
Hoje, quando o mundo se defronta com o acréscimos de angústias: guerras, doenças, fome, etc., após 35 anos das aparições de Soufanieh na Síria, importante e urgente se torna a reprodução das mensagens dadas à Myrna por Nosso Senhor Jesus Cristo, em 1987, abaixo transcritas. Cabe notar que Soufanieh se caracteriza por mensagens dotadas de uma grande profundidade espiritual e as abaixo, ocorreram quase no final das manifestações daquele fenômeno, em um dia em que se manifestaram estigmas no corpo de Myrna. Reproduzimos abaixo o relatório do Padre Boulos Fadel, que era o responsável por anotar e relatar todos os detalhes do fenômeno, transcritos pelo Padre Elias Zahlaoui em um capítulo importante do livro Soufanieh na Síria e no Mundo, página 723 ( https://sou-fan-ieh.com/wp-content/uploads/2021/06/soufanieh-na-siria-e-no-mundo.pdf ). Uma parte do relatório permaneceu não divulgada até a sua concordância e posterior divulgação pelo Padre Elias Zahlaoui. Os motivos para tal o leitor compreenderá abaixo, mas dizem respeito ao que viria acontecer ao mundo. Algo que foi anunciado na década de 80 do século passado. Nesse capítulo anexo do livro, escrito em 2013, o Padre Elias se dirige ao mundo árabe e à própria Síria, mergulhada na guerra iniciada em 2011. Porém, o que temos é um mensagem cuja dimensão profética ultrapassa em muito os acontecimentos naquele país e naquela região e dizem respeito ao mundo. Embora seja longo, consideramos importante reproduzi-lo na íntegra para que o leitor chegue às suas conclusões.
“Soufanieh tem alguma coisa a dizer ao coração dos acontecimentos atuais do mundo árabe, e particularmente na Síria desde março de 2011?
O assunto que estou abordando agora é tão sério e tão próximo dos eventos candentes que a Síria vem vivenciando desde meados de março de 2011 que devo falar sobre ele sem nenhum desvio, começando com o título e terminando com a última palavra.
Aqui eu deixarei a palavra somente a Ele que é “a Palavra”, como descrito no Evangelho e no Corão ao mesmo tempo, Jesus Cristo, e a Sua Mãe, a Santíssima Virgem Maria.
Pois Eles, Todos Dois, falaram. Eles falaram em árabe. Ora, esta foi a primeira vez que Eles, Todos Dois, falaram em árabe, desde o dia em que Eles viveram na Palestina, há dois mil anos.
E Eles escolheram falar o árabe em Damasco!
Existe o acaso para Deus?
E por que este lugar precisamente, Damasco?
Se cabe a alguém duvidar da palavra de alguém, não importa quão alto ele possa ser, ou melhor, tanto mais porque ele está no alto, ainda assim as palavras de Jesus e Maria têm um peso tal que ultrapassa aquele do universo inteiro.
Ora o que eles disseram era novo… e muito antigo, ou melhor, tão antigo quanto Deus e o homem ao mesmo tempo… foi um apelo atual, mas em árabe, do chamado, premente e livre, feito pelo Evangelho há dois mil anos, para um retorno a Deus, com fé, humildade, arrependimento e amor. E este retorno só pode dar frutos se for acompanhado de um retorno efetivo e firme ao homem, todo homem, na humildade, amor, perdão e paz. Pois, o homem pode viver sem Deus?
Naturalmente, desejo que todos os árabes, ou pelo menos muitos deles, conheçam todas estas palavras de importância capital. Pois vejo neles os traços de um projeto divino, sim, ouso falar de um projeto divino, que diz respeito à Síria em primeiro lugar, que diz respeito ao Oriente Árabe em segundo lugar, e que diz respeito ao mundo inteiro. Aqueles que terão a oportunidade de conhecer estas palavras, em si mesmas, em seu conteúdo e em seu contexto temporal e local, verão claramente a justeza do que ouso declarar aqui, com tanta confiança e simplicidade.
