Os acontecimentos de Soufanieh ocorreram com maior intensidade entre os anos de 1982 e 1987, portanto, muito antes da Guerra da Síria. Após isso, ocorreram de modo esporádico até 2017. Este livro do Padre Elias Zahlaoui, que acompanha e cataloga todos os fatos e testemunhos envolvendo os fenômenos desde o seu início, foi publicado originalmente em 1991. Após essa data, os fenômenos envolvendo Soufanieh se repetiram em 2001 e 2004, quando as Páscoas ortodoxa e católica coincidiram. Ocorreram novamente em 2014, em plena guerra e, por último, em 2017, quando da coincidência das Páscoas dos ortodoxos, dos católicos e dos judeus.
Mais do que o aspecto formal, ou seja , as datas, o que Jesus e Maria pedem é a união dos corações dos cristãos, única coisa capaz de quebrar o mal e levar a luz e a paz ao mundo.
Mensagem de Cristo, Sábado Santo, 14 de Abril de 1990 Meus filhos, vocês ensinarão às gerações a palavra da unidade, do amor e da fé. Eu estou com vocês. Mas tu, Minha filha, tu não voltarás a ouvir a Minha voz até que a festa (da Páscoa) seja unificada.
Mensagem da Virgem no 8 º aniversário do fenômeno, na noite de 26 de Novembro de 1990 Não temas, Minha filha, se te digo que Me vês pela última vez até que a festa(da Páscoa) seja unificada. Diz aos Meus filhos: Querem ver e relembrar os sofrimentos do Meu Filho em ti, ou não? Se não lhes custa que tu sofras duas vezes, Eu, Eu sou uma Mãe, e ver o Meu Filho sofrer muitas vezes.
Fica em paz, fica em paz Minha filha. Vem para que Ele te dê a paz, a fim de que tu possas anunciá-la aos homens. Quanto ao óleo continuará a manifestar–se nas tuas mãos para glória do Meu Filho Jesus, quando Ele quiser e aonde quer que tu vás. Na realidade, Nós estamos contigo e com todos os que desejarem que a Festa (da Páscoa) seja unificada.
E assim explica o Padre Elias Zahlaoui o principal pedido de Jesus e de Maria:
“Agora, vamos ao pedido de Jesus e de Maria que, ao nível da unidade, se relaciona com os homens. A Virgem e Jesus, no decurso das duas mensagens seguintes, parecem reduzir ao mínimo absoluto a sua exigência de unidade. No Sábado Santo, 14 de abril de 1990, depois de ter dito: Meus filhos, vocês ensinarão às gerações A PALAVRA da unidade, do amor e da fé, Jesus dirá à Myrna: Eu estou com vocês. Mas você, minha filha, não ouvirá minha voz até que a festa (da Páscoa) seja unificada. Por oito anos, Jesus pediu unidade. Agora, parece que Ele está reduzido a apenas reivindicar a unidade da Festa, que é a Páscoa. “Vocês não me deram a unidade, pelo menos me deem a unidade da Festa … Pelo menos. Pois a verdadeira unidade, a unidade profunda, não é sua obra”. Mas a unificação da Festa pode ser, pois, aliás, ela já foi realizada aqui e ali, no Oriente Médio. E logo depois, em 26 de novembro de 1990, Nossa Senhora disse exatamente isto à Myrna: Não tenhas medo, minha filha, se eu te disser que esta é a última vez que tu me verás, até que a festa (da Páscoa) seja unificada. Dir-se-ia que o Senhor pediu, pediu, pediu. Finalmente, Ele viu que não havia resposta. Então Ele disse: “Bom. Pelo menos faça-me a caridade, dê-me a esmola da festa unificada, que é a festa da Páscoa”.
Hoje, quando o mundo se defronta com o acréscimos de angústias: guerras, doenças, fome, etc., após 35 anos das aparições de Soufanieh na Síria, importante e urgente se torna a reprodução das mensagens dadas à Myrna por Nosso Senhor Jesus Cristo, em 1987, abaixo transcritas. Cabe notar que Soufanieh se caracteriza por mensagens dotadas de uma grande profundidade espiritual e as abaixo, ocorreram quase no final das manifestações daquele fenômeno, em um dia em que se manifestaram estigmas no corpo de Myrna. Reproduzimos abaixo o relatório do Padre Boulos Fadel, que era o responsável por anotar e relatar todos os detalhes do fenômeno, transcritos pelo Padre Elias Zahlaoui em um capítulo importante do livro Soufanieh na Síria e no Mundo, página 723 ( https://sou-fan-ieh.com/wp-content/uploads/2021/06/soufanieh-na-siria-e-no-mundo.pdf ). Uma parte do relatório permaneceu não divulgada até a sua concordância e posterior divulgação pelo Padre Elias Zahlaoui. Os motivos para tal o leitor compreenderá abaixo, mas dizem respeito ao que viria acontecer ao mundo. Algo que foi anunciado na década de 80 do século passado. Nesse capítulo anexo do livro, escrito em 2013, o Padre Elias se dirige ao mundo árabe e à própria Síria, mergulhada na guerra iniciada em 2011. Porém, o que temos é um mensagem cuja dimensão profética ultrapassa em muito os acontecimentos naquele país e naquela região e dizem respeito ao mundo. Embora seja longo, consideramos importante reproduzi-lo na íntegra para que o leitor chegue às suas conclusões.
“Soufanieh tem alguma coisa a dizer ao coração dos acontecimentos atuais do mundo árabe, e particularmente na Síria desde março de 2011?
O assunto que estou abordando agora é tão sério e tão próximo dos eventos candentes que a Síria vem vivenciando desde meados de março de 2011 que devo falar sobre ele sem nenhum desvio, começando com o título e terminando com a última palavra.
Aqui eu deixarei a palavra somente a Ele que é “a Palavra”, como descrito no Evangelho e no Corão ao mesmo tempo, Jesus Cristo, e a Sua Mãe, a Santíssima Virgem Maria.
Pois Eles, Todos Dois, falaram. Eles falaram em árabe. Ora, esta foi a primeira vez que Eles, Todos Dois, falaram em árabe, desde o dia em que Eles viveram na Palestina, há dois mil anos.
E Eles escolheram falar o árabe em Damasco!
Existe o acaso para Deus?
E por que este lugar precisamente, Damasco?
Se cabe a alguém duvidar da palavra de alguém, não importa quão alto ele possa ser, ou melhor, tanto mais porque ele está no alto, ainda assim as palavras de Jesus e Maria têm um peso tal que ultrapassa aquele do universo inteiro.
Ora o que eles disseram era novo… e muito antigo, ou melhor, tão antigo quanto Deus e o homem ao mesmo tempo… foi um apelo atual, mas em árabe, do chamado, premente e livre, feito pelo Evangelho há dois mil anos, para um retorno a Deus, com fé, humildade, arrependimento e amor. E este retorno só pode dar frutos se for acompanhado de um retorno efetivo e firme ao homem, todo homem, na humildade, amor, perdão e paz. Pois, o homem pode viver sem Deus?
Naturalmente, desejo que todos os árabes, ou pelo menos muitos deles, conheçam todas estas palavras de importância capital. Pois vejo neles os traços de um projeto divino, sim, ouso falar de um projeto divino, que diz respeito à Síria em primeiro lugar, que diz respeito ao Oriente Árabe em segundo lugar, e que diz respeito ao mundo inteiro. Aqueles que terão a oportunidade de conhecer estas palavras, em si mesmas, em seu conteúdo e em seu contexto temporal e local, verão claramente a justeza do que ouso declarar aqui, com tanta confiança e simplicidade.
Entretanto, eu também sei que numerosos são os intelectuais árabes, na Síria e em outros lugares, se recusaram a prestar qualquer atenção ao Fato Soufanieh. Ademais, eles opuseram a isso, como um deles me disse, uma recusa categórica, para não mencionar a ironia. Custa-me dizer que tudo isso aconteceu numa época em que muitos intelectuais, cientistas, médicos, teólogos e jornalistas, todos ocidentais, vieram a Damasco por iniciativa própria e submeteram o fenômeno a testes científicos, médicos e psicológicos precisos, objetivos e rigorosos, que os levaram a reconhecer, proclamar e até mesmo testemunhar por escrito, embora suas muitas motivações variassem da puramente científica à curiosidade ao mesmo tempo, e ao testemunho!
Finalmente, devo lembrar a todos, tanto conhecedores quanto “ignorantes”, que o que aconteceu em Soufanieh, em Damasco, aconteceu no final de 1982, ou seja, durante o período dos primeiros distúrbios políticos conhecidos e depois, durante os poucos anos que precederam diretamente o tempo infernal em que estamos vivendo.
Naturalmente, não pretendo lembrar tudo o que Nossa Senhora e Jesus falaram durante 22 anos. Foi extraordinário, e embora conciso, tocou a vida de todos, tanto no Oriente quanto no Ocidente.
Nem pretendo me deter nas palavras mais importantes, pois cada uma delas abre horizontes sobre Deus e o homem, sem limites…
Só preciso, portanto, lembrar algumas dessas palavras para entrever uma ou outra de suas dimensões, no que toca ao nosso presente e no que traça, como eu creio, as marcas de um futuro próximo…
Mas deixem-me, a fim de dissipar todo equívoco, declarar que todas as palavras proferidas por Nossa Senhora e Jesus, foram proclamadas na hora, em público, em sua integralidade.
Houve, no entanto, uma única exceção a isto. É o que me detém agora, para lançar luz sobre o inferno que procura devorar a Síria, hoje e para sempre!
Esta exceção diz respeito a uma mensagem do Senhor, recebida na véspera da quinta-feira da Ascensão, datada de 28/05/1987, na “Casa de Nossa Senhora” em Soufanieh. Esta mensagem pareceu à Myrna de uma gravidade tal que ela julgou necessário esconder parte dela do público, enquanto proclamava a outra parte, que consistia em duas pequenas frases, que não poderiam ser mais curtas nem mais ricas. Aqui estão elas:
“Amem-se uns aos outros e rezem com fé”.
