu Filho em ti, ou não? Se não lhes custa que tu sofras duas vezes, Eu, Eu sou uma Mãe, e ver o Meu Filho sofrer muitas vezes.
Fica em paz, fica em paz Minha filha. Vem para que Ele te dê a paz, a fim de que tu possas anunciá-la aos homens. Quanto ao óleo continuará a manifestar–se nas tuas mãos para glória do Meu Filho Jesus, quando Ele quiser e aonde quer que tu vás. Na realidade, Nós estamos contigo e com todos os que desejarem que a Festa (da Páscoa) seja unificada.
E assim explica o Padre Elias Zahlaoui o principal pedido de Jesus e de Maria:
“Agora, vamos ao pedido de Jesus e de Maria que, ao nível da unidade, se relaciona com os homens. A Virgem e Jesus, no decurso das duas mensagens seguintes, parecem reduzir ao mínimo absoluto a sua exigência de unidade. No Sábado Santo, 14 de abril de 1990, depois de ter dito: Meus filhos, vocês ensinarão às gerações A PALAVRA da unidade, do amor e da fé, Jesus dirá à Myrna: Eu estou com vocês. Mas você, minha filha, não ouvirá minha voz até que a festa (da Páscoa) seja unificada. Por oito anos, Jesus pediu unidade. Agora, parece que Ele está reduzido a apenas reivindicar a unidade da Festa, que é a Páscoa. “Vocês não me deram a unidade, pelo menos me deem a unidade da Festa … Pelo menos. Pois a verdadeira unidade, a unidade profunda, não é sua obra”. Mas a unificação da Festa pode ser, pois, aliás, ela já foi realizada aqui e ali, no Oriente Médio. E logo depois, em 26 de novembro de 1990, Nossa Senhora disse exatamente isto à Myrna: Não tenhas medo, minha filha, se eu te disser que esta é a última vez que tu me verás, até que a festa (da Páscoa) seja unificada. Dir-se-ia que o Senhor pediu, pediu, pediu. Finalmente, Ele viu que não havia resposta. Então Ele disse: “Bom. Pelo menos faça-me a caridade, dê-me a esmola da festa unificada, que é a festa da Páscoa”.
Hoje, no Brasil em particular, assistimos à triste vinculação da igreja ao dinheiro. Pastores, padres e lideranças leigas vendendo a Casa de Deus, se afastando da mensagem do Cristo. São práticas abomináveis do ponto de vista espiritual, onde essas lideranças, além de venderem bençãos, são presenteadas com bens materiais, alguns caríssimos, pelos fiéis, em busca de salvação e consolo. São lideranças que se projetam na vida pública não para construir algo bom do ponto de vista coletivo, mas para auferirem lucros, fabulosos em alguns casos.
Hoje o pregador Aquias Santarém, da Igreja Adventista do Sétimo Dia fez uma excelente pregação sobre o assunto, o que nos remete à GRATUIDADE DE SOUFANIEH, como vem sendo testemunhada desde a década de 80 e como aqui, abaixo, retomamos para mostrar a atualidade dessa mensagem que, embora tenha surgido no Oriente, é um farol para o mundo atual e para a igreja contemporânea.
Na primeira mensagem de Nossa Senhora em Soufanieh, em um sábado, 18 de dezembro de 1982, ela aponta o problema do dinheiro. E diz:
“Meus filhos, lembrem-se de Deus, pois Deus está conosco. Vocês conhecem todas as coisas e não conhecem nada. Seu conhecimento é um conhecimento imperfeito; mas chegará o dia em que vocês conhecerão todas as coisas, como Deus me conhece. Façam o bem aos que praticam o mal e não façam mal a ninguém. Eu dei a vocês mais óleo do que vocês pediram e vou lhes dar algo muito mais forte do que o óleo.
Arrependam-se e tenham fé, e lembrem-se de mim em sua alegria. Anunciem meu filho, Emmanuel. Quem o anuncia é salvo e quem não o anuncia, a sua fé é vã. Amem-se uns aos outros. Não estou pedindo dinheiro para dar às igrejas para distribuir aos pobres. Eu peço amor. Aqueles que distribuem seu dinheiro aos pobres e às Igrejas sem que neles haja amor, aqueles não são nada. Vou visitar mais as casas, porque quem vai à igreja às vezes não vai rezar. Não estou pedindo que me construam uma igreja, mas um lugar de peregrinação. Doem. Não privem ninguém que procure ajuda.”
“Então, imediatamente, Ela aborda uma questão que atormenta a Igreja há dois mil anos, o dinheiro. A Virgem diz, desde a primeira mensagem: Não estou pedindo dinheiro […]. Eu peço amor. Quantas vezes o dinheiro é apenas uma saída, uma justificativa para algum tipo de fuga de Deus, pela qual Lhe damos dinheiro e continuamos a levar nossas próprias vidas. A Virgem diz: “Não. Deixe o dinheiro de lado ”. E é aqui que vemos realmente como Nicolas e Myrna, no seu sentido mais simples da gratuidade, um sentido espontâneo desde o início do fenômeno, corresponderam de antemão ao pedido da Virgem. E eles continuam até hoje com absoluta intransigência na recusa a qualquer coisa chamada dinheiro. Eu peço amor. Deus é amor. Ele não precisa de nada além de amor. A Santíssima Virgem é a mãe de Deus, a mãe de Jesus. Ela não precisa de nada além de amor. Ela nos disse isso desde seu primeiro plano, desde sua primeira mensagem.”
A seguir, temos o testemunho do jornalista Christian Ravaz [ii]sobre a gratuidade de Soufanieh:
“Os jovens esposos Nazzour fizeram o dom de sua vida privada e isto na total gratuidade. Desde os primeiros dias eles afixaram um cartaz à entrada de sua casa: “Os habitantes desta casa recusam todo e qualquer ex-voto e todo e qualquer dom de qualquer natureza que seja”.
Eu fui testemunha dessa gratuidade. Para ilustrar eu lhes conto uma pequena anedota. O Padre Elias Zahlaoui, quando retornei à França, em 25 de julho de 1987, me confiou diversas cartas para expedir de Paris, a fim de reduzir o atraso dos Correios que entre a Síria e o Ocidente é, por vezes, muito longo. Os envelopes não eram fechados e quando da inspeção aduaneira no aeroporto, eram abertos. Qual não foi a minha surpresa ao ver sair dos envelopes pequenos pedaços de algodão fechados em pequenos saquinhos de náilon, junto com notas bancárias e cheques. Dizer-lhes que a autoridade aduaneira meu olhou com olhos interrogadores seria eufemismo. Eu me apressei a ler uma das cartas (o que não tinha feito antes, pois minha mãe me ensinou a ser educado) pois eu não podia afirmar ao fiscal que eu não estava a par do conteúdo dos envelopes, isso teria agravado irremediavelmente a situação! Eu lhe expliquei que os franceses tinham ofertado dinheiro para obter um pequeno pedaço de algodão molhado com o óleo do ícone de Soufanieh e que este dinheiro lhes estava sendo devolvido. As autoridades alfandegárias do mundo todo estão habituadas a escutar histórias. Ora, ao ver a expressão desse funcionário da alfândega ao ouvir minha história, sei que devo ter um lugar particular em suas recordações! Ele abriu um dos sachês, apalpou o algodão e colocou tudo de volta dentro de minha bolsa. Terá ele recebido uma graça especial? O que quer que seja ele me fez sinal para passar sem olhar o restante do conteúdo das bagagens e eu não respondi pelo delito de exportação ilegal de fundos as Síria!”
Na Síria Sua Santidade Patriarca Ignace Zakka I Iwaz [iii]diria:
“Do nosso lado, vemos, em terceiro lugar, que o evento de Soufanieh, graças aos seus sinais extraordinários e renovados, e também graças à permanência da oração e à sua gratuidade intransigente, permanece no Oriente como um farol poderoso, destinado pelo autor deste evento, a corrigir a marcha de uma humanidade que, em virtude de seu progresso científico, se encheu de uma arrogância que parece ter perdido sua justa orientação.
E que, além disso, libertando todos os seus apetites, precipita-se para um abismo que ameaça toda a sua existência.
Parece-nos também que esse farol surge para corrigir a marcha de uma Igreja, entregue, em todas as suas denominações, ao sabor de suas divisões, ao ponto de quase perder todo o seu dinamismo espiritual e humano, e, em consequência, a sua credibilidade.”
Em 1984 têm início uma série de êxtases, várias vezes seguidos do aparecimento de estigmas em Myrna.