Entretanto, eu também sei que numerosos são os intelectuais árabes, na Síria e em outros lugares, se recusaram a prestar qualquer atenção ao Fato Soufanieh. Ademais, eles opuseram a isso, como um deles me disse, uma recusa categórica, para não mencionar a ironia. Custa-me dizer que tudo isso aconteceu numa época em que muitos intelectuais, cientistas, médicos, teólogos e jornalistas, todos ocidentais, vieram a Damasco por iniciativa própria e submeteram o fenômeno a testes científicos, médicos e psicológicos precisos, objetivos e rigorosos, que os levaram a reconhecer, proclamar e até mesmo testemunhar por escrito, embora suas muitas motivações variassem da puramente científica à curiosidade ao mesmo tempo, e ao testemunho!
Finalmente, devo lembrar a todos, tanto conhecedores quanto “ignorantes”, que o que aconteceu em Soufanieh, em Damasco, aconteceu no final de 1982, ou seja, durante o período dos primeiros distúrbios políticos conhecidos e depois, durante os poucos anos que precederam diretamente o tempo infernal em que estamos vivendo.
Naturalmente, não pretendo lembrar tudo o que Nossa Senhora e Jesus falaram durante 22 anos. Foi extraordinário, e embora conciso, tocou a vida de todos, tanto no Oriente quanto no Ocidente.
Nem pretendo me deter nas palavras mais importantes, pois cada uma delas abre horizontes sobre Deus e o homem, sem limites…
Só preciso, portanto, lembrar algumas dessas palavras para entrever uma ou outra de suas dimensões, no que toca ao nosso presente e no que traça, como eu creio, as marcas de um futuro próximo…
Mas deixem-me, a fim de dissipar todo equívoco, declarar que todas as palavras proferidas por Nossa Senhora e Jesus, foram proclamadas na hora, em público, em sua integralidade.
Houve, no entanto, uma única exceção a isto. É o que me detém agora, para lançar luz sobre o inferno que procura devorar a Síria, hoje e para sempre!
Esta exceção diz respeito a uma mensagem do Senhor, recebida na véspera da quinta-feira da Ascensão, datada de 28/05/1987, na “Casa de Nossa Senhora” em Soufanieh. Esta mensagem pareceu à Myrna de uma gravidade tal que ela julgou necessário esconder parte dela do público, enquanto proclamava a outra parte, que consistia em duas pequenas frases, que não poderiam ser mais curtas nem mais ricas. Aqui estão elas:
“Amem-se uns aos outros e rezem com fé”.
Então Myrna pediu a todos os presentes que deixassem a sala, exceto aos três padres que estavam presentes no momento: Joseph Malouli, Boulos Fadel e Rizkallah Simaan. Foi então que ela se deixou levar pela perturbação provocada pela mensagem. Ela colocou os padres, sozinhos, totalmente a par do que ela tinha visto e ouvido de Jesus em pessoa. Padre Boulos Fadel, como era seu costume, anotou com precisão e fidelidade toda a perturbação e tensão que se notavam em Myrna. Ele então anotou o que ela lhe disse palavra por palavra. Finalmente, o diálogo que ambos tiveram, em árabe falado, na presença dos Padres Malouli e Simaan.
Este relatório escrito pelo Padre Boulos Fadel, considero hoje muito necessário reproduzi-lo integralmente. Nele se lê:
“Êxtase da quinta feira de Ascensão, 28/05/1987”
(Primeira parte do Relatório).
Na quarta-feira à noite, véspera da festa da Ascensão, após a oração que aconteceu na casa da Virgem em Soufanieh, fui convidado a visitar o Sr. Nazih Raad em sua casa. Hesitei em aceitar este convite porque esperava que algo acontecesse naquele dia, apoiando-me nestas duas razões:
1- Neste ano, e em todas as festas do Senhor (ou seja, as festas de Jesus e Maria), o ícone milagroso exala óleo.