Então Myrna pediu a todos os presentes que deixassem a sala, exceto aos três padres que estavam presentes no momento: Joseph Malouli, Boulos Fadel e Rizkallah Simaan. Foi então que ela se deixou levar pela perturbação provocada pela mensagem. Ela colocou os padres, sozinhos, totalmente a par do que ela tinha visto e ouvido de Jesus em pessoa. Padre Boulos Fadel, como era seu costume, anotou com precisão e fidelidade toda a perturbação e tensão que se notavam em Myrna. Ele então anotou o que ela lhe disse palavra por palavra. Finalmente, o diálogo que ambos tiveram, em árabe falado, na presença dos Padres Malouli e Simaan.
Este relatório escrito pelo Padre Boulos Fadel, considero hoje muito necessário reproduzi-lo integralmente. Nele se lê:
“Êxtase da quinta feira de Ascensão, 28/05/1987”
(Primeira parte do Relatório).
Na quarta-feira à noite, véspera da festa da Ascensão, após a oração que aconteceu na casa da Virgem em Soufanieh, fui convidado a visitar o Sr. Nazih Raad em sua casa. Hesitei em aceitar este convite porque esperava que algo acontecesse naquele dia, apoiando-me nestas duas razões:
1- Neste ano, e em todas as festas do Senhor (ou seja, as festas de Jesus e Maria), o ícone milagroso exala óleo.
2- Em 31/05/1984, festa da Ascensão, Myrna teve um êxtase, durante o qual ela viu Jesus que lhe comunicou uma mensagem (cf. as Mensagens).
Por fim, aceitei o convite. Mas, antes de sair, deixei o número de telefone do Sr. Nazih Raad na casa dos Nazzour e pedi que me ligassem se algo acontecesse.
Por volta das 10h35 da noite, o Sr. Nazih recebeu um telefonema do Sr. Nicolas Nazzour, anunciando a exsudação de óleo do Ícone. Deixamos tudo e fomos para a casa da Virgem em Soufanieh. Qual foi nossa surpresa e alegria, quando vimos o óleo enchendo mais da metade da urna, a exsudação prosseguia gota a gota (separadas umas das outras em cerca de 15 a 20 segundos).
Rizkallah Simaan e Joseph Malouli, e muitos vizinhos, conhecidos e visitantes chegaram. Trocamos felicitações por este presente que Nossa Senhora nos deu em seu dia de festa. Começamos a oração cantando o Acatista, assim como uma antologia de cantos marianos, e depois o hino da festa da Ascensão. Depois rezamos o terço. Por fim, cantamos “Venha entre nós”, a pedido de um dos orantes. Assim que a Sra. Salwa Naassan iniciou esta canção, notei uma certa tensão nas feições de Myrna, como se algo fosse acontecer. Myrna sentou-se na cadeira que se encontrava no pátio, dobrou as mãos e apoiou sua testa nela. De repente, o óleo começou a pingar de seus dedos. Myrna tinha notado o óleo em suas mãos e não queria que ninguém o visse. Ela se levantou para entrar em seu quarto, mas cambaleou e desmaiou. Nós a carregamos e a colocamos em sua cama, enquanto o óleo escorria de seu rosto e de suas mãos.
Aqui estão os detalhes do que aconteceu:
12h35 Óleo do rosto e das mãos. Dor nos olhos. Myrna diz a palavra novamente: “Ó Senhor!”.
12h40 Myrna chora por causa da dor do óleo em seus olhos, com a palavra: “Ó Senhor”.
12h44 Entrada em êxtase (se nota um certo inchaço e vermelhidão no seu rosto).
12h56 Respiração profunda, e início de um movimento lento. Movimento geral do corpo. Junção das duas mãos: direita e esquerda, com a abertura e o fechamento dos olhos (várias vezes).
1h03 O Padre Boulos perguntou-lhe: Você viu alguma coisa? Ela respondeu: sim (com um movimento da cabeça).
Pergunta: Quem?
Resposta: Jesus.
Pergunta: Que roupa Ele está vestindo?
Resposta: Manto branco e levanta a mão.
Pergunta: Ele disse alguma coisa a você?
Resposta: Uma recomendação. Nada mais.
Pergunta: Alguma coisa em particular?
Resposta: Não, para nós. Algo sobre caridade.
Pergunta: O que Ele disse exatamente?
Resposta: » Meus filhos, amem-se uns aos outros e rezem com fé. »
Pergunta: Ele disse mais alguma coisa?
Resposta: Bênção (no sentido de que Ele abençoou).
Pergunta: Para você ou para todos?
Resposta: Não, para vocês.
Pergunta: O que Ele disse após a bênção?
Resposta: Ele disse algo particular, e viu minhas feridas.
Pergunta: O que Ele disse a você?
Resposta: Ele não disse nada.
Pergunta: Você lhe perguntou alguma coisa?
Resposta: Eu não tive tempo.
Pergunta: Então você não rezou por nós?
Resposta: Ele está com vocês, e vocês querem que eu reze por vocês?
Pergunta: Como você viu o Cristo?
Resposta: Ele estava aqui. Eu vi uma luz muito poderosa. Ele estava vestido de branco. Depois de ter falado, Ele abençoou. Vocês estavam com Ele. Ele nos deixou e se foi.
O Padre Boulos Fadel escreveu os detalhes do êxtase em um relatório especial, exceto por esta parte, que permaneceu secreta até a sua declaração:
“Êxtase da quinta feira de Ascensão, 28/05/1987”
(2ª parte do relatório)
“Traços de emoção marcaram o rosto de Myrna após o êxtase, como se ela carregasse algo perturbador em seu coração. Ela pediu que todos os presentes se retirassem, exceto os sacerdotes presentes na ocasião, que eram: Joseph Malouli, Rizkallah Simaan e Boulos Fadel.
Era 1h27 da manhã:
(Escrevi palavra por palavra o que Myrna disse, e em árabe falado).
Myrna me disse com uma voz cansada: E me sinto tão cansada… Ó Padre, um tempo muito difícil nos espera, não só nós, mas todo o mundo.
Perguntei a ela: O que é a prova?
Resposta: Foi ele quem me disse. Devemos rezar muito. É em Seu Nome que seremos salvos.
Pergunta: Este momento difícil diz respeito à Igreja?
Resposta: Não, é mundial… em toda a Síria… É uma guerra, é uma fome…? Vocês só serão salvos em Meu Nome! Isto é sério, eu os vi, e eu vi o Cristo. Estávamos todos ao Seu redor.
Pergunta: Esta dificuldade durará muito tempo?
Resposta: É possível que morramos, sem ter visto nada.
Pergunta: Como você viu o Cristo?
Resposta: Ele estava aqui. Eu vi uma luz muito poderosa. Ele estava vestido de branco. Depois que Ele falou, Ele abençoou. Vocês estavam com Ele. Ele nos deixa e se vai.
Pergunta: Como foi o movimento de suas mãos?
Resposta: Talvez assim, talvez assim (ela tentou traçar a forma do movimento que fez durante o êxtase, que é o movimento de bênção que o padre faz no rito bizantino).
Pergunta: Vimos que você estava mexendo os lábios. Você estava orando?
Resposta: Eu rezei Ó Jesus bem-amado… Pois foi Ele quem me disse uma vez: “Se você estiver sofrendo, diga esta oração.”
É claro que o que Myrna disse em poucas palavras dispensa toda tagarelice, e torna inúteis todas as suposições possíveis, sejam elas quais forem.
Naquele dia, eu estava em Paris. Quando telefonei a Soufanieh para receber notícias, a própria Myrna me disse que algo sério havia acompanhado o êxtase, e que ela havia decidido, por iniciativa própria, falar apenas com os sacerdotes, deixando para me informar, a meu turno, assim que eu voltasse a Damasco.
No relatório de Boulos Fadel, considero indispensável reproduzir também o que escrevi sobre este assunto em um de meus livros, impresso em 1990, sob o título: “Soufanieh 1982-1990”, no qual relatei os fatos, segundo minhas observações pessoais, em seus detalhes e sua sucessão, com toda a fidelidade. É sabido que este livro foi traduzido para o francês um ano depois, por mim mesmo, com a ajuda da Sra. Bibiane Bucaille de la Roque, e que foi editado pelo Sr. François-Xavier de Guibert. Agora aqui está o que eu tinha escrito sobre o êxtase de 28/05/1987:
1. “Na sexta-feira, 29 de maio, após a quinta-feira da Ascensão, telefonei do “Espalion” para Damasco, aos Nazzour, para saber se alguma coisa havia acontecido naquele dia de festa. Myrna responde. O Sr. Antakly está ao meu lado e conversa com ela. Myrna me assegura que ela viu Jesus durante o êxtase que seguiu o fluxo de óleo à noite por volta das 23 horas. Jesus abençoou os presentes e disse à Myrna: “Amai-vos uns aos outros e rezai com fé”. Ela acrescentou: “Ele me confiou coisas, das quais transmiti uma parte aos sacerdotes presentes: Malouli, Fadel e Simaan”.
2. Sábado 6 de junho. De volta a Damasco, a primeira coisa que faço antes de ir à casa da minha família é ir a Soufanieh, rezar com todos os amigos presentes e perguntar à Myrna o que ela confiou aos meus companheiros sacerdotes. Ela o compartilha comigo”.
A verdade exige que eu admita abertamente que o que Myrna me revelou foi o anúncio de eventos sérios na Síria, e talvez no mundo. E foi precisamente isso que fez Myrna decidir, por sua própria iniciativa, escondê-lo do público e revelá-lo apenas aos sacerdotes.
Naturalmente, nós padres não poderíamos negligenciar um tal “aviso” e fingir ignorá-lo. No entanto, a pergunta que necessariamente tinha que ser feita era: o que fazer? O que nos está sendo pedido? Lembro que rezamos muito, e refletimos muito juntos. Mas o sentimento que nos obcecava, face ao que nos seria pedido, era extremamente pesado e infinitamente perturbador.
Mas o que aconteceu, aconteceu. E ele nos seguiu, nós padres, noite e dia. Nós estávamos à procura de uma diretiva qualquer…. Dois meses se tinham passado, enquanto estávamos em oração e espera… Aproximava-se a Festa da Assunção da Santíssima Virgem, que se realiza todos os anos em 15 de agosto. Tivemos a ideia de visitar Myrna e perguntar-lhe algo… Aqui, deixo para o que escrevi em meu livro “Soufanieh”, impresso em 1991, na França, por François-Xavier de Guibert, para nos contar o que aconteceu durante este período, em todos os seus detalhes:
“No dia anterior, 13 de agosto, tive duas ligações telefônicas com a França. A primeira foi com o Dr. Jean-Claude Antakly, para pedir-lhe conselhos a respeito do meu estado de saúde. A segunda, vinda de Christian Ravaz que queria se certificar da minha viagem à França, prometida para meados de setembro.