A oração abaixo em negrito foi ensinada pelo próprio Jesus e ficou sendo a oração oficial de Soufanieh. Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós e nos liberte de nossas correntes!
Mensagem do Cristo à Myrna no dia da Ascensão, em 31 de maio de 1984: Minha filha, Eu sou o Princípio e o Fim. Eu sou a Verdade, a Liberdade e a Paz. Eu te dou a minha Paz. Que tua paz não repouse sobre a língua das pessoas, quer falem bem, quer falem mal e pensem mal de ti. Aquele que não busca a aprovação das pessoas e que não teme a desaprovação, goza de paz verdadeira. E isso se realiza em Mim. Vive tua vida, de modo suave e independente. Que as fadigas por causa de Mim, não te abalem. Em vez disso, alegra-te. Eu sou capaz de te recompensar. Tuas agruras não se prolongarão e tuas dores não durarão. Ora com adoração pois a Vida eterna merece esses sofrimentos. Ora para que a vontade de Deus se cumpra em ti, e diz:
“Concede-me de repousar em Ti, acima de todas as coisas, acima de todas as criaturas, acima de todos os teus anjos , acima de todo louvor, acima de toda alegria e exultação, acima de toda glória e dignidade, acima de todas as hostes celestiais. Só tu és o Altíssimo, só tu és Poderoso e Bom acima de tudo. Vem até mim e me consola, liberta-me das minhas correntes, e concede-me a liberdade, pois sem Ti a minha alegria é incompleta, sem Ti a minha mesa está vazia”. Então eu virei te dizer: “Aqui estou eu, porque me convidaste”.
Isso me lembra um amigo de Damasco que, em 1988, insistiu fortemente que constituíssemos um grupo de trabalho, a fim de colocar em prática passos concretos que nos conduzissem no caminho da unidade da Igreja. Asseguro-lhe que, francamente, não vi muito o que fazer, exceto orar. E especialmente por meio de minha experiência pessoal. Eu percebi centenas de vezes que existem obstáculos humanos que são quase intransponíveis, senão realmente intransponíveis. Porém, quando este grupo exigiu um esforço de concretização da unificação, daquilo que a Virgem nos pede, acabamos por concordar em tentar nos encontrar e refletir juntos. E é quando uma mensagem chega até nós, no sexto aniversário de Soufanieh, 26 de novembro de 1988. Jesus disse à Myrna, e a nós através de Myrna: “Meus filhos, Tudo o que vocês fazem, é feito por Meu amor? Não digam: que faço? Porque isso é obra Minha. Vocês devem jejuar e orar, porque na oração se encontrarão em face da Minha Realidade (Verdade) e suportarão todos os golpes. Eu lhes asseguro que isso foi uma espécie de revelação para nós. Acreditamos poder descobrir o que há a fazer. E certamente há o que fazer.
Mas, no fundo, além de uma oração que nos coloque frente a frente com o Senhor, frente a frente com nos sas misérias, e que fundamentalmente nos prepare para esta conversão que permitirá nos unirmos ao Senhor e ser uma pedra viva no corpo unificado de Jesus, fora desta oração sustentada por um jejum, nos perguntamos o que podemos fazer de concreto em nossa situação no Oriente Médio … Isso foi uma revelação para todos. E isso nos levou a orar mais e a praticar um jejum que levou mesmo alguns a jejuar como a Virgem pediu em Medjugorje. As coisas se conectam. Jejuar a pão e água, na quarta e na sexta-feira.
Logo, quando a Virgem nos diz: Unam-se! Eu lhes digo: orem, orem e orem!, pelo simples fato de que depois da frase Unam-se, Ela repete três vezes orem, Ela parece nos dizer: “Não procurem nada mais além da oração. Na oração vocês têm Deus, e com Deus vocês farão tudo”. Caso contrário, estamos nos enganando. Caso contrário, procuramos rotas de fuga. Talvez com toda a franqueza, com a melhor das intenções. Mas corremos o risco de nos perder e não fazer o que o Senhor quer.
E é por isso que, depois de ter dito: orem, orem e orem!, a Virgem continua: Como são belos meus filhos quando se ajoelham, a implorar. Ela poderia não ter dito essa frase. Pessoalmente, quantas vezes, ao entardecer, quando chego em casa, exausto, literalmente exausto, tenho apenas um desejo, fazer o sinal da cruz e depois me deitar, dizendo: “Senhor, eu me abandono a Ti.” Mas imediatamente me lembro das palavras da Virgem. E eu digo, “Bom, eu vou me ajoelhar, mesmo que apenas por um segundo, para agradar à Maria, mesmo que apenas por este segundo”. É claro que o segundo dura um pouco, porque penso: “Há tanta tristeza no coração da Virgem, que devemos tentar, mesmo assim, trazer–Lhe uma certa alegria. E se Ela nos disse que estava feliz em nos ver ajoelhados em oração, vamos dar essa alegria a Ela”.
É assim para mim, e estou certo de que milhares de outros que leram as mensagens se lembram desta frase de Maria. E que esta frase os convida de vez em quando, a agradar à Maria, a se ajoelhar. E, uma vez que você está de joelhos diante de Deus, muitas coisas desaparecem. Porque, no final, ficamos de joelhos diante de muitos homens. Estamos de joelhos diante de tudo, exceto de Deus. É hora de se ajoelhar diante de Deus e se levantar diante de tudo, contra tudo mesmo, se necessário, mas com Deus. É o único que nos liberta..
E é por isso que Ela diz: Não tenham medo, Eu estou com vocês. Não tenham medo! No entanto, há um motivo. Há um motivo, acreditem-me! O fenômeno Soufanieh surgiu em um momento em que, na própria Síria, a situação deixava a desejar. As emoções de natureza confessional, sobre os quais não sabíamos muito na Síria, e que, de certo modo, desapareceram durante algum tempo, começaram a ressurgir de 1958 a 1960. E desde então só cresceram lentamente. A chegada de Khomeini ao Irã teve muito a ver com esse tipo de aumento do fundamentalismo. E, com a guerra no Líbano chegou ao auge. Mais recentemente, o que foi chamado de crise e guerra do Golfo realmente não ajudou a diminuir essa efervescência confessional. E quando há fundamentalismo de um lado, frequentemente há fundamentalismo do outro. Em última análise, é o jogo do pêndulo e tal jogo não é feito para trazer paz, amizade ou verdadeira assistência mútua entre os homens. Pelo contrário, corre o risco de dividir as pessoas e, mais do que isso, corre o risco de fazer com que aqueles que estavam muito próximos se afastem lentamente uns dos outros. E isso nós o vemos, infelizmente. Agora, Nossa Senhora nos diz: Não tenham medo, eu estou com vocês.
Quando você pensa que, às vezes, algumas pessoas, por fazerem amizade com alguém em posições elevadas, adquirem um sentimento de segurança, de poder, ao passo que essa pessoa de quem elas derivam tal sentimento de segurança pode, um belo dia, estar completamente no chão, por que não pensar que do Senhor e que somente Dele você pode tirar a verdadeira paz? Só com Ele temos a paz, a verdadeira paz, apesar de todos os condicionamentos que podem ser perigosos, graves, incertos … Só Ele é capaz de dar esta paz.
Nossa Senhora nos disse: Não tenham medo, eu estou com vocês. E descobrimos que, realmente, Ela está conosco. Ela tem estado conosco em Soufanieh. E creio que cada um de nós, quando se volta realmente para si mesmo e revê um pouco de sua vida, inevitavelmente deve dizer : “O Senhor estava comigo sem que eu percebesse”. Jesus também o disse, durante a mensagem que deu à Myrna, em 26 de novembro de 1988: Rezem por aqueles que se esqueceram da promessa que me fizeram, porque eles dirão: Por que não senti a tua presença Senhor, apesar de Tu estares comigo? Temos a tendência de esquecer do Senhor … Mas Ele não se esquece de nós. Isso me lembra as palavras do profeta: “Mesmo que a mãe esqueça o filho que está amamentando, eu não te esqueceria nunca!” (Is 49:15).
Portanto, nos diz a Virgem: Como são belos meus filhos quando se ajoelham, a implorar. Não tenham medo, eu estou com vocês. Não é a primeira vez que Ela nos diz: não tenham medo, eu estou com vocês. Ela é a mãe do Senhor. E nos dará provas tangíveis nos próximos nove anos. Porque, em Soufanieh, só aconteceram alegria, fé, felicidade e amor. Portanto, não tenham medo!