2- Em 31/05/1984, festa da Ascensão, Myrna teve um êxtase, durante o qual ela viu Jesus que lhe comunicou uma mensagem (cf. as Mensagens).
Por fim, aceitei o convite. Mas, antes de sair, deixei o número de telefone do Sr. Nazih Raad na casa dos Nazzour e pedi que me ligassem se algo acontecesse.
Por volta das 10h35 da noite, o Sr. Nazih recebeu um telefonema do Sr. Nicolas Nazzour, anunciando a exsudação de óleo do Ícone. Deixamos tudo e fomos para a casa da Virgem em Soufanieh. Qual foi nossa surpresa e alegria, quando vimos o óleo enchendo mais da metade da urna, a exsudação prosseguia gota a gota (separadas umas das outras em cerca de 15 a 20 segundos).
Rizkallah Simaan e Joseph Malouli, e muitos vizinhos, conhecidos e visitantes chegaram. Trocamos felicitações por este presente que Nossa Senhora nos deu em seu dia de festa. Começamos a oração cantando o Acatista, assim como uma antologia de cantos marianos, e depois o hino da festa da Ascensão. Depois rezamos o terço. Por fim, cantamos “Venha entre nós”, a pedido de um dos orantes. Assim que a Sra. Salwa Naassan iniciou esta canção, notei uma certa tensão nas feições de Myrna, como se algo fosse acontecer. Myrna sentou-se na cadeira que se encontrava no pátio, dobrou as mãos e apoiou sua testa nela. De repente, o óleo começou a pingar de seus dedos. Myrna tinha notado o óleo em suas mãos e não queria que ninguém o visse. Ela se levantou para entrar em seu quarto, mas cambaleou e desmaiou. Nós a carregamos e a colocamos em sua cama, enquanto o óleo escorria de seu rosto e de suas mãos.
Aqui estão os detalhes do que aconteceu:
12h35 Óleo do rosto e das mãos. Dor nos olhos. Myrna diz a palavra novamente: “Ó Senhor!”.
12h40 Myrna chora por causa da dor do óleo em seus olhos, com a palavra: “Ó Senhor”.
12h44 Entrada em êxtase (se nota um certo inchaço e vermelhidão no seu rosto).
12h56 Respiração profunda, e início de um movimento lento. Movimento geral do corpo. Junção das duas mãos: direita e esquerda, com a abertura e o fechamento dos olhos (várias vezes).
1h03 O Padre Boulos perguntou-lhe: Você viu alguma coisa? Ela respondeu: sim (com um movimento da cabeça).
Pergunta: Quem?
Resposta: Jesus.
Pergunta: Que roupa Ele está vestindo?
Resposta: Manto branco e levanta a mão.
Pergunta: Ele disse alguma coisa a você?
Resposta: Uma recomendação. Nada mais.
Pergunta: Alguma coisa em particular?
Resposta: Não, para nós. Algo sobre caridade.
Pergunta: O que Ele disse exatamente?
Resposta: » Meus filhos, amem-se uns aos outros e rezem com fé. »
Pergunta: Ele disse mais alguma coisa?
Resposta: Bênção (no sentido de que Ele abençoou).
Pergunta: Para você ou para todos?
Resposta: Não, para vocês.
Pergunta: O que Ele disse após a bênção?
Resposta: Ele disse algo particular, e viu minhas feridas.
Pergunta: O que Ele disse a você?
Resposta: Ele não disse nada.
Pergunta: Você lhe perguntou alguma coisa?
Resposta: Eu não tive tempo.
Pergunta: Então você não rezou por nós?
Resposta: Ele está com vocês, e vocês querem que eu reze por vocês?
Pergunta: Como você viu o Cristo?
Resposta: Ele estava aqui. Eu vi uma luz muito poderosa. Ele estava vestido de branco. Depois de ter falado, Ele abençoou. Vocês estavam com Ele. Ele nos deixou e se foi.