Assim, a todos os dois eu falo de nossa expectativa para o dia seguinte, 14, véspera da Assunção.
E ambos me pedem para ligar para eles caso algo aconteça.
E telefono-lhes na noite de 14 de agosto, para contar-lhes o que aconteceu e para dar-lhes o conteúdo da Mensagem confiada à Myrna.
Neste contexto, o Sr. Ravaz quer saber mais. Tendo sabido, durante sua estada em Damasco, que uma mensagem bastante séria foi dada à Myrna na noite da Ascensão, e que Myrna achou por bem comunicá-la somente aos sacerdotes presentes, e a mim mesmo quando voltei da França, e tendo nos ouvido discutir diante dele sobre a necessidade de dizer à Myrna para perguntar a Jesus ou à Santíssima Virgem o que fazer: dizer a mensagem ou se calar por enquanto, porque havia o risco de serem muito pesadas as consequências… Portanto, o Sr. Ravaz, sabendo de tudo isso, me perguntou, durante esta comunicação na noite de 14 de agosto, se uma resposta havia sido dada. Disse-lhe que havia, prometendo contar-lhe isso em uma próxima carta. Na verdade, escreverei a ele em 25 de agosto para dizer-lhe que Jesus deu uma resposta a Myrna, mesmo antes de Ele lhe comunicar a mensagem.
Na verdade, dois dias antes da festa da Assunção, os Padres Malouli, Fadel e eu tivemos uma conversa com Myrna, insistindo que ela fizesse esta pergunta sobre a conveniência, ou não, de declarar a mensagem que lhe foi confiada na véspera da Ascensão. Ela prometeu fazer isso, mas nos disse que não saberia como fazê-lo ou se teria tempo… Nós lhe dissemos:
Não importa. Coloque esta ideia em sua cabeça, reze e deixe o Senhor fazê-lo.
No entanto, durante o êxtase de 14 de agosto, “A Luz” disse-lhe em árabe dialetal:
“Isto pelo que você veio, não fale sobre isto agora!”
Esta mesma frase, eu me permiti comunicar ao Sr. Ravaz, pedindo-lhe que a guarde somente para si.
E esta frase será para nós uma oportunidade para uma longa e lenta reflexão sobre a oração, sobre seus efeitos e sobre a misericórdia do Senhor, bem como sobre o futuro que o Senhor reserva à nossa Igreja e ao nosso país.
Por volta das 20 horas, chega o Sr. Antoine Makdisi, avisado por telefone do êxtase, mas retido em casa por visitantes incomuns: o embaixador de França e sua esposa, assim como o poeta árabe Adonis. Quando Makdisi descobre o que aconteceu e lê a mensagem, ele me chama de lado e diz:
“Padre, estou convencido de que devemos publicar seu relatório. E eu farei a introdução”.
Esta declaração de Antoine Makdisi não deixa de me surpreender, pois alguns dias antes ele havia pedido desculpas por não poder escrevê-la, por causa de seu excesso de trabalho, que eu conheço muito bem.
Naquela noite, decidi publicar meu relatório.”
Myrna, portanto, escutou esta frase, dita em árabe falado, como ela nos falou, antes de ditar a mensagem:
“Isto pelo que você veio, não fale sobre isto agora!”
Essa “diretriz” foi muito clara e direta. Eu não posso negar que isso acalmou nosso espírito, a nós padres, assim como acalmou Myrna e seu marido Nicolas. Entretanto, todos nós estávamos, apesar disso, esperando por uma diretriz adicional, que viria até nós no momento oportuno e que nos diria até mesmo como anunciá-la. Os anos se passaram. Entretanto, não recebemos nada sobre este ponto em particular. Finalmente, ocorreu o pesadelo infernal que conhece a Síria.
Um dia, Myrna foi convidada ao canal de TV Télélumière, na noite de 11/02/2013, junto com seu marido Nicolas e Padre Elias Salloum. Durante este programa, ela surpreendeu a todos os seus telespectadores com a alusão, embora rápida, que fez à mensagem de 28/05/1987. Ela se voltou imediatamente para os eventos atuais na Síria, que começaram em meados de março de 2011. Após esta entrevista, ela me confessou, em Harissa (Líbano), onde eu ainda estava na casa dos Padres Paulistas, que se lembrou desta mensagem apenas dois ou três dias antes dessa transmissão, quando o Padre Boulos Fadel a recordou disso.
Esta transmissão foi uma oportunidade para nós, os padres que nos ocupamos de Soufanieh – neste caso os Padres: Adel Theodore Khoury, Boulos Fadel, Elias Salloum e eu mesmo – enquanto estávamos todos em Harissa, de refletir juntos sobre esta questão, a fim de encontrarmos a posição adequada que se impõe a nós nestes tempos difíceis. Participaram também destas reuniões dois amantes de Soufanieh, Farid Boulad e sua esposa, Maya Patsalidès. Nós lemos novamente o que Myrna havia ditado, então, aos padres Malouli, Fadel e Simaan, imediatamente após receber esta mensagem. Também relemos o que eu mesmo havia escrito mais tarde, em 1990, em meu livro “Soufanieh”. Chegamos à conclusão de que era necessário que nos ativéssemos ao que sempre foi nossa prática firme em Soufanieh. Isto significava: 1º) a humilde observação da realidade dos fatos, 2º) o testemunho fiel deles, 3º) o reconhecimento declarado deles e 4º) as declarações que lhes dizem respeito, por palavras e por escrito, em Damasco e no mundo.
Finalmente, há um ponto de importância crucial que me preocupa. Ele toca esta grave mensagem de 28/05/1987. Trata-se da afirmação feita por Myrna, no momento de sua saída do êxtase, enquanto ela ditava ao Padre Boulos Fadel o que tinha visto e ouvido durante o êxtase, sobre a necessidade da oração como condição de salvação. Foi o Senhor quem lhe recomendou, como ela disse em sua língua falada:
“Foi Ele quem me disse: devemos rezar muito, pois só seremos salvos pelo Seu nome”.
Ela também repetiu esta palavra dita por Jesus:
“Vocês só serão salvos pelo Meu Nome!”
É verdade que esta exigência de oração tem acompanhado o evento Soufanieh desde a primeira mensagem. A resposta imediata a este pedido, entretanto, ocorreu desde a primeira gota de óleo que fluiu do Ícone Sagrado até os dias atuais. No entanto, a Santíssima Virgem e o Senhor Jesus sempre tiveram, em tudo o que nos disseram, o desejo de nos lembrar disso. E não esqueçamos de lembrar que a primeira oração que Nossa Senhora nos ensinou foi em de 21 de fevereiro de 1983, quando Ela nos disse em árabe falado:
Tenho um pedido para vocês, umas palavras que gravarão no seu espírito e repetirão sem cessar: “Deus me salva, Jesus me ilumina, o Espírito Santo é a minha vida, por isso nada temo”.
Não esqueçamos também que Jesus quis nos ensinar, em sua primeira mensagem, no Dia da Ascensão, 31/05/1984, a oração: “Bem-Amado Jesus…”, a oração que Myrna disse durante o êxtase de 28/05/1987, literalmente:
“Eu rezei: Ó Jesus, Bem-Amado… Pois foi Ele quem me disse: ‘Quando estiveres em dificuldades, diz esta oração’.”
Aqui, me parece muito importante lembrar que o primeiro êxtase que Myrna teve, após o de 28/05/1987, foi em Maad no Líbano, em 22/07/1987. O Líbano foi então mergulhado no inferno da guerra. Ora, como nós temos necessidade hoje, parece-nos, na Síria, mas também em todo o Oriente Próximo, para não dizer em todo o mundo, de lembrar, palavra por palavra, o que Cristo disse à Myrna, durante o êxtase em Maad, quando o óleo fluía dos pés do Cristo Crucificado, sobre sua cabeça, enquanto ela estava ajoelhada aos pés do altar:
“Não temas, minha filha, em ti Eu educarei Minha geração.
Reza, reza e reza. E se rezares, diz:
‘Ó Pai, pelos méritos das feridas do Teu Filho Bem-Amado, salvai-nos!’”
Quantas semelhanças entre Damasco de hoje e o Líbano de ontem! E que apelo, cujo essencial parece cumprir-se com o convite à oração!
E que promessa de salvação, que nos vem de Deus Pai através das feridas de Seu Filho, o Verbo!
E que promessa, ou melhor, que compromisso em relação à efusão,, de novo da Evangelização do Amor e da Paz!
É verdade que Ele disse a Myrna, aqui e em outros momentos:
“Em ti, Eu educarei Minha geração…”
Mas também é verdade que uma das primeiras mensagens de Nossa Senhora continha uma palavra que nos trouxe de volta à primeira efusão da Primeira Evangelização. Ela disse
“Anunciem Meu Filho, o Emmanuel…”
Mas o que é igualmente verdadeiro é que o próprio Jesus concluiu todas Suas Mensagens e as de Sua Mãe com estas palavras no Sábado Santo, 10/04/2004:
“Daqui jorrou novamente uma luz, da qual vocês são os raios para um mundo seduzido pelo materialismo, pela sensualidade e pela fama, ao ponto de quase perder seus valores…”
Para mim, a verdade que supera todas as verdades, é que a Palavra de Jesus é criação, sim, criação da qual Ele Só é capaz.
Sim, eu tenho a impressão de escutar em Soufanieh, a voz de São Paulo que nos disse em Damasco:
“Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia, com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus.” (Romanos 8, 18-21)
Além da Rússia, espera-se que o Papa lembre-se de também consagrar os Estados Unidos, que continuam a espalhar o terror e a destruição pelo mundo. Ninguém fala da Síria, ninguém fala do Iêmen. é certo que agora temos ogivas nucleares em jogo, mas a destruição que avança não tem um só responsável.