Ela sabia, a Virgem, que se pode ter medo. Medo em um nível humano, é claro. Mas Deus também dá medo. Deus também. Não é bom lidar com Deus. Sabemos algo sobre isso por meio das figuras extraordinárias do Antigo e do Novo Testamentos. Não se pode ver Deus e sobreviver. Com Deus, devemos morrer. Você realmente tem que morrer, para tudo, para si mesmo. Para renascer com Ele. E a morte é assustadora. Portanto, existe um medo real de Deus. E, com Deus, devemos mudar. Entretanto, não gostamos de mudar, nós nos acomodamos. Isso é o que, às vezes, me faz dizer que muitos daqueles que recusam Soufanieh depois de tantos sinais, o recusam porque temem a mudança que Deus exigiria deles no dia em que reconhecerem Sua presença no fenômeno de Soufanieh. Eu digo isso sem intenção de julgar ninguém. Só Deus conhece as consciências. Só Deus as julga. Mas aí, atrevo-me a dizer, porque é um fato: o homem gosta de se acomodar. Ele não quer mudar. E a grande mudança é quando Deus o invade, não lhe deixa mais nada.
E a Virgem termina com três frases. A primeira: Não se dividam como os grandes. Quem é grande diante de Deus? Nossa Senhora usa nossas palavras. Os grandes para nós são aqueles que têm uma certa responsabilidade, às vezes são os ricos, são os poderosos neste mundo. Mas, diante de Deus, somos todos coisas pequenas. Se Ela, a mãe de Deus, se autodenomina serva, que dizer dos homens, sejam eles quem forem, por mais poderosos que sejam, por mais ricos que sejam, por mais eruditos que sejam? Mas Maria usa a nossa linguagem. Portanto, não se dividam como os grandes. Divididos por causa de quê? Por causa de interesses que nada têm a ver com Deus.
Então, de repente, a Virgem nos disse algo que Jesus nunca cessou de repetir: Vocês, vocês mesmos, ensinarão às gerações A PALAVRA da Unidade, do Amor e da Fé. Nossa Senhora não disse “as palavras”, mas “a palavra”. Vocês ensinarão. Quando ouvi e pensei sobre isso, imediatamente me referi à palavra de Jesus: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12)- “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Imagino os apóstolos dizendo uns aos outros: “Nós, a Luz do mundo? Mas, quem somos nós para ser a Luz do mundo?” Quem somos nós? Nós, ensinarmos às gerações? Mal conseguimos aprender alguma coisa. Ensinar às gerações: a missão parece ir muito além de todas as nossas possibilidades. Mas apenas essa palavra nos permite adivinhar que o Senhor está conosco e que é Ele que se encarrega de ensinar as nações por meio de nossa mesquinhez, de nossas misérias e de nossa pouca inteligência.
A PALAVRA: é muito importante notar que em três ocasiões, Maria e Jesus usam esta frase: Vocês, vocês mesmos, ensinarão às gerações a PALAVRA da Unidade, do Amor e da Fé. Para entendermos as coisas nós costumamos dissecar, separar palavras e ideias. Aqui, Maria e Jesus unem tudo. E, se você pensar um pouco sobre isso percebe, se assim posso dizer, que Eles estão absolutamente certos. Podemos encontrar uma unidade que não seja baseada no amor? Só o amor une. E amor é confiança em quem nos ama. Ou seja, fé naquele que nos ama. Quando sei que o Senhor me ama, quando realmente acredito que Ele me ama, nesta certeza do Seu amor permaneço em coesão comigo mesmo. Eu permaneço unido em mim mesmo. É aqui que vejo a perfeita unidade entre essas três palavras, unidade, amor e fé.
E, na Igreja, a unidade só pode ser alcançada no amor. E o amor só pode surgir da certeza de Seu próprio amor por nós. Não o nosso miserável amor por Ele. Nós somos capazes de vendê-lo a qualquer minuto. E de justificar qualquer venda que operemos sobre Deus. De mil e uma maneiras. Mas Seu amor por nós é sólido, a ponto de ser eterno! São Paulo disse: “Deus é fiel.” Fim. Isso não muda. Somos nós que somos mutáveis. Eu, pessoalmente, sabendo que Deus me ama, a partir desta certeza do Seu amor, posso manter, com a Sua graça, a minha coesão comigo mesmo. E o que se aplica ao indivíduo se aplica ao pequeno grupo e pode se aplicar ao grande grupo que é a Igreja. É por isso que o Senhor insiste tanto na PALAVRA da unidade, do amor e da fé.
Então a Virgem, mais uma vez, nos convida a rezar: Rezem pelos habitantes da terra e o céu. […] Os habitantes da terra e do céu. Habitantes da terra, nós entendemos. Mas habitantes do céu? A construção da frase árabe pode significar: “Rezem aos habitantes do céu”, no sentido de “implorem as suas orações”. Mas também podemos compreender no sentido daqueles que estão a caminho, que foram adiante e estão a caminho do céu, lá no que se chama de Purgatório,esta etapa de preparação para a visão divina, etapa de purificação essencial. Compreendo que, nesta perspectiva, Nossa Senhora também nos diga: “Rezem por aqueles que habitam o céu”. Ou seja, orem por aqueles que estão a caminho do céu. Enfim, por todos os nossos falecidos. Para aqueles que vieram antes de vocês e para vocês mesmos quando vocês estiverem lá também. Portanto, a oração da Virgem não pode excluir ninguém. […] Os habitantes da terra e do céu. Não pode excluir ninguém. Finalmente, na oração, o homem se deixa dilatar por Deus às dimensões de Deus mesmo!”
E é por isso que a Virgem disse, na mensagem de 26 de novembro de 1989: Jesus disse a Pedro: Vós sois a pedra e sobre ela edificarei a minha Igreja. E eu digo agora: Vocês são o coração sobre o qual Jesus construirá a sua UNICIDADE. Nossa Senhora quer nos levar além do que é uma instituição externa. Sem negar a instituição. Porém, reivindicando uma única instituição, que expressa a unidade de corações, esta unidade que deve ser a verdadeira Igreja que Jesus quer e que quer presente no meio do mundo, para que, através desta unidade, as pessoas vejam Jesus, venham a Jesus , acreditem em Jesus. Vejam como as coisas se encadeiam.
Jesus a construiu. Esta frase é tão simples, mas ao mesmo tempo tão grande! A Igreja é o reino dos céus na terra. Aquele que a dividiu pecou. E aquele que se regozijou com a sua divisão também pecou.
Isso me lembra de um caso que aconteceu comigo aqui em Paris. Um dia, há quatro anos, o padre Jean Maksud, atual diretor da “Oeuvre d’Orient”, me convidou para conhecer a equipe do “Peuple du Monde”, da qual ele era o diretor, para falar um pouco sobre Soufanieh. Eram, creio eu, treze ou quatorze pessoas. Certamente havia padres entre eles, mas, por suas vestimentas laicas, não os reconheci. E também havia uma ou duas senhoras e uma jovem. Durante três quartos de hora, eu lhes falei um pouco sobre o fenômeno, após uma breve introdução durante a qual lhes disse: “Peço-lhes que ponham de lado todos os seus critérios cartesianos e procurem me ouvir como testemunha de algo que vi e que ouvi, como vejo vocês agora. A seguir vocês estarão livres para acreditar ou para recusar”. Então, eu expliquei um pouco o fenômeno a eles e citei algumas mensagens. Entre outras, esta: A Igreja é o reino dos céus na terra. Quem a dividiu pecou […]. Depois que terminei, um dos padres disse: “Esta mensagem é contrária à teologia do Vaticano II, porque a Igreja não pode ser o reino dos céus na terra. Ela será, no céu, o reino completo de Deus. Mas sobre a terra, ela não pode ser”.