O Padre Boulos Fadel escreveu os detalhes do êxtase em um relatório especial, exceto por esta parte, que permaneceu secreta até a sua declaração:
“Êxtase da quinta feira de Ascensão, 28/05/1987”
(2ª parte do relatório)
“Traços de emoção marcaram o rosto de Myrna após o êxtase, como se ela carregasse algo perturbador em seu coração. Ela pediu que todos os presentes se retirassem, exceto os sacerdotes presentes na ocasião, que eram: Joseph Malouli, Rizkallah Simaan e Boulos Fadel.
Era 1h27 da manhã:
(Escrevi palavra por palavra o que Myrna disse, e em árabe falado).
Myrna me disse com uma voz cansada: E me sinto tão cansada… Ó Padre, um tempo muito difícil nos espera, não só nós, mas todo o mundo.
Perguntei a ela: O que é a prova?
Resposta: Foi ele quem me disse. Devemos rezar muito. É em Seu Nome que seremos salvos.
Pergunta: Este momento difícil diz respeito à Igreja?
Resposta: Não, é mundial… em toda a Síria… É uma guerra, é uma fome…? Vocês só serão salvos em Meu Nome! Isto é sério, eu os vi, e eu vi o Cristo. Estávamos todos ao Seu redor.
Pergunta: Esta dificuldade durará muito tempo?
Resposta: É possível que morramos, sem ter visto nada.
Pergunta: Como você viu o Cristo?
Resposta: Ele estava aqui. Eu vi uma luz muito poderosa. Ele estava vestido de branco. Depois que Ele falou, Ele abençoou. Vocês estavam com Ele. Ele nos deixa e se vai.
Pergunta: Como foi o movimento de suas mãos?
Resposta: Talvez assim, talvez assim (ela tentou traçar a forma do movimento que fez durante o êxtase, que é o movimento de bênção que o padre faz no rito bizantino).
Pergunta: Vimos que você estava mexendo os lábios. Você estava orando?
Resposta: Eu rezei Ó Jesus bem-amado… Pois foi Ele quem me disse uma vez: “Se você estiver sofrendo, diga esta oração.”
________________________________________________________________
Aqui termina o relatório do Padre Boulos Fadel.
É claro que o que Myrna disse em poucas palavras dispensa toda tagarelice, e torna inúteis todas as suposições possíveis, sejam elas quais forem.
Naquele dia, eu estava em Paris. Quando telefonei a Soufanieh para receber notícias, a própria Myrna me disse que algo sério havia acompanhado o êxtase, e que ela havia decidido, por iniciativa própria, falar apenas com os sacerdotes, deixando para me informar, a meu turno, assim que eu voltasse a Damasco.
No relatório de Boulos Fadel, considero indispensável reproduzir também o que escrevi sobre este assunto em um de meus livros, impresso em 1990, sob o título: “Soufanieh 1982-1990”, no qual relatei os fatos, segundo minhas observações pessoais, em seus detalhes e sua sucessão, com toda a fidelidade. É sabido que este livro foi traduzido para o francês um ano depois, por mim mesmo, com a ajuda da Sra. Bibiane Bucaille de la Roque, e que foi editado pelo Sr. François-Xavier de Guibert. Agora aqui está o que eu tinha escrito sobre o êxtase de 28/05/1987:
1. “Na sexta-feira, 29 de maio, após a quinta-feira da Ascensão, telefonei do “Espalion” para Damasco, aos Nazzour, para saber se alguma coisa havia acontecido naquele dia de festa. Myrna responde. O Sr. Antakly está ao meu lado e conversa com ela. Myrna me assegura que ela viu Jesus durante o êxtase que seguiu o fluxo de óleo à noite por volta das 23 horas. Jesus abençoou os presentes e disse à Myrna: “Amai-vos uns aos outros e rezai com fé”. Ela acrescentou: “Ele me confiou coisas, das quais transmiti uma parte aos sacerdotes presentes: Malouli, Fadel e Simaan”.
