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A IGREJA E O DINHEIRO: O BRASIL E O TESTEMUNHO DE SOUFANIEH

Hoje, no Brasil em particular, assistimos à triste vinculação da igreja ao dinheiro. Pastores,  padres e lideranças leigas vendendo a Casa de Deus, se afastando da mensagem do Cristo. São práticas abomináveis do ponto de vista espiritual, onde essas lideranças, além de venderem bençãos, são presenteadas com  bens materiais, alguns caríssimos, pelos fiéis, em busca de salvação e consolo. São lideranças que se projetam na vida pública não para construir algo bom do ponto de vista coletivo, mas para auferirem lucros, fabulosos em alguns casos.

Hoje o pregador Aquias Santarém, da Igreja Adventista do Sétimo Dia fez uma excelente pregação sobre o assunto, o que nos remete à GRATUIDADE DE SOUFANIEH, como vem sendo testemunhada desde a década de 80 e como aqui, abaixo, retomamos para mostrar a atualidade dessa mensagem que, embora tenha surgido no Oriente, é um farol para o mundo atual e para a igreja contemporânea.

Na primeira mensagem de Nossa Senhora em Soufanieh, em um sábado, 18 de dezembro de 1982, ela aponta o problema do dinheiro. E diz:

“Meus filhos, lembrem-se de Deus, pois Deus está conosco. Vocês conhecem todas as coisas e não conhecem nada. Seu conhecimento é um conhecimento imperfeito; mas chegará o dia em que vocês conhecerão todas as coisas, como Deus me conhece. Façam o bem aos que praticam o mal e não façam mal a ninguém. Eu dei a vocês mais óleo do que vocês pediram e vou lhes dar algo muito mais forte do que o óleo.

Arrependam-se e tenham fé, e lembrem-se de mim em sua alegria. Anunciem meu filho, Emmanuel. Quem o anuncia é salvo e quem não o anuncia, a sua fé é vã. Amem-se uns aos outros. Não estou pedindo dinheiro para dar às igrejas para distribuir aos pobres. Eu peço amor. Aqueles que distribuem seu dinheiro aos pobres e às Igrejas sem que neles haja amor, aqueles não são nada. Vou visitar mais as casas, porque quem vai à igreja às vezes não vai rezar. Não estou pedindo que me construam uma igreja, mas um lugar de peregrinação. Doem. Não privem ninguém que procure ajuda.”

E, como comenta o Padre Elias Zahlaoui[i]:

“Então, imediatamente, Ela aborda uma questão que atormenta a Igreja há dois mil anos, o dinheiro. A Virgem diz, desde a primeira mensagem: Não estou pedindo dinheiro […]. Eu peço amor.  Quantas vezes o dinheiro é apenas uma saída, uma justificativa para algum tipo de fuga de Deus, pela qual Lhe damos dinheiro e continuamos a levar nossas próprias vidas. A Virgem diz: “Não. Deixe o dinheiro de lado ”. E é aqui que vemos realmente como Nicolas e Myrna, no seu sentido mais simples da gratuidade, um sentido espontâneo desde o início do fenômeno, corresponderam de antemão ao pedido da Virgem. E eles continuam até hoje com absoluta intransigência na recusa a qualquer coisa chamada dinheiro. Eu peço amor. Deus é amor. Ele não precisa de nada além de amor. A Santíssima Virgem é a mãe de Deus, a mãe de Jesus. Ela não precisa de nada além de amor. Ela nos disse isso desde seu primeiro plano, desde sua primeira mensagem.”

A seguir, temos o testemunho do jornalista Christian Ravaz [ii]sobre a gratuidade de Soufanieh:

“Os jovens esposos Nazzour fizeram o dom de sua vida privada e isto na total gratuidade. Desde os primeiros dias eles afixaram um cartaz à entrada de sua casa: “Os habitantes desta casa recusam todo e qualquer ex-voto e todo e qualquer dom de qualquer natureza que seja”.

Eu fui testemunha dessa gratuidade. Para ilustrar eu lhes conto uma pequena anedota. O Padre Elias Zahlaoui, quando retornei à França, em 25 de julho de 1987, me confiou diversas cartas para expedir de Paris, a fim de reduzir o atraso dos Correios que entre a Síria e o Ocidente é, por vezes, muito longo. Os envelopes não eram fechados e quando da inspeção aduaneira no aeroporto, eram abertos. Qual não foi a minha surpresa ao ver sair dos envelopes pequenos pedaços de algodão fechados em pequenos saquinhos de náilon, junto com notas bancárias e cheques. Dizer-lhes que a autoridade aduaneira meu olhou com olhos interrogadores seria eufemismo. Eu me apressei a ler uma das cartas (o que não tinha feito antes, pois minha mãe me ensinou a ser educado) pois eu não podia afirmar ao fiscal que eu não estava a par do conteúdo dos envelopes, isso teria agravado irremediavelmente a situação! Eu lhe expliquei que os franceses tinham ofertado dinheiro para obter um pequeno pedaço de algodão molhado com o óleo do ícone de Soufanieh e que este dinheiro lhes estava sendo devolvido. As autoridades alfandegárias do mundo todo estão habituadas a escutar histórias. Ora, ao ver a expressão desse funcionário da alfândega ao ouvir minha história, sei que devo ter um lugar particular em suas recordações! Ele abriu um dos sachês, apalpou o algodão e colocou tudo de volta dentro de minha bolsa. Terá ele recebido uma graça especial? O que quer que seja ele me fez sinal para passar sem olhar o restante do conteúdo das bagagens e eu não respondi pelo delito de exportação ilegal de fundos as Síria!”