Houve também outras oposições, outras objeções. Entre outras coisas, alguém objetou que a frase de Jesus à Myrna: Eu quero […] que tu te dediques à oração e te despreze, pois aquele que se despreza aumenta em força e em elevação da parte de Deus, era inaceitável, porque Deus não pode pedir que nos desprezemos. Eu respondi: “Mas toda a espiritualidade da Igreja, especialmente a espiritualidade oriental e a espiritualidade dos Padres, nos chamam a um apagamento total nosso diante da grandeza de Deus”. E para quem achava que a mensagem citada era contrária à teologia do Vaticano II, eu lhe disse: “Escute, padre, eu não sou teólogo e não estou aqui para discutir. Mas um dia eu vou lhe dar uma resposta”. E no mesmo dia em que voltei a Damasco, encontrei o Padre Malouli. Eu lhe fiz um relato de minha viagem e, entre outras coisas, citei essa objeção. Ele respondeu: “Mas, encontramos esta frase tal e qual em Santo Agostinho e São Basílio!” Eu lhe pedi: “Dê-me a referência”. Ele me disse: “Você a encontrará no livro do Padre de Lubac, Catolicismo. Não sei mais em qual página. Procure-a!” Ora, eu tinha o livro do padre de Lubac. Naquela mesma noite, folheei página por página e cai efetivamente sobre as passagens de Santo Agostinho e São Basílio onde se diz assim: A Igreja é o reino dos céus sobre a terra. Assim mesmo. Então, fotocopiei a página. Escrevi uma carta ao Padre Maksud dizendo-lhe: “Por favor, dê o texto a quem se opôs a esta frase”. Vejam, são frases que chegam até nós com tanta simplicidade e que foram ditas por Padres tão grandes como Santo Agostinho e São Basílio. E se vem agora nos dizer que não é possível! Mas foi a Virgem quem disse isso …
Apesar de todas as suas misérias, e só Deus sabe se nela tem havido, nós conhecemos alguma coisa da Igreja, mas o Senhor, certamente, a conhece mais. A Igreja portanto, a despeito de todas as suas misérias, que são muito dolorosas, Jesus quis que ela fosse Sua presença na terra. E a presença de Deus na terra é o reino dos céus na terra. E, por meio dessa presença, a Igreja, por mais deficiente que seja, realiza a santificação dos homens. Santificação que vemos em grau extraordinário nesta ou naquela figura de santo.
Portanto, a Igreja é o reino dos céus na terra. Quem a dividiu pecou […]. Quem a dividiu. Muitos são os que a dividiram. E, até hoje, nós todos continuamos a dividi-la.
Algum tempo atrás, um padre francês veio me ver, um padre ortodoxo, convertido à ortodoxia. Passamos duas horas e meia conversando sobre Soufanieh. Foi a primeira vez que o vi. Enquanto lia para ele as mensagens, às vezes, eu via seus lábios se moverem. A certa altura, parei e lhe disse: “Você está orando, Padre?” Ele respondeu: “Sim. Porque essas mensagens significam algo para mim. Essa é a minha vida. E agradeço ao Senhor por nos ter lembrado com palavras tão simples de tão grandes verdades”. E, antes de sair, ele me disse: “Agradeço-te sobretudo, porque através destas mensagens, percebi que também pequei por não orar o suficiente …” então, corrigiu: “… por não orar sobretudo pela unidade da Igreja. De agora em diante, vou orar pela unidade da Igreja”.
Todos nós somos responsáveis por dividir a Igreja. Portanto, quem a dividiu pecou. Não apenas no passado. Quem continua a dividi-la agora. E quem se regozijou com sua divisão pecou. Portanto, imagino que a Virgem, que conhece tão bem os corações dos homens, alcança com esta palavra todos aqueles que encontram na divisão da Igreja, na destruição da Igreja, no aniquilamento da Igreja, sua alegria ou seu lucro. E acredito que Ela alcança aqui uma ampla gama de pessoas, no presente, no passado e no futuro.
Sempre haverá pessoas que se alegrarão, talvez até acreditando que estão agindo bem, com a divisão da Igreja e que talvez trabalhem para aprofundar essa divisão na Igreja. Nossa Senhora aqui lembra a todos que eles são responsáveis. Por fim, Ela nos diz: Vocês são responsáveis pela presença de Deus em seu meio. A Igreja é a presença do Senhor entre vocês. Vocês são responsáveis pela vida de Deus. Imagine a que distância a Virgem nos leva! Eu, como padre que sou, qualquer homem por mais miserável que seja, sou responsável pela vida de Deus sobre a terra! Ela, a Virgem nos faz crescer muito.
E, no entanto, sabemos como somos pequenos e miseráveis. Mas aí eu descubro o quanto o Senhor quer que sejamos grandes, apesar de nossa obstinação em querer permanecer pequenos. Ele nos quer grandes além de toda magnitude. Finalmente, Ele nos fez Seus filhos. Exatamente o que já dizia São João, no prólogo do seu Evangelho. Deus faz dos homens seus filhos. Isso me lembra as palavras do santo russo, Serafim de Sarov, a seu amigo Motovilov que teve a visão de Serafim em estado de irradiação luminosa. São Serafim começou por lhe perguntar qual é o propósito da vida do homem. Motovilov não conseguiu responder. Por fim, São Serafim disse–lhe: “O verdadeiro objetivo da vida cristã é tornar-se receptáculo do Espírito Santo”. Portanto, finalmente, tornar-se filho de Deus, Templo vivo do Espírito, como dizia São Paulo (cf. Rm 8,16; 1 Cor 3,16). Quer queiramos ou não, quer estejamos na lama ou tentando nos tornar santos, através de Deus nós somos grandes, e muito grandes, maiores do que pensamos. E se Soufanieh tem algo a nos dizer é nos relembrar de nossa grandeza essencial. Nos recordar de nossa grandeza essencial.
Então, a Virgem nos diz algo que pode nos deixar confundidos: Unam-se! Mas, Virgem Maria, se eu sou incapaz de me unir comigo mesmo, como você quer que eu me una com os outros? Na mesma casa, nós vemos quantas divisões existem entre marido, mulher e filhos. Na sociedade, é o colapso geral, mesmo no Oriente Médio. Como podemos ficar juntos? Como, Virgem Maria, podemos estar juntos, senão nos refugiando no Senhor? E sabemos que quando o Senhor dá uma ordem, Ele dá os meios para cumprir essa ordem. É a oração de Santo Agostinho ao Senhor: “Dê o que você manda!” É extraordinário como uma frase: “Senhor, dê o que tu ordenas!” O Senhor não nos manda fazer o impossível. É impossível para nós, mas ao nos dar a ordem, o Senhor nos dá a graça de cumprir essa ordem. É esplêndido. Mais uma vez, Ele nos torna maiores.
E na concretude da divisão das Igrejas, na concretude da dilaceração das Igrejas, este convite da Virgem que nos diz: Unam-se! , é também uma missão de grandeza, tanto para nós como para os outros, como é este esforço de unificar a Igreja. Mesmo se momento não se veja lá grandes coisas.”
Excerto de Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.
Quão urgente e atual se faz a mensagem de Soufanieh, dada nos anos 80 à Myrna Nazzour. Abaixo o testemunho e exegese do Padre Elias Zahlaoui acerca da mensagem de 24 de março de 1983 (uma das últimas mensagens da Virgem). Quando fala em igreja, aqui, a Virgem não se refere aos ortodoxos, católicos, protestantes, espíritas, religiões de matriz africana, ou outra divisão. Ela se refere aos CRISTÃOS, melhor ainda, àqueles que creem no Cristo, frequentem ou não, façam parte ou não de qualquer ramo religioso. Em uma hora onde a divisão entre estes se aprofunda em várias partes do mundo, e do Brasil em particular, como são importantes e urgentes as palavras de Maria ditas naquele longínquo ano de 1983. A guerra sequer era uma ameaça para a Síria e a divisão e intolerância entre cristãos, assim como a utilização política disto, que surgiria no Brasil era algo distante e, talvez, impensável. Como isso é importante para cada um de nós, em particular, meditarmos e tentarmos incorporar e divulgar. A igreja é UNA porque Jesus é UM. A igreja dividida é a destruição da visão cristã do mundo e a barbarização completa da humanidade. Passarão a predominar, então, o desamor, o egoísmo, o olho por olho, dente por dente, a crueldade contra tudo e contra todos. Enfim, como disse há 200 anos atrás Dostoievski: “Se Deus morreu, tudo é permitido! Tudo!”
Meus filhos, a minha missão terminou. Naquela noite, o Anjo me disse: “Bem-aventurada és tu entre as mulheres”. E eu só pude lhe dizer “Eis a serva do Senhor”. Eu estou feliz. Eu mesma não mereço lhes dizer: “Os seus pecados estão perdoados.” Mas o meu Deus o disse. Fundem uma igreja. Eu não disse: “Construam uma igreja”. A Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una, porque Jesus é Um. A Igreja é o reinodos céus na terra. Aquele que a dividiu pecou. E aquele que se regozijou com a sua divisão também pecou. Jesus a construiu, ela era pequena, E quando ela cresceu, ficou dividida. Aquele que a dividiu não tem Amor dentro de si. Unam-se! Eu lhes digo: “Rezem. Rezem. Rezem!” Como são belos meus filhos quando se ajoelham, a implorar. Não tenham medo: eu estou com vocês. Não se dividam como os grandes. Vocês, vocês mesmos, ensinarão às gerações a palavra da Unidade, do Amor e da Fé. Rezem pelos habitantes da terra e do céu. (Quinta aparição da Virgem, quarta mensagem. Quinta-feira, 24 de março de 1983).