2. Sábado 6 de junho. De volta a Damasco, a primeira coisa que faço antes de ir à casa da minha família é ir a Soufanieh, rezar com todos os amigos presentes e perguntar à Myrna o que ela confiou aos meus companheiros sacerdotes. Ela o compartilha comigo”.
A verdade exige que eu admita abertamente que o que Myrna me revelou foi o anúncio de eventos sérios na Síria, e talvez no mundo. E foi precisamente isso que fez Myrna decidir, por sua própria iniciativa, escondê-lo do público e revelá-lo apenas aos sacerdotes.
Naturalmente, nós padres não poderíamos negligenciar um tal “aviso” e fingir ignorá-lo. No entanto, a pergunta que necessariamente tinha que ser feita era: o que fazer? O que nos está sendo pedido? Lembro que rezamos muito, e refletimos muito juntos. Mas o sentimento que nos obcecava, face ao que nos seria pedido, era extremamente pesado e infinitamente perturbador.
Mas o que aconteceu, aconteceu. E ele nos seguiu, nós padres, noite e dia. Nós estávamos à procura de uma diretiva qualquer…. Dois meses se tinham passado, enquanto estávamos em oração e espera… Aproximava-se a Festa da Assunção da Santíssima Virgem, que se realiza todos os anos em 15 de agosto. Tivemos a ideia de visitar Myrna e perguntar-lhe algo… Aqui, deixo para o que escrevi em meu livro “Soufanieh”, impresso em 1991, na França, por François-Xavier de Guibert, para nos contar o que aconteceu durante este período, em todos os seus detalhes:
“No dia anterior, 13 de agosto, tive duas ligações telefônicas com a França. A primeira foi com o Dr. Jean-Claude Antakly, para pedir-lhe conselhos a respeito do meu estado de saúde. A segunda, vinda de Christian Ravaz que queria se certificar da minha viagem à França, prometida para meados de setembro.
Assim, a todos os dois eu falo de nossa expectativa para o dia seguinte, 14, véspera da Assunção.
E ambos me pedem para ligar para eles caso algo aconteça.
E telefono-lhes na noite de 14 de agosto, para contar-lhes o que aconteceu e para dar-lhes o conteúdo da Mensagem confiada à Myrna.
Neste contexto, o Sr. Ravaz quer saber mais. Tendo sabido, durante sua estada em Damasco, que uma mensagem bastante séria foi dada à Myrna na noite da Ascensão, e que Myrna achou por bem comunicá-la somente aos sacerdotes presentes, e a mim mesmo quando voltei da França, e tendo nos ouvido discutir diante dele sobre a necessidade de dizer à Myrna para perguntar a Jesus ou à Santíssima Virgem o que fazer: dizer a mensagem ou se calar por enquanto, porque havia o risco de serem muito pesadas as consequências… Portanto, o Sr. Ravaz, sabendo de tudo isso, me perguntou, durante esta comunicação na noite de 14 de agosto, se uma resposta havia sido dada. Disse-lhe que havia, prometendo contar-lhe isso em uma próxima carta. Na verdade, escreverei a ele em 25 de agosto para dizer-lhe que Jesus deu uma resposta a Myrna, mesmo antes de Ele lhe comunicar a mensagem.
Na verdade, dois dias antes da festa da Assunção, os Padres Malouli, Fadel e eu tivemos uma conversa com Myrna, insistindo que ela fizesse esta pergunta sobre a conveniência, ou não, de declarar a mensagem que lhe foi confiada na véspera da Ascensão. Ela prometeu fazer isso, mas nos disse que não saberia como fazê-lo ou se teria tempo… Nós lhe dissemos:
Não importa. Coloque esta ideia em sua cabeça, reze e deixe o Senhor fazê-lo.