“Em 25 de março, o Papa consagrará a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria. O ato se realizará durante a Celebração da Penitência que o Papa Francisco presidirá às 17h na Basílica de São Pedro. O mesmo ato será realizado, no mesmo dia, em Fátima pelo cardeal Krajewski, esmoleiro pontifício, enviado do Papa. VATICAN NEWS
Na sexta-feira, 25 de março, durante a Celebração da Penitência que presidirá às 17h na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco consagrará a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria. O mesmo ato será realizado, no mesmo dia, em Fátima pelo esmoleiro do Papa, cardeal Konrad Krajewski, enviado do Santo Padre.”
A notícia foi dada, numa nota, pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni. O dia da Festa da Anunciação do Senhor foi escolhido para a consagração.
Nossa Senhora, na aparição de 13 de julho de 1917, em Fátima, pediu a consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração, afirmando que, se este pedido não fosse atendido, a Rússia espalharia “seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja”. “Os bons”, acrescentou, “serão martirizados, o Santo Padre sofrerá muito, várias nações serão destruídas”. Depois das aparições de Fátima houve vários atos de consagração ao Imaculado Coração de Maria: Pio XII, em 31 de outubro de 1942, consagrou o mundo inteiro, e em 7 de julho de 1952, consagrou os povos da Rússia ao Imaculado Coração de Maria na Carta Apostólica Sacro vergente anno:
Assim como há alguns anos atrás consagramos o mundo ao Imaculado Coração da Virgem Mãe de Deus, agora, de forma muito especial, consagramos todos os povos da Rússia ao mesmo Imaculado Coração.
Paulo VI, em 21 de novembro de 1964, renovou a consagração da Rússia ao Imaculado Coração na presença dos Padres do Concílio Vaticano II. O Papa João Paulo II compôs uma oração para o que definiu de “Ato de entrega” a ser celebrado na Basílica de Santa Maria Maior em 7 de junho de 1981, Solenidade de Pentecostes. Este é o texto:
Ó Mãe dos homens e dos povos, Tu conheces todos os seus sofrimentos e as suas esperanças, Tu sentes maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas que abalam o mundo, acolhe o nosso clamor no Espírito Santo diretamente ao teu coração e abraça com o amor de Mãe e de Serva do Senhor aqueles que esperam mais este abraço, junto com aqueles que cuja entrega Tu também esperas de modo particular. Tomai sob a tua proteção materna toda a família humana que, com carinho afetuoso, a Ti, ó mãe, nós confiamos. Que se aproxime para todos o tempo da paz e da liberdade, o tempo da verdade, da justiça e da esperança.
Depois, para responder mais plenamente aos pedidos de Nossa Senhora, quis explicitar durante o Ano Santo da Redenção o ato de entrega de 7 de Junho de 1981, repetido em Fátima a 13 de maio de 1982. Em memória do Fiat pronunciado por Maria no momento da Anunciação, em 25 de março de 1984, na Praça São Pedro, em união espiritual com todos os bispos do mundo, previamente “convocados”, João Paulo II confiou todos os povos ao Imaculado Coração de Maria:
E por isso, ó Mãe dos homens e dos povos, Tu que conheces todos os seus sofrimentos e todas as suas esperanças, Tu que sentes maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, que abalam o mundo contemporâneo, acolhe o nosso grito que, movido pelo Espírito Santo, dirigimos diretamente ao teu Coração: abraça com amor de Mãe e Serva do Senhor, este nosso mundo humano, que Te confiamos e consagramos, cheio de inquietude pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos. De modo especial Te confiamos e consagramos aqueles homens e nações que têm necessidade particular desta entrega e consagração.
Em junho do ano 2000, a Santa Sé revelou a terceira parte do segredo de Fátima e o então arcebispo Tarcisio Bertone, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, sublinhou que irmã Lúcia, numa carta de 1989, tinha confirmado pessoalmente que este ato de consagração solene e universal correspondia ao que Nossa Senhora queria: “Sim, foi feito”, escreveu a vidente, “como Nossa Senhora havia pedido, em 25 de março de 1984”.VATICAN NEWS
As mensagens e fenômenos de Soufanieh começaram décadas antes da Guerra da Síria, país que foi totalmente destruído. Elas mantêm, cada vez mais, a atualidade diante do mundo em guerra e sob ameaça em que vivemos. Elas mantêm o tom de aviso, mas também de fé de que não estamos sós. Suas mensagens encerram um apelo para rompermos o peso e as energias espirituais maléficas que pairam sobre o mundo e sobre as nações, peso que nasce da mentira e do egoísmo, da insanidade de líderes ( e de seus seguidores) com poderes de destruição inimaginável de seus próprios povos e dos demais. Essa atualidade provavelmente, tantas décadas depois dos fenômenos de Soufanieh, se encerra na própria noção de tempo. O nosso, um tempo linear, cronológico, que aparentemente tem décadas e, por isso, tende a obscurecer a intervenção e mensagem de Deus. O tempo de Deus, Kairós, um tempo espiritual em que segundos são como anos. Daí que lermos o transmitido há décadas têm importância especial nos tempos de hoje. Sua dimensão profética permanece pois diz respeito a esse tempo espiritual.
Abaixo reproduzimos parte da mensagem dada em 1983, na Síria, à Myrna Nazzour, no Bairro de Soufanieh, em Damasco, muitos anos antes da Guerra da Síria, seguida do comentário do Padre Elias Zahlaoui:
“Unam-se! Eu lhes digo: “Rezem. Rezem. Rezem!” Como são belos meus filhos quando se ajoelham, a implorar. Não tenham medo: eu estou com vocês. Não se dividam como os grandes. Vocês, vocês mesmos, ensinarão às gerações a palavra da Unidade, do Amor e da Fé. Rezem pelos habitantes da terra e do céu.” (Quinta aparição, quarta mensagem, Quinta-feira, 24 de março de 1983).
“Como são belos meus filhos quando se ajoelham, a implorar. […] E que esta frase os convida de vez em quando, a agradar à Maria, a se ajoelhar. E, uma vez que você está de joelhos diante de Deus, muitas coisas desaparecem. Porque, no final, ficamos de joelhos diante de muitos homens. Estamos de joelhos diante de tudo, exceto de Deus. É hora de se ajoelhar diante de Deus e se levantar diante de tudo, contra tudo mesmo, se necessário, mas com Deus. É o único que nos liberta.
E é por isso que Ela diz: Não tenham medo, Eu estou com vocês. Não tenham medo! No entanto, há um motivo. Há um motivo, acreditem-me! O fenômeno Soufanieh surgiu em um momento em que, na própria Síria, a situação deixava a desejar. As emoções de natureza confessional, sobre os quais não sabíamos muito na Síria, e que, de certo modo, desapareceram durante algum tempo, começaram a ressurgir de 1958 a 1960. E desde então só cresceram lentamente. A chegada de Khomeini ao Irã teve muito a ver com esse tipo de aumento do fundamentalismo. E, com a guerra no Líbano chegou ao auge. Mais recentemente, o que foi chamado de crise e guerra do Golfo realmente não ajudou a diminuir essa efervescência confessional. E quando há fundamentalismo de um lado, frequentemente há fundamentalismo do outro. Em última análise, é o jogo do pêndulo e tal jogo não é feito para trazer paz, amizade ou verdadeira assistência mútua entre os homens. Pelo contrário, corre o risco de dividir as pessoas e, mais do que isso, corre o risco de fazer com que aqueles que estavam muito próximos se afastem lentamente uns dos outros. E isso nós o vemos, infelizmente.
Agora, Nossa Senhora nos diz: Não tenham medo, eu estou com vocês. Quando você pensa que, às vezes, algumas pessoas, por fazerem amizade com alguém em posições elevadas, adquirem um sentimento de segurança, de poder, ao passo que essa pessoa de quem elas derivam tal sentimento de segurança pode, um belo dia, estar completamente no chão, por que não pensar que do Senhor e que somente Dele você pode tirar a verdadeira paz? Só com Ele temos a paz, a verdadeira paz, apesar de todos os condicionamentos que podem se E é por isso que Ela diz: Não tenham medo, Eu estou com vocês. Não tenham medo! No entanto, há um motivo. Há um motivo, acreditem-me! O fenômeno Soufanieh surgiu em um momento em que, na própria Síria, a situação deixava a desejar. As emoções de natureza confessional, sobre os quais não sabíamos muito na Síria, e que, de certo modo, desapareceram durante algum tempo, começaram a ressurgir de 1958 a 1960. E desde então só cresceram lentamente. A chegada de Khomeini ao Irã teve muito a ver com esse tipo de aumento do fundamentalismo. E, com a guerra no Líbano chegou ao auge. Mais recentemente, o que foi chamado de crise e guerra do Golfo realmente não ajudou a diminuir essa efervescência confessional. E quando há fundamentalismo de um lado, frequentemente há fundamentalismo do outro. Em última análise, é o jogo do pêndulo e tal jogo não é feito para trazer paz, amizade ou verdadeira assistência mútua entre os homens. Pelo contrário, corre o risco de dividir as pessoas e, mais do que isso, corre o risco de fazer com que aqueles que estavam muito próximos se afastem lentamente uns dos outros.
E isso nós o vemos, infelizmente. Agora, Nossa Senhora nos diz: Não tenham medo, eu estou com vocês. Quando você pensa que, às vezes, algumas pessoas, por fazerem amizade com alguém em posições elevadas, adquirem um sentimento de segurança, de poder, ao passo que essa pessoa de quem elas derivam tal sentimento de segurança pode, um belo dia, estar completamente no chão, por que não pensar que do Senhor e que somente Dele você pode tirar a verdadeira paz? Só com Ele temos a paz, a verdadeira paz, apesar de todos os condicionamentos que podem ser.”
Em 07 de setembro de 1985 Myrna escuta Jesus falar, no momento de um êxtase, acerca de Sua Mãe e do grande mistério cósmico que ela significa para a terra, para toda a criação. O mistério da redenção da humanidade, da qual, ela, Maria, é partícipe e colaboradora de Deus. Daí falarmos em “Mãe de Deus”,Theotókos .
Ao nascer dela Ele “tornou-se verdadeiramente um de nós” (Gaudium et Spes).
Disse Jesus:
“Eu sou o criador. Eu a criei para ela me criasse. Alegrai-vos na alegria do céu, porque a filha do Pai e a mãe de Deus e a noiva do Espírito nasceu. Exulte de alegria a terra, pois a sua salvação foi alcançada.”