“Foi a quinta aparição e a quarta mensagem das aparições. Vejam como a Virgem se coloca aqui como uma serva. Sempre o mesmo: meus filhos. Nós temos muito a tendência de esquecer que somos verdadeiramente filhos de Deus e da Virgem. Meus filhos, minha missão acabou. A Virgem está aqui para cumprir uma missão e depois ir embora. Ela permanece a criatura na dependência do Criador. Apesar de toda a grandeza que o Senhor lhe deu, ela conhece seus limites. Mas é extraordinário pensar nisso.
Isso nos assustou um pouco. Dissemos a nós mesmos que o fenômeno Soufanieh poderia ter acabado. Minha missão acabou. Então, talvez fosse como em Lourdes, onde Ela apareceu para Bernadette e depois desapareceu. Então agora… E para nós foi uma verdadeira tristeza, embora tenhamos ficado muito felizes em ouvir tal mensagem. Mas ficamos profundamente tristes ao pensar que este clima, esta nova vida vivida com Deus e com Maria, através de Maria, poderia, talvez, acabar. Mal podíamos acreditar que isso poderia cessar. Apesar do Padre Malouli ter dito que vivíamos num estado de sonho, que não era realidade mas sim um sonho que nós vivíamos, de fato, tínhamos muita dificuldade em pensar que esse sonho pudesse acabar. Mas a Virgem nos lembrou que ela estava em missão e que a missão estava para terminar. Claro, o que termina aos olhos de Deus não termina aos nossos próprios olhos da mesma maneira. Maria cumpriu uma missão, ela cumprirá outras. E isso acabaria em seguida.
Naquela noite, o Anjo me disse: “Bem-aventurada és tu entre as mulheres.” Em alguns textos dos Evangelhos em árabe, esta frase é colocada na boca do anjo. Em outras traduções, foi retirada da boca do Anjo e mantida apenas na boca de Isabel. É por isso que, quando ouvi este texto, corri para a igreja naquela mesma noite para ver, no livro do Evangelho que usamos na missa, se essa frase existia ali na boca do anjo … ou não. Eu tinha dito a mim mesmo que, se realmente nos Evangelhos em uso agora, não encontramos esta frase, alguns aproveitariam sua ausência para dizer: “Veja que isto não é verdade. Não foi o Anjo que disse isso à Santíssima Virgem. Portanto, não é a Santíssima Virgem que está falando”. Vejam como foi necessário navegar por várias águas, para procurar evitar todas as especulações possíveis, todas as acusações possíveis. E eu só pude lhe dizer “Eis a serva do Senhor”. Mas que humildade tem a Virgem! Quanta humildade! Que simplicidade! Ela poderia ter dito mais alguma coisa? Eu só pude … Você vê a construção da frase: só. Ela se sentia tão plena que Sua língua estava presa. Ela não podia mais dizer nada, exceto: Eis a serva do Senhor.
Não gostaria de fazer um longo comentário sobre isso, mas gostaria de me alongar sobre um ponto em particular: como a Igreja atualmente tem interesse de se fazer serva, em deixar de ser poder, em imitar Maria! Que deixe de ser poder! Ela não será realmente uma Igreja, onde quer que esteja, senão no dia em que se tornar uma serva. E uma serva, começando pelos mais pequenos, os mais necessitados, os mais pobres. Enquanto a Igreja quiser flertar com o poder, ela não pode ser uma serva! Haverá servos na Igreja porque ela é o reino. O Senhor quis assim. Mas a instituição como tal corre o risco de se putrefazer, de apodrecer, se a Igreja não for serva.
Então a Virgem nos diz: eu estou feliz. Ficamos felizes em ouvir alguém maior do que nós nos dizer: “Eu estou feliz”. Sempre me lembra aquela palavra atribuída a Napoleão: “Soldados, estou feliz com vocês!” Ele estava dizendo isso ou não? Ainda assim, fomos ensinados, quando estudávamos a história da França, que Napoleão conseguiu, por meio de pequenas palavras como esta, galvanizar seus milhares de soldados: “Soldados, estou feliz com vocês!” E a Virgem disse: Eu estou feliz. Não é a mandachuva, não é a vizinha, não é uma religiosa. É a Virgem que nos diz: Eu estou feliz. Portanto, foi um reconhecimento do nosso modesto esforço em tentar orar, em responder aquilo que o Senhor esperava de nós.
Na verdade, muitas vezes não sabíamos o que fazer. Agora que nos lembramos de certas iniciativas, de certas palavras, dizemos a nós mesmos: “Mas foi Ele quem nos guiou!” Foi o Senhor que nos ajudou dizer tal e tal coisa, quando nós, com nossa estupidez e talvez com nosso amor-próprio ou com nosso orgulho, poderíamos ter dito ou feito exatamente o contrário. Foi Ele quem nos impediu de nos desviarmos, de escorregarmos ou de nos orgulharmos e, em última instância, talvez até de distorcermos toda a mensagem. Mais uma vez, não temos nada a ver com isso. Eu estou feliz!
E então Ela nos diz uma coisa extraordinária: Eu mesma não mereço lhes dizer: “Os seus pecados estão perdoados.”Mas o meu Deus o disse. De fato, duas coisas incríveis. Diante de Deus, o homem que tenha um pouco lucidez sempre se reconhece culpado. Podemos nos esconder, fugir, nos justificar, buscar a justificativa humana, no fundo sabemos que somos culpados. Nós sabemos que somos culpados. E precisamos, diante desse sentimento de culpabilidade, saber que fomos perdoados. E não perdoados por qualquer um. Os homens podem perdoar, eles não conhecem a profundidade de nossa ferida. Eles podem nos dar a ilusão de ter perdoado. Mas, embora iludido, o homem, olhando para o fundo de si mesmo, sempre encontra a ferida do pecado a transbordar. Por isso, ficamos felizes em saber que fomos perdoados, embora não tivéssemos passado pelo sacramento da penitência. Este texto pode parecer uma espécie de fenda aberta no sacramento da penitência. É o Senhor quem perdoa.
Ele quis dentro da Igreja nos perdoar através do canal do sacramento da penitência. Mas se Ele quer também dizer, como no Evangelho, “Teus pecados estão perdoados”, quem pode impedi-Lo? Então, para nós, foi um consolo e uma alegria saber que fomos perdoados, apesar de todas as nossas misérias, de todas as nossas fraquezas e talvez até de todas as nossas estupidezes, cometidas por causa de Soufanieh ou em relação a Soufanieh. E não é Maria quem nos perdoa, é o seu Deus. E Ela, que é a mãe de Deus, sabe que é sempre criatura, que Deus é sempre Deus e que não há Deus, senão Deus. É extraordinário ouvir Maria falar tão simplesmente de verdades tão profundas, tão totais e tão radicais.
E então veio uma frase que pessoalmente me abalou bastante: Fundem uma igreja. Eu não disse: “Construam uma igreja”. Ela nos conhece, não é? Ela nos conhece em todas as nossas misérias, em todas as nossas fraquezas e em todas as nossas tentações. Fundem uma igreja. À primeira vista, reagimos, e podemos sempre reagir, a esta frase, dizendo o seguinte: “Mas quem fundou a Igreja é Jesus”. Ele sozinho é o fundador. Quem somos nós para fundar uma Igreja? E a Igreja, por outro lado, já está fundada. Jesus a fundou há dois mil anos. O que temos agora para fundar uma Igreja? E podemos concluir, como outros já fizeram: “Portanto, não é Maria, não é Jesus que fala, é outro”. E outro é o Diabo. Portanto, deve haver algum deslizamento aqui, alguma clivagem diabólica! Alguns concluíram isso, chegaram a isso.