No entanto, durante o êxtase de 14 de agosto, “A Luz” disse-lhe em árabe dialetal:
“Isto pelo que você veio, não fale sobre isto agora!”
Esta mesma frase, eu me permiti comunicar ao Sr. Ravaz, pedindo-lhe que a guarde somente para si.
E esta frase será para nós uma oportunidade para uma longa e lenta reflexão sobre a oração, sobre seus efeitos e sobre a misericórdia do Senhor, bem como sobre o futuro que o Senhor reserva à nossa Igreja e ao nosso país.
Por volta das 20 horas, chega o Sr. Antoine Makdisi, avisado por telefone do êxtase, mas retido em casa por visitantes incomuns: o embaixador de França e sua esposa, assim como o poeta árabe Adonis. Quando Makdisi descobre o que aconteceu e lê a mensagem, ele me chama de lado e diz:
“Padre, estou convencido de que devemos publicar seu relatório. E eu farei a introdução”.
Esta declaração de Antoine Makdisi não deixa de me surpreender, pois alguns dias antes ele havia pedido desculpas por não poder escrevê-la, por causa de seu excesso de trabalho, que eu conheço muito bem.
Naquela noite, decidi publicar meu relatório.”
Myrna, portanto, escutou esta frase, dita em árabe falado, como ela nos falou, antes de ditar a mensagem:
“Isto pelo que você veio, não fale sobre isto agora!”
Essa “diretriz” foi muito clara e direta. Eu não posso negar que isso acalmou nosso espírito, a nós padres, assim como acalmou Myrna e seu marido Nicolas. Entretanto, todos nós estávamos, apesar disso, esperando por uma diretriz adicional, que viria até nós no momento oportuno e que nos diria até mesmo como anunciá-la. Os anos se passaram. Entretanto, não recebemos nada sobre este ponto em particular. Finalmente, ocorreu o pesadelo infernal que conhece a Síria.
Um dia, Myrna foi convidada ao canal de TV Télélumière, na noite de 11/02/2013, junto com seu marido Nicolas e Padre Elias Salloum. Durante este programa, ela surpreendeu a todos os seus telespectadores com a alusão, embora rápida, que fez à mensagem de 28/05/1987. Ela se voltou imediatamente para os eventos atuais na Síria, que começaram em meados de março de 2011. Após esta entrevista, ela me confessou, em Harissa (Líbano), onde eu ainda estava na casa dos Padres Paulistas, que se lembrou desta mensagem apenas dois ou três dias antes dessa transmissão, quando o Padre Boulos Fadel a recordou disso.
Esta transmissão foi uma oportunidade para nós, os padres que nos ocupamos de Soufanieh – neste caso os Padres: Adel Theodore Khoury, Boulos Fadel, Elias Salloum e eu mesmo – enquanto estávamos todos em Harissa, de refletir juntos sobre esta questão, a fim de encontrarmos a posição adequada que se impõe a nós nestes tempos difíceis. Participaram também destas reuniões dois amantes de Soufanieh, Farid Boulad e sua esposa, Maya Patsalidès. Nós lemos novamente o que Myrna havia ditado, então, aos padres Malouli, Fadel e Simaan, imediatamente após receber esta mensagem. Também relemos o que eu mesmo havia escrito mais tarde, em 1990, em meu livro “Soufanieh”. Chegamos à conclusão de que era necessário que nos ativéssemos ao que sempre foi nossa prática firme em Soufanieh. Isto significava: 1º) a humilde observação da realidade dos fatos, 2º) o testemunho fiel deles, 3º) o reconhecimento declarado deles e 4º) as declarações que lhes dizem respeito, por palavras e por escrito, em Damasco e no mundo.
Finalmente, há um ponto de importância crucial que me preocupa. Ele toca esta grave mensagem de 28/05/1987. Trata-se da afirmação feita por Myrna, no momento de sua saída do êxtase, enquanto ela ditava ao Padre Boulos Fadel o que tinha visto e ouvido durante o êxtase, sobre a necessidade da oração como condição de salvação. Foi o Senhor quem lhe recomendou, como ela disse em sua língua falada:
“Foi Ele quem me disse: devemos rezar muito, pois só seremos salvos pelo Seu nome”.