Isso me lembra um amigo de Damasco que, em 1988, insistiu fortemente que constituíssemos um grupo de trabalho, a fim de colocar em prática passos concretos que nos conduzissem no caminho da unidade da Igreja. Asseguro-lhe que, francamente, não vi muito o que fazer, exceto orar. E especialmente por meio de minha experiência pessoal. Eu percebi centenas de vezes que existem obstáculos humanos que são quase intransponíveis, senão realmente intransponíveis. Porém, quando este grupo exigiu um esforço de concretização da unificação, daquilo que a Virgem nos pede, acabamos por concordar em tentar nos encontrar e refletir juntos. E é quando uma mensagem chega até nós, no sexto aniversário de Soufanieh, 26 de novembro de 1988. Jesus disse à Myrna, e a nós através de Myrna: “Meus filhos, Tudo o que vocês fazem, é feito por Meu amor? Não digam: que faço? Porque isso é obra Minha. Vocês devem jejuar e orar, porque na oração se encontrarão em face da Minha Realidade (Verdade) e suportarão todos os golpes. Eu lhes asseguro que isso foi uma espécie de revelação para nós. Acreditamos poder descobrir o que há a fazer. E certamente há o que fazer.
Mas, no fundo, além de uma oração que nos coloque frente a frente com o Senhor, frente a frente com nos sas misérias, e que fundamentalmente nos prepare para esta conversão que permitirá nos unirmos ao Senhor e ser uma pedra viva no corpo unificado de Jesus, fora desta oração sustentada por um jejum, nos perguntamos o que podemos fazer de concreto em nossa situação no Oriente Médio … Isso foi uma revelação para todos. E isso nos levou a orar mais e a praticar um jejum que levou mesmo alguns a jejuar como a Virgem pediu em Medjugorje. As coisas se conectam. Jejuar a pão e água, na quarta e na sexta-feira.
Logo, quando a Virgem nos diz: Unam-se! Eu lhes digo: orem, orem e orem!, pelo simples fato de que depois da frase Unam-se, Ela repete três vezes orem, Ela parece nos dizer: “Não procurem nada mais além da oração. Na oração vocês têm Deus, e com Deus vocês farão tudo”. Caso contrário, estamos nos enganando. Caso contrário, procuramos rotas de fuga. Talvez com toda a franqueza, com a melhor das intenções. Mas corremos o risco de nos perder e não fazer o que o Senhor quer.
E é por isso que, depois de ter dito: orem, orem e orem!, a Virgem continua: Como são belos meus filhos quando se ajoelham, a implorar. Ela poderia não ter dito essa frase. Pessoalmente, quantas vezes, ao entardecer, quando chego em casa, exausto, literalmente exausto, tenho apenas um desejo, fazer o sinal da cruz e depois me deitar, dizendo: “Senhor, eu me abandono a Ti.” Mas imediatamente me lembro das palavras da Virgem. E eu digo, “Bom, eu vou me ajoelhar, mesmo que apenas por um segundo, para agradar à Maria, mesmo que apenas por este segundo”. É claro que o segundo dura um pouco, porque penso: “Há tanta tristeza no coração da Virgem, que devemos tentar, mesmo assim, trazer–Lhe uma certa alegria. E se Ela nos disse que estava feliz em nos ver ajoelhados em oração, vamos dar essa alegria a Ela”.
É assim para mim, e estou certo de que milhares de outros que leram as mensagens se lembram desta frase de Maria. E que esta frase os convida de vez em quando, a agradar à Maria, a se ajoelhar. E, uma vez que você está de joelhos diante de Deus, muitas coisas desaparecem. Porque, no final, ficamos de joelhos diante de muitos homens. Estamos de joelhos diante de tudo, exceto de Deus. É hora de se ajoelhar diante de Deus e se levantar diante de tudo, contra tudo mesmo, se necessário, mas com Deus. É o único que nos liberta..
E é por isso que Ela diz: Não tenham medo, Eu estou com vocês. Não tenham medo! No entanto, há um motivo. Há um motivo, acreditem-me! O fenômeno Soufanieh surgiu em um momento em que, na própria Síria, a situação deixava a desejar. As emoções de natureza confessional, sobre os quais não sabíamos muito na Síria, e que, de certo modo, desapareceram durante algum tempo, começaram a ressurgir de 1958 a 1960. E desde então só cresceram lentamente. A chegada de Khomeini ao Irã teve muito a ver com esse tipo de aumento do fundamentalismo. E, com a guerra no Líbano chegou ao auge. Mais recentemente, o que foi chamado de crise e guerra do Golfo realmente não ajudou a diminuir essa efervescência confessional. E quando há fundamentalismo de um lado, frequentemente há fundamentalismo do outro. Em última análise, é o jogo do pêndulo e tal jogo não é feito para trazer paz, amizade ou verdadeira assistência mútua entre os homens. Pelo contrário, corre o risco de dividir as pessoas e, mais do que isso, corre o risco de fazer com que aqueles que estavam muito próximos se afastem lentamente uns dos outros. E isso nós o vemos, infelizmente. Agora, Nossa Senhora nos diz: Não tenham medo, eu estou com vocês.
Quando você pensa que, às vezes, algumas pessoas, por fazerem amizade com alguém em posições elevadas, adquirem um sentimento de segurança, de poder, ao passo que essa pessoa de quem elas derivam tal sentimento de segurança pode, um belo dia, estar completamente no chão, por que não pensar que do Senhor e que somente Dele você pode tirar a verdadeira paz? Só com Ele temos a paz, a verdadeira paz, apesar de todos os condicionamentos que podem ser perigosos, graves, incertos … Só Ele é capaz de dar esta paz.
Nossa Senhora nos disse: Não tenham medo, eu estou com vocês. E descobrimos que, realmente, Ela está conosco. Ela tem estado conosco em Soufanieh. E creio que cada um de nós, quando se volta realmente para si mesmo e revê um pouco de sua vida, inevitavelmente deve dizer : “O Senhor estava comigo sem que eu percebesse”. Jesus também o disse, durante a mensagem que deu à Myrna, em 26 de novembro de 1988: Rezem por aqueles que se esqueceram da promessa que me fizeram, porque eles dirão: Por que não senti a tua presença Senhor, apesar de Tu estares comigo? Temos a tendência de esquecer do Senhor … Mas Ele não se esquece de nós. Isso me lembra as palavras do profeta: “Mesmo que a mãe esqueça o filho que está amamentando, eu não te esqueceria nunca!” (Is 49:15).
Portanto, nos diz a Virgem: Como são belos meus filhos quando se ajoelham, a implorar. Não tenham medo, eu estou com vocês. Não é a primeira vez que Ela nos diz: não tenham medo, eu estou com vocês. Ela é a mãe do Senhor. E nos dará provas tangíveis nos próximos nove anos. Porque, em Soufanieh, só aconteceram alegria, fé, felicidade e amor. Portanto, não tenham medo!
Ela sabia, a Virgem, que se pode ter medo. Medo em um nível humano, é claro. Mas Deus também dá medo. Deus também. Não é bom lidar com Deus. Sabemos algo sobre isso por meio das figuras extraordinárias do Antigo e do Novo Testamentos. Não se pode ver Deus e sobreviver. Com Deus, devemos morrer. Você realmente tem que morrer, para tudo, para si mesmo. Para renascer com Ele. E a morte é assustadora. Portanto, existe um medo real de Deus. E, com Deus, devemos mudar. Entretanto, não gostamos de mudar, nós nos acomodamos. Isso é o que, às vezes, me faz dizer que muitos daqueles que recusam Soufanieh depois de tantos sinais, o recusam porque temem a mudança que Deus exigiria deles no dia em que reconhecerem Sua presença no fenômeno de Soufanieh. Eu digo isso sem intenção de julgar ninguém. Só Deus conhece as consciências. Só Deus as julga. Mas aí, atrevo-me a dizer, porque é um fato: o homem gosta de se acomodar. Ele não quer mudar. E a grande mudança é quando Deus o invade, não lhe deixa mais nada.
E a Virgem termina com três frases. A primeira: Não se dividam como os grandes. Quem é grande diante de Deus? Nossa Senhora usa nossas palavras. Os grandes para nós são aqueles que têm uma certa responsabilidade, às vezes são os ricos, são os poderosos neste mundo. Mas, diante de Deus, somos todos coisas pequenas. Se Ela, a mãe de Deus, se autodenomina serva, que dizer dos homens, sejam eles quem forem, por mais poderosos que sejam, por mais ricos que sejam, por mais eruditos que sejam? Mas Maria usa a nossa linguagem. Portanto, não se dividam como os grandes. Divididos por causa de quê? Por causa de interesses que nada têm a ver com Deus.
Então, de repente, a Virgem nos disse algo que Jesus nunca cessou de repetir: Vocês, vocês mesmos, ensinarão às gerações A PALAVRA da Unidade, do Amor e da Fé. Nossa Senhora não disse “as palavras”, mas “a palavra”. Vocês ensinarão. Quando ouvi e pensei sobre isso, imediatamente me referi à palavra de Jesus: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12)- “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Imagino os apóstolos dizendo uns aos outros: “Nós, a Luz do mundo? Mas, quem somos nós para ser a Luz do mundo?” Quem somos nós? Nós, ensinarmos às gerações? Mal conseguimos aprender alguma coisa. Ensinar às gerações: a missão parece ir muito além de todas as nossas possibilidades. Mas apenas essa palavra nos permite adivinhar que o Senhor está conosco e que é Ele que se encarrega de ensinar as nações por meio de nossa mesquinhez, de nossas misérias e de nossa pouca inteligência.
A PALAVRA: é muito importante notar que em três ocasiões, Maria e Jesus usam esta frase: Vocês, vocês mesmos, ensinarão às gerações a PALAVRA da Unidade, do Amor e da Fé. Para entendermos as coisas nós costumamos dissecar, separar palavras e ideias. Aqui, Maria e Jesus unem tudo. E, se você pensar um pouco sobre isso percebe, se assim posso dizer, que Eles estão absolutamente certos. Podemos encontrar uma unidade que não seja baseada no amor? Só o amor une. E amor é confiança em quem nos ama. Ou seja, fé naquele que nos ama. Quando sei que o Senhor me ama, quando realmente acredito que Ele me ama, nesta certeza do Seu amor permaneço em coesão comigo mesmo. Eu permaneço unido em mim mesmo. É aqui que vejo a perfeita unidade entre essas três palavras, unidade, amor e fé.