Mas, olhando mais de perto e dentro da verdade, entendemos o quanto o Senhor vê muito além de nós. Não conseguimos sequer ver a ponta do nosso nariz. Mas Ele vê. E quando Maria disse: Fundem uma Igreja, Ela não negou a Igreja, pois, dois minutos depois, Ela disse: A Igreja é o reino dos céus na terra. E a Igreja, foi Jesus quem a construiu. Mas a Igreja está dividida. E, porque ela está dividida, porque é dividida, ela é incapaz de testemunhar como deve ser testemunhado. Portanto, “Eu estou ordenando que vocês refaçam uma Igreja que seja Uma e que seja a Igreja de Jesus. A Igreja de Jesus existe, mas vocês agora estão tão espalhados, tão dispersos, tão dilacerados, que não constituem uma Igreja”.
E de fato, por mais que finjamos, mesmo aqui no Ocidente, que a Igreja é Una e que é a Igreja de Jesus, bem, sejamos francos e honestos conosco mesmos, antes de o sermos com o Senhor e com Maria, a Igreja não é o que deveria ser. Somente uma Igreja pode dar testemunho de Jesus. E é por isso que Jesus disse na sua oração depois da Última Ceia: “ Para que todos sejam um, e o mundo creia que Tu me enviaste” (Jo 17, 21). Em quem o mundo deve acreditar? As diferentes igrejas católicas? As diferentes igrejas ortodoxas? As diferentes igrejas protestantes? As milhares de seitas que falam em nome de Jesus? Em quem é o mundo deve crer? E quando a Virgem disse: Fundem uma igreja. Eu não disse: “Construam uma igreja”. A Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una, porque Jesus é Um. Ela deixou claro que ela não quer uma igreja. Ela havia dito isso antes: “Não, eu não quero uma igreja. Quero um lugar de oração”. Fundem uma Igreja significa unir-se, buscar unir-se para ser Igreja.
E a Virgem esclareceu: A Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una, porque Jesus é Um. Ele poderia ter adotado outra. Pela palavra adotado, até nos perguntamos: “Foi isto que a Virgem falou?” Ouvimos a fita novamente, porque o padre Malouli, a partir da data de 21 de fevereiro, adquiriu um gravador alimentado por bateria. Ele havia dito a si mesmo: “Se houver outras aparições e outras mensagens, então registraremos tudo”. E, de fato, tudo foi registrado. E ouvimos a gravação novamente. Isso é bom: a Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una. Ele poderia ter adotado outra. É Ele quem é o A e o Z. E a Igreja é Una porque Jesus é Um.
Claro, quando falamos em fundar uma Igreja, trata-se de compreender as palavras. Vislumbrar a fundação de uma Igreja é vislumbrar a revisão de tudo o que atualmente leva o nome de Igreja. Não para questionar as igrejas existentes: elas são o Corpo de Jesus Cristo. Mas, elas não são o que deveriam ser. Elas devem reencontrar a sua unidade para testemunhar a unicidade de Jesus.
E assim, seis anos e meio depois, no domingo, 26 de novembro de 1989, a Virgem disse à Myrna: Meus filhos, Jesus disse a Pedro: Vós sois a pedra e sobre ela edificarei a minha Igreja. E eu digo agora: Vocês são o coração sobre o qual Jesus construirá a sua UNICIDADE. Portanto, a Igreja, em última análise, não é a pedra. Não são as diferentes igrejas que estão próximas umas das outras, uma ao lado da outra, Católica, Ortodoxa, Greco-Católica, Greco-Ortodoxa, Siríaco-Católica, Siríaco-Ortodoxa … Todas estas são células da Igreja que deve ser uma. Mas a verdadeira Igreja são os corações dos crentes. É a unidade de todos os crentes juntos, que devem através de sua unidade de coração constituir a unicidade de Jesus.
Excerto de Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.
“Meus filhos, isto é entre nós: Eu estou de volta. Não insultem os altivos que são desprovidos de humildade. A pessoa humilde anseia pelas observações dos outros para corrigir as suas falhas. Enquanto o orgulhoso corrompido, subestima, se revolta, torna-se hostil. O perdão é a melhor coisa. Aquele que finge ser puro e caridoso diante dos homens, é impuro diante de Deus. Tenho um pedido para vocês, umas palavras que gravarão no seu espírito e repetirão sem cessar: “Deus me salva, Jesus me ilumina, o Espírito Santo é a minha vida, por isso nada temo. Não é isso, meu filho Joseph?
Tolerem e perdoem, vocês têm muito menos a suportar do que suportou Deus Pai.“
As circunstâncias em que foi dada esta mensagem, da Virgem em 21.02.1983, são as seguintes:
O ícone de Nossa Senhora foi trasladado para a igreja por ordem do bispo local. Ocorre que lá chegando o ícone parou de exsudar óleo de oliva. A isso se seguiu que dois padres reconduziram o mesmo ícone de forma desrespeitosa para a casa de Nicolas e Myrna e a partir de então o ícone voltou a exsudar óleo e os inúmeros milagres se sucederam. A seguir o relato do Padre Zahlaoui sobre o ocorrido naquele dia.
“Chego agora à terceira mensagem, que completa a segunda. Esta terceira mensagem foi dada logo depois que a imagem foi trazida para casa dessa forma enigmática. Nicolas entrou em confronto com os dois sacerdotes que a trouxeram. Ele lhes disse: “Mas o que ela fez, a Virgem, para ser trazida de volta para aqui? É indigno”. Houve uma violenta altercação. Então, os dois padres se retiraram. Mas, nesse ínterim, o padre Malouli tinha chegado à casa. Ouvindo vozes altas na sala de estar, ele ficou no pátio. Quando os dois padres partiram, Nicolas lhe contou o que acontecera. Então ele pediu a Nicolas que lhe permitisse orar com Myrna na frente do ícone. Eles recitaram uma dezena do rosário. Em seguida, o Padre Malouli fez esta oração no seu coração, que só mais tarde revelou: “Virgem Maria, nos ilumina para que não cometamos erros que comprometam o teu plano”. Pouco depois, ele vê Myrna saindo. Ele termina sua oração e vai embora. Eles lhe dizem: “Ela está no terraço”. Ele sobe e a vê de joelhos. Em torno dela, a família. E, de repente, ele a ouve dizer algumas palavras, o seu ar é de quem ouve e apenas repete. A mensagem foi transmitida em árabe dialetal e consistia em duas partes distintas. A primeira, nós a dissecamos por pelo menos dois anos. Seu teor era obviamente severo. A mensagem dizia: Meus filhos. Vejam, sempre esta palavra: Meus filhos, isto é entre nós. Como uma mãe que está aqui para conversar com os filhos. Eu estou de volta. Não insultem os altivos que são desprovidos de humildade. A pessoa humilde anseia pelas observações dos outros para corrigir as suas falhas. Enquanto o orgulhoso corrompido, subestima, se revolta, torna-se hostil. O perdão é a melhor coisa.