Ela também repetiu esta palavra dita por Jesus:
“Vocês só serão salvos pelo Meu Nome!”
É verdade que esta exigência de oração tem acompanhado o evento Soufanieh desde a primeira mensagem. A resposta imediata a este pedido, entretanto, ocorreu desde a primeira gota de óleo que fluiu do Ícone Sagrado até os dias atuais. No entanto, a Santíssima Virgem e o Senhor Jesus sempre tiveram, em tudo o que nos disseram, o desejo de nos lembrar disso. E não esqueçamos de lembrar que a primeira oração que Nossa Senhora nos ensinou foi em de 21 de fevereiro de 1983, quando Ela nos disse em árabe falado:
Tenho um pedido para vocês, umas palavras que gravarão no seu espírito e repetirão sem cessar: “Deus me salva, Jesus me ilumina, o Espírito Santo é a minha vida, por isso nada temo”.
Não esqueçamos também que Jesus quis nos ensinar, em sua primeira mensagem, no Dia da Ascensão, 31/05/1984, a oração: “Bem-Amado Jesus…”, a oração que Myrna disse durante o êxtase de 28/05/1987, literalmente:
“Eu rezei: Ó Jesus, Bem-Amado… Pois foi Ele quem me disse: ‘Quando estiveres em dificuldades, diz esta oração’.”
Aqui, me parece muito importante lembrar que o primeiro êxtase que Myrna teve, após o de 28/05/1987, foi em Maad no Líbano, em 22/07/1987. O Líbano foi então mergulhado no inferno da guerra. Ora, como nós temos necessidade hoje, parece-nos, na Síria, mas também em todo o Oriente Próximo, para não dizer em todo o mundo, de lembrar, palavra por palavra, o que Cristo disse à Myrna, durante o êxtase em Maad, quando o óleo fluía dos pés do Cristo Crucificado, sobre sua cabeça, enquanto ela estava ajoelhada aos pés do altar:
“Não temas, minha filha, em ti Eu educarei Minha geração.
Reza, reza e reza. E se rezares, diz:
‘Ó Pai, pelos méritos das feridas do Teu Filho Bem-Amado, salvai-nos!’”
Quantas semelhanças entre Damasco de hoje e o Líbano de ontem! E que apelo, cujo essencial parece cumprir-se com o convite à oração!
E que promessa de salvação, que nos vem de Deus Pai através das feridas de Seu Filho, o Verbo!
E que promessa, ou melhor, que compromisso em relação à efusão,, de novo da Evangelização do Amor e da Paz!
É verdade que Ele disse a Myrna, aqui e em outros momentos:
“Em ti, Eu educarei Minha geração…”
Mas também é verdade que uma das primeiras mensagens de Nossa Senhora continha uma palavra que nos trouxe de volta à primeira efusão da Primeira Evangelização. Ela disse
“Anunciem Meu Filho, o Emmanuel…”
Mas o que é igualmente verdadeiro é que o próprio Jesus concluiu todas Suas Mensagens e as de Sua Mãe com estas palavras no Sábado Santo, 10/04/2004:
“Daqui jorrou novamente uma luz, da qual vocês são os raios para um mundo seduzido pelo materialismo, pela sensualidade e pela fama, ao ponto de quase perder seus valores…”
Para mim, a verdade que supera todas as verdades, é que a Palavra de Jesus é criação, sim, criação da qual Ele Só é capaz.
Sim, eu tenho a impressão de escutar em Soufanieh, a voz de São Paulo que nos disse em Damasco:
“Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia, com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus.” (Romanos 8, 18-21)
Padre Elias ZAHLAOUI
Em 20/7/2013″.