E, na Igreja, a unidade só pode ser alcançada no amor. E o amor só pode surgir da certeza de Seu próprio amor por nós. Não o nosso miserável amor por Ele. Nós somos capazes de vendê-lo a qualquer minuto. E de justificar qualquer venda que operemos sobre Deus. De mil e uma maneiras. Mas Seu amor por nós é sólido, a ponto de ser eterno! São Paulo disse: “Deus é fiel.” Fim. Isso não muda. Somos nós que somos mutáveis. Eu, pessoalmente, sabendo que Deus me ama, a partir desta certeza do Seu amor, posso manter, com a Sua graça, a minha coesão comigo mesmo. E o que se aplica ao indivíduo se aplica ao pequeno grupo e pode se aplicar ao grande grupo que é a Igreja. É por isso que o Senhor insiste tanto na PALAVRA da unidade, do amor e da fé.
Então a Virgem, mais uma vez, nos convida a rezar: Rezem pelos habitantes da terra e o céu. […] Os habitantes da terra e do céu. Habitantes da terra, nós entendemos. Mas habitantes do céu? A construção da frase árabe pode significar: “Rezem aos habitantes do céu”, no sentido de “implorem as suas orações”. Mas também podemos compreender no sentido daqueles que estão a caminho, que foram adiante e estão a caminho do céu, lá no que se chama de Purgatório,esta etapa de preparação para a visão divina, etapa de purificação essencial. Compreendo que, nesta perspectiva, Nossa Senhora também nos diga: “Rezem por aqueles que habitam o céu”. Ou seja, orem por aqueles que estão a caminho do céu. Enfim, por todos os nossos falecidos. Para aqueles que vieram antes de vocês e para vocês mesmos quando vocês estiverem lá também. Portanto, a oração da Virgem não pode excluir ninguém. […] Os habitantes da terra e do céu. Não pode excluir ninguém. Finalmente, na oração, o homem se deixa dilatar por Deus às dimensões de Deus mesmo!”
E é por isso que a Virgem disse, na mensagem de 26 de novembro de 1989: Jesus disse a Pedro: Vós sois a pedra e sobre ela edificarei a minha Igreja. E eu digo agora: Vocês são o coração sobre o qual Jesus construirá a sua UNICIDADE. Nossa Senhora quer nos levar além do que é uma instituição externa. Sem negar a instituição. Porém, reivindicando uma única instituição, que expressa a unidade de corações, esta unidade que deve ser a verdadeira Igreja que Jesus quer e que quer presente no meio do mundo, para que, através desta unidade, as pessoas vejam Jesus, venham a Jesus , acreditem em Jesus. Vejam como as coisas se encadeiam.
Jesus a construiu. Esta frase é tão simples, mas ao mesmo tempo tão grande! A Igreja é o reino dos céus na terra. Aquele que a dividiu pecou. E aquele que se regozijou com a sua divisão também pecou.
Isso me lembra de um caso que aconteceu comigo aqui em Paris. Um dia, há quatro anos, o padre Jean Maksud, atual diretor da “Oeuvre d’Orient”, me convidou para conhecer a equipe do “Peuple du Monde”, da qual ele era o diretor, para falar um pouco sobre Soufanieh. Eram, creio eu, treze ou quatorze pessoas. Certamente havia padres entre eles, mas, por suas vestimentas laicas, não os reconheci. E também havia uma ou duas senhoras e uma jovem. Durante três quartos de hora, eu lhes falei um pouco sobre o fenômeno, após uma breve introdução durante a qual lhes disse: “Peço-lhes que ponham de lado todos os seus critérios cartesianos e procurem me ouvir como testemunha de algo que vi e que ouvi, como vejo vocês agora. A seguir vocês estarão livres para acreditar ou para recusar”. Então, eu expliquei um pouco o fenômeno a eles e citei algumas mensagens. Entre outras, esta: A Igreja é o reino dos céus na terra. Quem a dividiu pecou […]. Depois que terminei, um dos padres disse: “Esta mensagem é contrária à teologia do Vaticano II, porque a Igreja não pode ser o reino dos céus na terra. Ela será, no céu, o reino completo de Deus. Mas sobre a terra, ela não pode ser”.
Houve também outras oposições, outras objeções. Entre outras coisas, alguém objetou que a frase de Jesus à Myrna: Eu quero […] que tu te dediques à oração e te despreze, pois aquele que se despreza aumenta em força e em elevação da parte de Deus, era inaceitável, porque Deus não pode pedir que nos desprezemos. Eu respondi: “Mas toda a espiritualidade da Igreja, especialmente a espiritualidade oriental e a espiritualidade dos Padres, nos chamam a um apagamento total nosso diante da grandeza de Deus”. E para quem achava que a mensagem citada era contrária à teologia do Vaticano II, eu lhe disse: “Escute, padre, eu não sou teólogo e não estou aqui para discutir. Mas um dia eu vou lhe dar uma resposta”. E no mesmo dia em que voltei a Damasco, encontrei o Padre Malouli. Eu lhe fiz um relato de minha viagem e, entre outras coisas, citei essa objeção. Ele respondeu: “Mas, encontramos esta frase tal e qual em Santo Agostinho e São Basílio!” Eu lhe pedi: “Dê-me a referência”. Ele me disse: “Você a encontrará no livro do Padre de Lubac, Catolicismo. Não sei mais em qual página. Procure-a!” Ora, eu tinha o livro do padre de Lubac. Naquela mesma noite, folheei página por página e cai efetivamente sobre as passagens de Santo Agostinho e São Basílio onde se diz assim: A Igreja é o reino dos céus sobre a terra. Assim mesmo. Então, fotocopiei a página. Escrevi uma carta ao Padre Maksud dizendo-lhe: “Por favor, dê o texto a quem se opôs a esta frase”. Vejam, são frases que chegam até nós com tanta simplicidade e que foram ditas por Padres tão grandes como Santo Agostinho e São Basílio. E se vem agora nos dizer que não é possível! Mas foi a Virgem quem disse isso …
Apesar de todas as suas misérias, e só Deus sabe se nela tem havido, nós conhecemos alguma coisa da Igreja, mas o Senhor, certamente, a conhece mais. A Igreja portanto, a despeito de todas as suas misérias, que são muito dolorosas, Jesus quis que ela fosse Sua presença na terra. E a presença de Deus na terra é o reino dos céus na terra. E, por meio dessa presença, a Igreja, por mais deficiente que seja, realiza a santificação dos homens. Santificação que vemos em grau extraordinário nesta ou naquela figura de santo.
Portanto, a Igreja é o reino dos céus na terra. Quem a dividiu pecou […]. Quem a dividiu. Muitos são os que a dividiram. E, até hoje, nós todos continuamos a dividi-la.
Algum tempo atrás, um padre francês veio me ver, um padre ortodoxo, convertido à ortodoxia. Passamos duas horas e meia conversando sobre Soufanieh. Foi a primeira vez que o vi. Enquanto lia para ele as mensagens, às vezes, eu via seus lábios se moverem. A certa altura, parei e lhe disse: “Você está orando, Padre?” Ele respondeu: “Sim. Porque essas mensagens significam algo para mim. Essa é a minha vida. E agradeço ao Senhor por nos ter lembrado com palavras tão simples de tão grandes verdades”. E, antes de sair, ele me disse: “Agradeço-te sobretudo, porque através destas mensagens, percebi que também pequei por não orar o suficiente …” então, corrigiu: “… por não orar sobretudo pela unidade da Igreja. De agora em diante, vou orar pela unidade da Igreja”.
Todos nós somos responsáveis por dividir a Igreja. Portanto, quem a dividiu pecou. Não apenas no passado. Quem continua a dividi-la agora. E quem se regozijou com sua divisão pecou. Portanto, imagino que a Virgem, que conhece tão bem os corações dos homens, alcança com esta palavra todos aqueles que encontram na divisão da Igreja, na destruição da Igreja, no aniquilamento da Igreja, sua alegria ou seu lucro. E acredito que Ela alcança aqui uma ampla gama de pessoas, no presente, no passado e no futuro.
Sempre haverá pessoas que se alegrarão, talvez até acreditando que estão agindo bem, com a divisão da Igreja e que talvez trabalhem para aprofundar essa divisão na Igreja. Nossa Senhora aqui lembra a todos que eles são responsáveis. Por fim, Ela nos diz: Vocês são responsáveis pela presença de Deus em seu meio. A Igreja é a presença do Senhor entre vocês. Vocês são responsáveis pela vida de Deus. Imagine a que distância a Virgem nos leva! Eu, como padre que sou, qualquer homem por mais miserável que seja, sou responsável pela vida de Deus sobre a terra! Ela, a Virgem nos faz crescer muito.
E, no entanto, sabemos como somos pequenos e miseráveis. Mas aí eu descubro o quanto o Senhor quer que sejamos grandes, apesar de nossa obstinação em querer permanecer pequenos. Ele nos quer grandes além de toda magnitude. Finalmente, Ele nos fez Seus filhos. Exatamente o que já dizia São João, no prólogo do seu Evangelho. Deus faz dos homens seus filhos. Isso me lembra as palavras do santo russo, Serafim de Sarov, a seu amigo Motovilov que teve a visão de Serafim em estado de irradiação luminosa. São Serafim começou por lhe perguntar qual é o propósito da vida do homem. Motovilov não conseguiu responder. Por fim, São Serafim disse–lhe: “O verdadeiro objetivo da vida cristã é tornar-se receptáculo do Espírito Santo”. Portanto, finalmente, tornar-se filho de Deus, Templo vivo do Espírito, como dizia São Paulo (cf. Rm 8,16; 1 Cor 3,16). Quer queiramos ou não, quer estejamos na lama ou tentando nos tornar santos, através de Deus nós somos grandes, e muito grandes, maiores do que pensamos. E se Soufanieh tem algo a nos dizer é nos relembrar de nossa grandeza essencial. Nos recordar de nossa grandeza essencial.