Por mais que sejamos caridosos, que tentemos ser verdadeiramente caridosos e compreensivos, não poderíamos deixar de ver nessas palavras uma reprovação amarga. Mas também vemos um belo convite da Virgem para não se rebelar, para não atacar, para não acusar, para perdoar. Todo aquele que afirma ser puro e amável diante dos homens é impuro diante de Deus. Esta é a primeira passagem, que conseguimos compreender nesses dois anos. A segunda passagem é toda uma regra de vida, sempre dita em árabe dialetal: Eu lhes peço. Isto é dito em árabe, o que deixa aquele que lê o texto um tanto confuso diante da Virgem. Porque a Virgem parece implorar aos seus filhos algo que Ela gostaria que fizessem: tenho um pedido para vocês. Parece um inferior pedindo ao seu superior. Uma palavra que vocês gravarão na memória, que repetirão sempre: “Deus me salva, Jesus me ilumina, o Espírito Santo é a minha vida, por isso nada temo. Não é isso, meu filho Joseph?” Existem duas coisas extraordinárias aqui. Em primeiro lugar, a forma como a Virgem pede aos seus filhos que coloquem esta ideia em mente: Deus. Não tenham medo dos homens. É Deus quem é a Vida, a Luz. Não tenham medo de ninguém que não seja Ele: Ele é a salvação. E, portanto, não se esqueçam Dele. E a segunda: não é isso, meu filho Joseph? Isso ocorreu na mesma manhã em que fui proibido de continuar indo a Soufanieh. Uma autoridade religiosa superior havia me notificado pessoalmente. Correram boatos de que o governo tinha me usado para “aproveitar a onda de Soufanieh”, ou seja, para distrair as pessoas dos problemas do país! Era preciso muita imaginação para isso! Eu aceitei esta ordem com o coração ao mesmo tempo em paz e ferido. E avisei à Myrna, a Nicolas e ao meu colega padre Joseph Malouli que não voltaria mais à Soufanieh. Então, naquela noite, quando Nossa Senhora disse ao Padre Malouli: Não é isso, meu filho Joseph? O padre Malouli se sentiu responsável de uma forma que o vinculou para sempre a Soufanieh. Eu considero que esta mensagem dirigida ao Padre Malouli foi um ponto de guinada em todo o fenômeno. Porque o Padre Malouli é um padre que vive em Damasco desde 1940. Sem qualquer suspeita. Um homem de uma integridade e justiça como eu, francamente, nunca vi antes. E um homem idoso. Ele não poderia ser acusado de ter uma tal afeição especial por Myrna, como me foi sugerido. Além disso, por temperamento e formação, o padre Malouli sempre foi alérgico ao maravilhoso. Ele é conhecido por ter combatido ferozmente as muitas manifestações “fantásticas” que ocorreram em Damasco desde 1940. Por outro lado, embora o conhecesse antes, percebi depois que, do ponto de vista da formação teológica, o Padre Malouli estava cem côvados à minha frente. Realmente. Finalmente, ele tem um dom de que eu estou privado. Por causa da minha memória muito poderosa, eu não escrevi nada, memorizei tudo ou pensei ter feito. Mas não percebi que se tivesse me contentado em memorizar tudo assim, depois de um tempo eu teria perdido muita coisa sobre Soufanieh. O Padre Malouli, desde o primeiro minuto, teve o cuidado de anotar tudo. Tudo. Até os segundos. Tanto que conseguiu montar um dossiê do qual nos disse um professor de psicanálise, que trabalha na Bélgica, na Alemanha e nos Estados Unidos: “Eu apresentei o dossiê elaborado pelo padre Malouli como sendo o melhor dossiê científico que eu já tive em mãos”. Graças às anotações que ele fazia dia a dia, minuto a minuto, segundo a segundo, algo em que eu nunca teria pensado. Ou talvez eu tivesse pensado nisso depois de alguns meses, mas teria perdido muitas coisas. Portanto, a minha partida foi benéfica para Soufanieh, porque permitiu a presença do Padre Malouli, que é um sacerdote verdadeiramente excepcional. E a Virgem, aqui, lhe perguntando através da mensagem: Não é isso, meu filho Joseph? lhe permitiu compreender algo que não entendíamos naquela altura e que depois nos explicou, revelando-nos a oração que fizera no coração, pouco antes desta mensagem de Maria. Portanto, foi a mensagem de 21 de fevereiro de 1983 que realmente prendeu o padre Malouli a Soufanieh. E sua presença em Soufanieh foi decisiva. Vou dar um exemplo. Em 1984, estive em Boston, nos Estados Unidos, com um amigo de Damasco, Antoine Horanieh, doutor em farmacologia. Passei dois dias com ele. E na primeira noite ele convidou um grupo de amigos de Damasco. Jovens emigrantes, infelizmente, que se estabeleceram nos Estados Unidos. Eles passaram a noite toda, até as duas da manhã, me ouvindo falar sobre Soufanieh. Eles estavam lá para ouvir como crianças. Em um ponto durante a palestra, um deles, que eu não conheci em Damasco mas que fora aluno do Padre Malouli, me perguntou: “Padre, existem outros Padres além de você?” Eu compreendi. Diante de tais fatos, por mais que confiemos em quem os conta, às vezes podemos nos perguntar: “Mas ele não está exagerando? Ele não está derrapando? O que ele está nos dizendo?” Então eu entendi e lhe disse: “Sim, o Padre Malouli”. Ele então teve uma reação espontânea muito clara: “Bem, se é o Padre Malouli, acabou!” Ou seja, não há mais dúvidas. Suportem e perdoem. Novamente o perdão. Vocês suportam muito menos do que suportou o Pai. A palavra Pai, em árabe, “El Ab”, é Deus Pai. Na época, não entendíamos. Só mais tarde, por meio de outras mensagens, entendemos que a Virgem dizia, como em outras aparições, La Salette, Medjugorje: “O braço do Pai começa a pesar muito e eu tenho dificuldades em retê-lo”. Isso foi dito. Ora, em uma das mensagens, em 18 de agosto de 1989, a Santíssima Virgem disse à Myrna: Diz a todos que aumentem suas orações porque eles precisam da oração para apelar ao Pai. E Ela nos fez entender, em 21 de fevereiro de 1983, que o Pai está suportando muito. E tudo o que toleramos não é nada comparado com o que Ele suporta por nossa causa. Isso nos traz diretamente de volta à mensagem de La Salette, à mensagem de Lourdes, à mensagem de Medjugorje e em todos os lugares: o Senhor que nos convida à oração. E, no dia 26 de novembro de 1985, sem explicar o que foi dito pela Virgem, ou o que foi dito em filigranas mas que Ela explicou depois, Jesus disse à Myrna: Vai à terra onde a corrupção se espalhou e esteja na paz de Deus. A generalização da corrupção sugere, portanto, que o bom Deus não está feliz.”
Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.
O homem “mata Deus e se senta só em seu trono desocupado, para dessa vez ter em suas mãos a ordem do ser e converter-se em seu único administrador legítimo”. Estamos diante de uma época que nega “a experiência do segredo e do absoluto”, substituindo-a “por um absoluto novo, criado pelos homens e jamais mágico; um absoluto liberado dos ‘caprichos’ da subjetividade e, portanto, impessoal e inumano”
(Václav Havel)
“Antes de abordar a segunda mensagem, porém, gostaria de acrescentar uma coisa, sobre a segunda frase da primeira mensagem de Nossa Senhora: vocês conhecem todas as coisas e não conhecem nada. Seu conhecimento é um conhecimento imperfeito. Eu gostaria de falar sobre isso. A Virgem reconhece que verdadeiramente o homem sabe algo, Ela aceita que nós sabemos algo. Ela reconhece que o que verdadeiramente honra o homem é o conhecimento que, em última instância, deve conduzi-lo a Deus. Mas, ela também nos diz de forma muito simples: “Seja humilde em seu conhecimento. Mesmo que você saiba, em última análise, você não sabe de nada”. E, sobretudo, em relação à vida futura. O que sabemos sobre isso? Quando alguém vem me dizer, às vezes, pela boca ou nos livros dos teólogos, que o demônio não existe, que os anjos não existem, aos jovens que me dizem: «Tal padre nos disse isso”, eu respondo: “Mas quem esteve no outro mundo para me dizer o que existe lá? Além de Jesus, quem?” Para nós, nossa referência de conhecimento é Jesus.
O Evangelho nos diz, e nós sabemos, que ninguém esteve lá e voltou para nos dizer como é, exceto Jesus. Ele nos diz certas coisas. Não é a nossa cabecinha que vai concluir. Aceitemos que Jesus nos revela uma parte dessa verdade que ignoramos completamente e que um dia conheceremos completamente. Tanto é que a Virgem nos promete, depois de São Paulo, que teremos um conhecimento quase como o de Deus: […] vocês conhecerão todas as coisas como Deus me conhece. É, portanto, uma promessa de elevação do homem a um ponto absolutamente inimaginável. Deus nos promete que seremos muito grandes porque Ele é muito grande e pode nos fazer crescer. Não é porque somos capazes disso. De modo nenhum. Por isso, a Virgem nos convida a buscar a verdade, a saber mais, porém, a ser humildes nessa busca e a reconhecer que a verdade plena reside somente em Deus. E só Ele é capaz de nos dar. Ele nos dará por completo quando estivermos “do outro lado”, se é que posso usar esse termo. Mas, enquanto estamos aqui, Ele nos diz: “Trabalhe. Aumente seu conhecimento. Mas saiba que você sempre estará aquém”. Entendem ? E isso é especialmente verdade para nós orientais, especialmente para nós árabes.
Sofremos com esse passado e ainda estamos sofrendo com essa hipoteca em todos os níveis, que nós acreditamos um certo tempo que somente a ciência nos salvaria. E muitos ainda acreditam nisso. Fora da ciência, nada existe para eles. Então, dizem para si mesmos, vamos acumular ciência, aumentar nosso conhecimento e resolveremos todos os nossos problemas. Mas não resolveremos todos os nossos problemas dessa maneira. Não. Não devemos fazer da ciência um novo deus. Vamos deixá-la em seu lugar. Só Deus é Deus. E é por isso que gosto muito da declaração dos muçulmanos: “La ilaha illallah – Não há Deus senão Deus”. Mas criamos tantos deuses, criamos tantos, que acabamos por considerar o Deus verdadeiro, muitas vezes, infelizmente, como não existindo.