Na Síria Sua Santidade Patriarca Ignace Zakka I Iwaz [iii]diria:

                            “Do nosso lado, vemos, em terceiro lugar, que o evento de Soufanieh, graças aos seus sinais extraordinários e renovados, e também graças à permanência da oração e à sua gratuidade intransigente, permanece no Oriente como um farol poderoso, destinado pelo autor deste evento, a corrigir a marcha de uma humanidade que, em virtude de seu progresso científico, se encheu de uma arrogância que parece ter perdido sua justa orientação.

E que, além disso, libertando todos os seus apetites, precipita-se para um abismo que ameaça toda a sua existência.

Parece-nos também que esse farol surge para corrigir a marcha de uma Igreja, entregue, em todas as suas denominações, ao sabor de suas divisões, ao ponto de quase perder todo o seu dinamismo espiritual e humano, e, em consequência, a sua credibilidade.”


[i] https://sou-fan-ieh.com/wp-content/uploads/2021/06/lembrai-vos-de-deus.pdf

[ii] https://sou-fan-ieh.com/wp-content/uploads/2021/06/soufanieh.pdf

[iii] https://sou-fan-ieh.com/wp-content/uploads/2021/06/soufanieh-na-siria-e-no-mundo.pdf

Voltar à Cruz do Cristo – Parte II

Segunda parte das meditações do Padre Zahlaoui: Lembrar-se de Deus, o dinheiro e a fé

Aqui temos um chamado de Nossa Senhora ao amor, à humildade e à renúncia, por parte da igreja, ao dinheiro. Tudo em Soufanieh é gratuidade. Nada, absolutamente nada é cobrado! Meditemos sobre isso, nestes tempos confusos, onde Deus é vendido à cada esquina, onde nós cristãos nos esquecemos dessa gratuidade da graça. A meditação do Padre Zahlaoui, vale para todos nós e não apenas para a igreja do Oriente.

“E imediatamente a Virgem coloca a nota sobre a penitência: Arrependam-se e tenham fé. Diante de Deus, devemos nos arrepender. Tenham fé e lembrem-se de mim em sua
alegria. É muito significativo. Normalmente, o homem só se volta para Deus quando está com dor, quando está angustiado. Quando ele está alegre, se preocupa muito pouco com Ele.
Mas: Lembrem-se de mim em sua alegria. Se realmente nos lembrarmos de Deus em nossa alegria, essa alegria será muito diferente da alegria que o mundo nos permite experimentar.
Ela será mais pura, mais saudável, mais libertadora, mais amorosa. Portanto, a Virgem não quer uma memória simples. Em árabe, se lembrar de Deus é, antes de tudo pensar Nele, louvá–Lo. É reconhecer sua grandeza, seu amor. É, portanto, viver em sua presença. Na verdade é o termo árabe “zikroullah”.
Em seguida, a Virgem, depois deste apelo a nos voltarmos para Deus, à nossa humildade enquanto seres que conhecem, depois deste apelo à necessidade de fazer o bem, de se abster de fazer o mal, depois deste apelo à penitência, à fé, à recordação de Deus na nossa alegria, Nossa Senhora nos lembra de algo essencial, especialmente no mundo árabe: Anunciem […]. Anunciem meu filho, Emmanuel. A
Igreja, no Oriente Médio, vive há muito tempo sobre posições adquiridas, que aos poucos vai perdendo. Simplesmente vivendo ao nível de seus fiéis. Ela parou de pensar
na possibilidade de evangelizar o grupo fora dos cristãos.
Já está tendo dificuldade em cristianizar o pequeno número de cristãos que estão no Oriente Médio. Como ela se importaria com o que poderia ser uma missão além? Agora a Virgem nos diz: Anunciem meu filho, Emmanuel! Quem o anuncia é salvo, e quem não o anuncia, a sua fé é vã. Isso nos traz de volta ao que Jesus nos disse há dois mil anos:
“Ide!”. Nossa razão de ser como cristãos é levar a mensagem.

Depois, a Virgem nos chama ao amor. E ao amor recíproco e mútuo: Amem-se uns aos outros. Ela não especificou: “os cristãos”. Ela apenas disse: Amem-se uns aos outros.
Então imediatamente Ela aborda uma questão que atormenta a Igreja há dois mil anos, o dinheiro. A Virgem diz, desde a primeira mensagem: Não estou pedindo dinheiro
[…]. Eu peço amor. Quantas vezes o dinheiro é apenas uma saída, uma justificativa para algum tipo de fuga de Deus, pela qual Lhe damos dinheiro e continuamos a levar nossas próprias vidas. A Virgem diz: “Não. Deixe o dinheiro de lado ”.
E é aqui que vemos realmente como Nicolas e Myrna, no seu sentido mais simples da gratuidade, um sentido espontâneo desde o início do fenômeno, corresponderam de antemão ao pedido da Virgem. E eles continuam até hoje com absoluta intransigência na recusa a qualquer coisa chamada dinheiro.
Eu peço amor. Deus é amor. Ele não precisa de nada além de amor. A Santíssima Virgem é a mãe de Deus, a mãe de Jesus. Ela não precisa de nada além de amor. Ela nos disse isso desde seu primeiro plano, desde sua primeira mensagem.”

Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.

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