Então, a Virgem nos diz algo que pode nos deixar confundidos: Unam-se! Mas, Virgem Maria, se eu sou incapaz de me unir comigo mesmo, como você quer que eu me una com os outros? Na mesma casa, nós vemos quantas divisões existem entre marido, mulher e filhos. Na sociedade, é o colapso geral, mesmo no Oriente Médio. Como podemos ficar juntos? Como, Virgem Maria, podemos estar juntos, senão nos refugiando no Senhor? E sabemos que quando o Senhor dá uma ordem, Ele dá os meios para cumprir essa ordem. É a oração de Santo Agostinho ao Senhor: “Dê o que você manda!” É extraordinário como uma frase: “Senhor, dê o que tu ordenas!” O Senhor não nos manda fazer o impossível. É impossível para nós, mas ao nos dar a ordem, o Senhor nos dá a graça de cumprir essa ordem. É esplêndido. Mais uma vez, Ele nos torna maiores.
E na concretude da divisão das Igrejas, na concretude da dilaceração das Igrejas, este convite da Virgem que nos diz: Unam-se! , é também uma missão de grandeza, tanto para nós como para os outros, como é este esforço de unificar a Igreja. Mesmo se momento não se veja lá grandes coisas.”
Excerto de Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.
Quão urgente e atual se faz a mensagem de Soufanieh, dada nos anos 80 à Myrna Nazzour. Abaixo o testemunho e exegese do Padre Elias Zahlaoui acerca da mensagem de 24 de março de 1983 (uma das últimas mensagens da Virgem). Quando fala em igreja, aqui, a Virgem não se refere aos ortodoxos, católicos, protestantes, espíritas, religiões de matriz africana, ou outra divisão. Ela se refere aos CRISTÃOS, melhor ainda, àqueles que creem no Cristo, frequentem ou não, façam parte ou não de qualquer ramo religioso. Em uma hora onde a divisão entre estes se aprofunda em várias partes do mundo, e do Brasil em particular, como são importantes e urgentes as palavras de Maria ditas naquele longínquo ano de 1983. A guerra sequer era uma ameaça para a Síria e a divisão e intolerância entre cristãos, assim como a utilização política disto, que surgiria no Brasil era algo distante e, talvez, impensável. Como isso é importante para cada um de nós, em particular, meditarmos e tentarmos incorporar e divulgar. A igreja é UNA porque Jesus é UM. A igreja dividida é a destruição da visão cristã do mundo e a barbarização completa da humanidade. Passarão a predominar, então, o desamor, o egoísmo, o olho por olho, dente por dente, a crueldade contra tudo e contra todos. Enfim, como disse há 200 anos atrás Dostoievski: “Se Deus morreu, tudo é permitido! Tudo!”
Meus filhos, a minha missão terminou. Naquela noite, o Anjo me disse: “Bem-aventurada és tu entre as mulheres”. E eu só pude lhe dizer “Eis a serva do Senhor”. Eu estou feliz. Eu mesma não mereço lhes dizer: “Os seus pecados estão perdoados.” Mas o meu Deus o disse. Fundem uma igreja. Eu não disse: “Construam uma igreja”. A Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una, porque Jesus é Um. A Igreja é o reinodos céus na terra. Aquele que a dividiu pecou. E aquele que se regozijou com a sua divisão também pecou. Jesus a construiu, ela era pequena, E quando ela cresceu, ficou dividida. Aquele que a dividiu não tem Amor dentro de si. Unam-se! Eu lhes digo: “Rezem. Rezem. Rezem!” Como são belos meus filhos quando se ajoelham, a implorar. Não tenham medo: eu estou com vocês. Não se dividam como os grandes. Vocês, vocês mesmos, ensinarão às gerações a palavra da Unidade, do Amor e da Fé. Rezem pelos habitantes da terra e do céu. (Quinta aparição da Virgem, quarta mensagem. Quinta-feira, 24 de março de 1983).
“Foi a quinta aparição e a quarta mensagem das aparições. Vejam como a Virgem se coloca aqui como uma serva. Sempre o mesmo: meus filhos. Nós temos muito a tendência de esquecer que somos verdadeiramente filhos de Deus e da Virgem. Meus filhos, minha missão acabou. A Virgem está aqui para cumprir uma missão e depois ir embora. Ela permanece a criatura na dependência do Criador. Apesar de toda a grandeza que o Senhor lhe deu, ela conhece seus limites. Mas é extraordinário pensar nisso.
Isso nos assustou um pouco. Dissemos a nós mesmos que o fenômeno Soufanieh poderia ter acabado. Minha missão acabou. Então, talvez fosse como em Lourdes, onde Ela apareceu para Bernadette e depois desapareceu. Então agora… E para nós foi uma verdadeira tristeza, embora tenhamos ficado muito felizes em ouvir tal mensagem. Mas ficamos profundamente tristes ao pensar que este clima, esta nova vida vivida com Deus e com Maria, através de Maria, poderia, talvez, acabar. Mal podíamos acreditar que isso poderia cessar. Apesar do Padre Malouli ter dito que vivíamos num estado de sonho, que não era realidade mas sim um sonho que nós vivíamos, de fato, tínhamos muita dificuldade em pensar que esse sonho pudesse acabar. Mas a Virgem nos lembrou que ela estava em missão e que a missão estava para terminar. Claro, o que termina aos olhos de Deus não termina aos nossos próprios olhos da mesma maneira. Maria cumpriu uma missão, ela cumprirá outras. E isso acabaria em seguida.
Naquela noite, o Anjo me disse: “Bem-aventurada és tu entre as mulheres.” Em alguns textos dos Evangelhos em árabe, esta frase é colocada na boca do anjo. Em outras traduções, foi retirada da boca do Anjo e mantida apenas na boca de Isabel. É por isso que, quando ouvi este texto, corri para a igreja naquela mesma noite para ver, no livro do Evangelho que usamos na missa, se essa frase existia ali na boca do anjo … ou não. Eu tinha dito a mim mesmo que, se realmente nos Evangelhos em uso agora, não encontramos esta frase, alguns aproveitariam sua ausência para dizer: “Veja que isto não é verdade. Não foi o Anjo que disse isso à Santíssima Virgem. Portanto, não é a Santíssima Virgem que está falando”. Vejam como foi necessário navegar por várias águas, para procurar evitar todas as especulações possíveis, todas as acusações possíveis. E eu só pude lhe dizer “Eis a serva do Senhor”. Mas que humildade tem a Virgem! Quanta humildade! Que simplicidade! Ela poderia ter dito mais alguma coisa? Eu só pude … Você vê a construção da frase: só. Ela se sentia tão plena que Sua língua estava presa. Ela não podia mais dizer nada, exceto: Eis a serva do Senhor.
Não gostaria de fazer um longo comentário sobre isso, mas gostaria de me alongar sobre um ponto em particular: como a Igreja atualmente tem interesse de se fazer serva, em deixar de ser poder, em imitar Maria! Que deixe de ser poder! Ela não será realmente uma Igreja, onde quer que esteja, senão no dia em que se tornar uma serva. E uma serva, começando pelos mais pequenos, os mais necessitados, os mais pobres. Enquanto a Igreja quiser flertar com o poder, ela não pode ser uma serva! Haverá servos na Igreja porque ela é o reino. O Senhor quis assim. Mas a instituição como tal corre o risco de se putrefazer, de apodrecer, se a Igreja não for serva.
Então a Virgem nos diz: eu estou feliz. Ficamos felizes em ouvir alguém maior do que nós nos dizer: “Eu estou feliz”. Sempre me lembra aquela palavra atribuída a Napoleão: “Soldados, estou feliz com vocês!” Ele estava dizendo isso ou não? Ainda assim, fomos ensinados, quando estudávamos a história da França, que Napoleão conseguiu, por meio de pequenas palavras como esta, galvanizar seus milhares de soldados: “Soldados, estou feliz com vocês!” E a Virgem disse: Eu estou feliz. Não é a mandachuva, não é a vizinha, não é uma religiosa. É a Virgem que nos diz: Eu estou feliz. Portanto, foi um reconhecimento do nosso modesto esforço em tentar orar, em responder aquilo que o Senhor esperava de nós.
Na verdade, muitas vezes não sabíamos o que fazer. Agora que nos lembramos de certas iniciativas, de certas palavras, dizemos a nós mesmos: “Mas foi Ele quem nos guiou!” Foi o Senhor que nos ajudou dizer tal e tal coisa, quando nós, com nossa estupidez e talvez com nosso amor-próprio ou com nosso orgulho, poderíamos ter dito ou feito exatamente o contrário. Foi Ele quem nos impediu de nos desviarmos, de escorregarmos ou de nos orgulharmos e, em última instância, talvez até de distorcermos toda a mensagem. Mais uma vez, não temos nada a ver com isso. Eu estou feliz!
E então Ela nos diz uma coisa extraordinária: Eu mesma não mereço lhes dizer: “Os seus pecados estão perdoados.”Mas o meu Deus o disse. De fato, duas coisas incríveis. Diante de Deus, o homem que tenha um pouco lucidez sempre se reconhece culpado. Podemos nos esconder, fugir, nos justificar, buscar a justificativa humana, no fundo sabemos que somos culpados. Nós sabemos que somos culpados. E precisamos, diante desse sentimento de culpabilidade, saber que fomos perdoados. E não perdoados por qualquer um. Os homens podem perdoar, eles não conhecem a profundidade de nossa ferida. Eles podem nos dar a ilusão de ter perdoado. Mas, embora iludido, o homem, olhando para o fundo de si mesmo, sempre encontra a ferida do pecado a transbordar. Por isso, ficamos felizes em saber que fomos perdoados, embora não tivéssemos passado pelo sacramento da penitência. Este texto pode parecer uma espécie de fenda aberta no sacramento da penitência. É o Senhor quem perdoa.
Ele quis dentro da Igreja nos perdoar através do canal do sacramento da penitência. Mas se Ele quer também dizer, como no Evangelho, “Teus pecados estão perdoados”, quem pode impedi-Lo? Então, para nós, foi um consolo e uma alegria saber que fomos perdoados, apesar de todas as nossas misérias, de todas as nossas fraquezas e talvez até de todas as nossas estupidezes, cometidas por causa de Soufanieh ou em relação a Soufanieh. E não é Maria quem nos perdoa, é o seu Deus. E Ela, que é a mãe de Deus, sabe que é sempre criatura, que Deus é sempre Deus e que não há Deus, senão Deus. É extraordinário ouvir Maria falar tão simplesmente de verdades tão profundas, tão totais e tão radicais.