Ou como sendo mais ou menos outro deus, como os deuses da ciência e do conhecimento. Não! É por isso que a Virgem disse, em primeiro lugar: Lembrem-se de Deus. Lembrar-se de Deus não é apenas lembrar em memória que Deus existe. É glorificá-Lo, reconhecê-Lo, se reconhecer humildemente diante dEle, implorar Sua graça, viver em Sua presença.”
Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.
Casa de Soufanieh em DamascoPorta da entrada da casa de SoufaniehCasa de Soufanieh onde a Virgem Maria apareceu, com o banner de Nossa Senhora de Kazan
Continuamos abaixo com as meditações do Padre Elias Zahlaoui em torno das mensagens de Nossa Senhora em Soufanieh. E que Deus nos permita perceber a PROFUNDIDADE dessas mensagens. Elas não se repetem, elas dizem coisas muito simples, porém, profundamente substantivas à condição humana e sua relação com Deus. Ela, a Virgem que é emissária, não pede que lhe construam nenhum templo, ela irá às casas das pessoas. Ela, como Seu Filho, o Cristo Jesus, pede apenas que ajudemos uns aos outros.
Mergulhar na profundidade espiritual de Soufanieh e uma rara oportunidade, um convite que vem de Deus, para um mundo perdido em um torvelinho de mentiras, de falsidades, de superficialidades que sufocam a alma do ser humano.
Soufanieh, este bairro simples e popular de Damasco, mesmo durante a terrível guerra, se tornou um lugar de peregrinação. Uma simples e humilde casa, onde é PROIBIDO SE VENDER OU ACEITAR QUALQUER DINHEIRO OU BENS!
SOUFANIEH: UMA LUZ PARA A IGREJA DE CRISTO!
Diz o Padre Zahlaoui:
“Em seguida Ela [ Nossa Senhora] nos diz: Vou visitar mais as casas. Quem ama vai ao outro. A Encarnação é a visita de Deus ao homem, porque amou o homem. A Virgem, que continua a amar os homens porque é a mãe de Jesus, a mãe de Deus, vai nos visitar. Esta frase permaneceu incompreensí- vel para nós. Como Nossa Senhora iria nos visitar? Mas, a partir do dia em que o óleo escorreu de muitas imagens do ícone de Soufanieh, tanto nas casas cristãs como nas muçulmanas, em Damasco, depois em todos os outros lugares, e as pessoas começaram a rezar diante da imagem que lhes dera este sinal, a partir daquele dia percebemos que, de fato, a Virgem estava começando a visitar-nos, de forma tangível. O Senhor não lança suas palavras assim sem mais.
Então a Virgem considerou que haveria uma grande possibilidade de se querer construir uma grande igreja para Ela, como está acontecendo em quase todos os lugares, porque naquela época, correríamos o risco de nos envolvermos na preocupação em ter dinheiro para construir e esquecer o homem, que é, ele, o Templo de Deus, e que tudo leva ao Senhor. E é por isso que Ela nos disse: Não estou pedindo que me construam uma igreja, mas um lugar de peregrinação. Ela nos esclareceu durante um posterior êxtase que, para este lugar de peregrinação, portanto de oração, teríamos que retirar uma pedra do arco da porta de entrada externa da casa, e colocar em seu lugar um ícone da Virgem, com uma pequena palavra de gratidão e agradecimento a Jesus. Isso é o que foi feito. E colocamos uma janela com uma pequena lamparina, acesa noite e dia. Muitas vezes as pessoas que passam em casa param para orar ou até se ajoelham na calçada. Não era incomum para mim ver pessoas, mesmo jovens, ajoelhadas na calçada, quando passavam à noite e viam a porta fechada. Eles estavam orando de joelhos na calçada. É um lugar de oração, não mais do que isso.
E a Virgem termina dizendo: Doem. Não privem ninguém que procure ajuda. Deus é um presente. Deus é um dom ou Ele não é nada. E para ser realmente um filho de Deus, você tem que dar. Isso, Myrna e Nicolas entenderam desde o primeiro minuto. Eles abriram suas portas. E até agora, eles não recusaram nenhum pedido. Mesmo à noite, quando alguém chega, a qualquer hora, eles abrem a porta. Eles dão o que podem dar. Primeiro suas boas-vindas. Com uma paciência e um sorriso desconcertantes. Em seguida, uma discrição total. Um apagamento total de si, sem nenhuma pretensão, sem nenhuma vaidade. Eles apresentam o ícone às pessoas e se afastam. E se estas não fizerem perguntas, eles as deixam com a Virgem. É Deus quem tem prioridade.”
Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.
Segunda parte das meditações do Padre Zahlaoui: Lembrar-se de Deus, o dinheiro e a fé
Aqui temos um chamado de Nossa Senhora ao amor, à humildade e à renúncia, por parte da igreja, ao dinheiro. Tudo em Soufanieh é gratuidade. Nada, absolutamente nada é cobrado! Meditemos sobre isso, nestes tempos confusos, onde Deus é vendido à cada esquina, onde nós cristãos nos esquecemos dessa gratuidade da graça. A meditação do Padre Zahlaoui, vale para todos nós e não apenas para a igreja do Oriente.
“E imediatamente a Virgem coloca a nota sobre a penitência: Arrependam-se e tenham fé. Diante de Deus, devemos nos arrepender. Tenham fé e lembrem-se de mim em sua alegria. É muito significativo. Normalmente, o homem só se volta para Deus quando está com dor, quando está angustiado. Quando ele está alegre, se preocupa muito pouco com Ele. Mas: Lembrem-se de mim em sua alegria. Se realmente nos lembrarmos de Deus em nossa alegria, essa alegria será muito diferente da alegria que o mundo nos permite experimentar. Ela será mais pura, mais saudável, mais libertadora, mais amorosa. Portanto, a Virgem não quer uma memória simples. Em árabe, se lembrar de Deus é, antes de tudo pensar Nele, louvá–Lo. É reconhecer sua grandeza, seu amor. É, portanto, viver em sua presença. Na verdade é o termo árabe “zikroullah”. Em seguida, a Virgem, depois deste apelo a nos voltarmos para Deus, à nossa humildade enquanto seres que conhecem, depois deste apelo à necessidade de fazer o bem, de se abster de fazer o mal, depois deste apelo à penitência, à fé, à recordação de Deus na nossa alegria, Nossa Senhora nos lembra de algo essencial, especialmente no mundo árabe: Anunciem […]. Anunciem meu filho, Emmanuel. A Igreja, no Oriente Médio, vive há muito tempo sobre posições adquiridas, que aos poucos vai perdendo. Simplesmente vivendo ao nível de seus fiéis. Ela parou de pensar na possibilidade de evangelizar o grupo fora dos cristãos. Já está tendo dificuldade em cristianizar o pequeno número de cristãos que estão no Oriente Médio. Como ela se importaria com o que poderia ser uma missão além? Agora a Virgem nos diz: Anunciem meu filho, Emmanuel! Quem o anuncia é salvo, e quem não o anuncia, a sua fé é vã. Isso nos traz de volta ao que Jesus nos disse há dois mil anos: “Ide!”. Nossa razão de ser como cristãos é levar a mensagem.
Depois, a Virgem nos chama ao amor. E ao amor recíproco e mútuo: Amem-se uns aos outros. Ela não especificou: “os cristãos”. Ela apenas disse: Amem-se uns aos outros. Então imediatamente Ela aborda uma questão que atormenta a Igreja há dois mil anos, o dinheiro. A Virgem diz, desde a primeira mensagem: Não estou pedindo dinheiro […]. Eu peço amor. Quantas vezes o dinheiro é apenas uma saída, uma justificativa para algum tipo de fuga de Deus, pela qual Lhe damos dinheiro e continuamos a levar nossas próprias vidas. A Virgem diz: “Não. Deixe o dinheiro de lado ”. E é aqui que vemos realmente como Nicolas e Myrna, no seu sentido mais simples da gratuidade, um sentido espontâneo desde o início do fenômeno, corresponderam de antemão ao pedido da Virgem. E eles continuam até hoje com absoluta intransigência na recusa a qualquer coisa chamada dinheiro. Eu peço amor. Deus é amor. Ele não precisa de nada além de amor. A Santíssima Virgem é a mãe de Deus, a mãe de Jesus. Ela não precisa de nada além de amor. Ela nos disse isso desde seu primeiro plano, desde sua primeira mensagem.”
Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.