E então veio uma frase que pessoalmente me abalou bastante: Fundem uma igreja. Eu não disse: “Construam uma igreja”. Ela nos conhece, não é? Ela nos conhece em todas as nossas misérias, em todas as nossas fraquezas e em todas as nossas tentações. Fundem uma igreja. À primeira vista, reagimos, e podemos sempre reagir, a esta frase, dizendo o seguinte: “Mas quem fundou a Igreja é Jesus”. Ele sozinho é o fundador. Quem somos nós para fundar uma Igreja? E a Igreja, por outro lado, já está fundada. Jesus a fundou há dois mil anos. O que temos agora para fundar uma Igreja? E podemos concluir, como outros já fizeram: “Portanto, não é Maria, não é Jesus que fala, é outro”. E outro é o Diabo. Portanto, deve haver algum deslizamento aqui, alguma clivagem diabólica! Alguns concluíram isso, chegaram a isso.
Mas, olhando mais de perto e dentro da verdade, entendemos o quanto o Senhor vê muito além de nós. Não conseguimos sequer ver a ponta do nosso nariz. Mas Ele vê. E quando Maria disse: Fundem uma Igreja, Ela não negou a Igreja, pois, dois minutos depois, Ela disse: A Igreja é o reino dos céus na terra. E a Igreja, foi Jesus quem a construiu. Mas a Igreja está dividida. E, porque ela está dividida, porque é dividida, ela é incapaz de testemunhar como deve ser testemunhado. Portanto, “Eu estou ordenando que vocês refaçam uma Igreja que seja Uma e que seja a Igreja de Jesus. A Igreja de Jesus existe, mas vocês agora estão tão espalhados, tão dispersos, tão dilacerados, que não constituem uma Igreja”.
E de fato, por mais que finjamos, mesmo aqui no Ocidente, que a Igreja é Una e que é a Igreja de Jesus, bem, sejamos francos e honestos conosco mesmos, antes de o sermos com o Senhor e com Maria, a Igreja não é o que deveria ser. Somente uma Igreja pode dar testemunho de Jesus. E é por isso que Jesus disse na sua oração depois da Última Ceia: “ Para que todos sejam um, e o mundo creia que Tu me enviaste” (Jo 17, 21). Em quem o mundo deve acreditar? As diferentes igrejas católicas? As diferentes igrejas ortodoxas? As diferentes igrejas protestantes? As milhares de seitas que falam em nome de Jesus? Em quem é o mundo deve crer? E quando a Virgem disse: Fundem uma igreja. Eu não disse: “Construam uma igreja”. A Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una, porque Jesus é Um. Ela deixou claro que ela não quer uma igreja. Ela havia dito isso antes: “Não, eu não quero uma igreja. Quero um lugar de oração”. Fundem uma Igreja significa unir-se, buscar unir-se para ser Igreja.
E a Virgem esclareceu: A Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una, porque Jesus é Um. Ele poderia ter adotado outra. Pela palavra adotado, até nos perguntamos: “Foi isto que a Virgem falou?” Ouvimos a fita novamente, porque o padre Malouli, a partir da data de 21 de fevereiro, adquiriu um gravador alimentado por bateria. Ele havia dito a si mesmo: “Se houver outras aparições e outras mensagens, então registraremos tudo”. E, de fato, tudo foi registrado. E ouvimos a gravação novamente. Isso é bom: a Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una. Ele poderia ter adotado outra. É Ele quem é o A e o Z. E a Igreja é Una porque Jesus é Um.
Claro, quando falamos em fundar uma Igreja, trata-se de compreender as palavras. Vislumbrar a fundação de uma Igreja é vislumbrar a revisão de tudo o que atualmente leva o nome de Igreja. Não para questionar as igrejas existentes: elas são o Corpo de Jesus Cristo. Mas, elas não são o que deveriam ser. Elas devem reencontrar a sua unidade para testemunhar a unicidade de Jesus.
E assim, seis anos e meio depois, no domingo, 26 de novembro de 1989, a Virgem disse à Myrna: Meus filhos, Jesus disse a Pedro: Vós sois a pedra e sobre ela edificarei a minha Igreja. E eu digo agora: Vocês são o coração sobre o qual Jesus construirá a sua UNICIDADE. Portanto, a Igreja, em última análise, não é a pedra. Não são as diferentes igrejas que estão próximas umas das outras, uma ao lado da outra, Católica, Ortodoxa, Greco-Católica, Greco-Ortodoxa, Siríaco-Católica, Siríaco-Ortodoxa … Todas estas são células da Igreja que deve ser uma. Mas a verdadeira Igreja são os corações dos crentes. É a unidade de todos os crentes juntos, que devem através de sua unidade de coração constituir a unicidade de Jesus.
Excerto de Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.
“Meus filhos, isto é entre nós: Eu estou de volta. Não insultem os altivos que são desprovidos de humildade. A pessoa humilde anseia pelas observações dos outros para corrigir as suas falhas. Enquanto o orgulhoso corrompido, subestima, se revolta, torna-se hostil. O perdão é a melhor coisa. Aquele que finge ser puro e caridoso diante dos homens, é impuro diante de Deus. Tenho um pedido para vocês, umas palavras que gravarão no seu espírito e repetirão sem cessar: “Deus me salva, Jesus me ilumina, o Espírito Santo é a minha vida, por isso nada temo. Não é isso, meu filho Joseph?
Tolerem e perdoem, vocês têm muito menos a suportar do que suportou Deus Pai.“
As circunstâncias em que foi dada esta mensagem, da Virgem em 21.02.1983, são as seguintes:
O ícone de Nossa Senhora foi trasladado para a igreja por ordem do bispo local. Ocorre que lá chegando o ícone parou de exsudar óleo de oliva. A isso se seguiu que dois padres reconduziram o mesmo ícone de forma desrespeitosa para a casa de Nicolas e Myrna e a partir de então o ícone voltou a exsudar óleo e os inúmeros milagres se sucederam. A seguir o relato do Padre Zahlaoui sobre o ocorrido naquele dia.
“Chego agora à terceira mensagem, que completa a segunda. Esta terceira mensagem foi dada logo depois que a imagem foi trazida para casa dessa forma enigmática. Nicolas entrou em confronto com os dois sacerdotes que a trouxeram. Ele lhes disse: “Mas o que ela fez, a Virgem, para ser trazida de volta para aqui? É indigno”. Houve uma violenta altercação. Então, os dois padres se retiraram. Mas, nesse ínterim, o padre Malouli tinha chegado à casa. Ouvindo vozes altas na sala de estar, ele ficou no pátio. Quando os dois padres partiram, Nicolas lhe contou o que acontecera. Então ele pediu a Nicolas que lhe permitisse orar com Myrna na frente do ícone. Eles recitaram uma dezena do rosário. Em seguida, o Padre Malouli fez esta oração no seu coração, que só mais tarde revelou: “Virgem Maria, nos ilumina para que não cometamos erros que comprometam o teu plano”. Pouco depois, ele vê Myrna saindo. Ele termina sua oração e vai embora. Eles lhe dizem: “Ela está no terraço”. Ele sobe e a vê de joelhos. Em torno dela, a família. E, de repente, ele a ouve dizer algumas palavras, o seu ar é de quem ouve e apenas repete. A mensagem foi transmitida em árabe dialetal e consistia em duas partes distintas. A primeira, nós a dissecamos por pelo menos dois anos. Seu teor era obviamente severo. A mensagem dizia: Meus filhos. Vejam, sempre esta palavra: Meus filhos, isto é entre nós. Como uma mãe que está aqui para conversar com os filhos. Eu estou de volta. Não insultem os altivos que são desprovidos de humildade. A pessoa humilde anseia pelas observações dos outros para corrigir as suas falhas. Enquanto o orgulhoso corrompido, subestima, se revolta, torna-se hostil. O perdão é a melhor coisa.
Por mais que sejamos caridosos, que tentemos ser verdadeiramente caridosos e compreensivos, não poderíamos deixar de ver nessas palavras uma reprovação amarga. Mas também vemos um belo convite da Virgem para não se rebelar, para não atacar, para não acusar, para perdoar. Todo aquele que afirma ser puro e amável diante dos homens é impuro diante de Deus. Esta é a primeira passagem, que conseguimos compreender nesses dois anos. A segunda passagem é toda uma regra de vida, sempre dita em árabe dialetal: Eu lhes peço. Isto é dito em árabe, o que deixa aquele que lê o texto um tanto confuso diante da Virgem. Porque a Virgem parece implorar aos seus filhos algo que Ela gostaria que fizessem: tenho um pedido para vocês. Parece um inferior pedindo ao seu superior. Uma palavra que vocês gravarão na memória, que repetirão sempre: “Deus me salva, Jesus me ilumina, o Espírito Santo é a minha vida, por isso nada temo. Não é isso, meu filho Joseph?” Existem duas coisas extraordinárias aqui. Em primeiro lugar, a forma como a Virgem pede aos seus filhos que coloquem esta ideia em mente: Deus. Não tenham medo dos homens. É Deus quem é a Vida, a Luz. Não tenham medo de ninguém que não seja Ele: Ele é a salvação. E, portanto, não se esqueçam Dele. E a segunda: não é isso, meu filho Joseph? Isso ocorreu na mesma manhã em que fui proibido de continuar indo a Soufanieh. Uma autoridade religiosa superior havia me notificado pessoalmente. Correram boatos de que o governo tinha me usado para “aproveitar a onda de Soufanieh”, ou seja, para distrair as pessoas dos problemas do país! Era preciso muita imaginação para isso! Eu aceitei esta ordem com o coração ao mesmo tempo em paz e ferido. E avisei à Myrna, a Nicolas e ao meu colega padre Joseph Malouli que não voltaria mais à Soufanieh. Então, naquela noite, quando Nossa Senhora disse ao Padre Malouli: Não é isso, meu filho Joseph? O padre Malouli se sentiu responsável de uma forma que o vinculou para sempre a Soufanieh. Eu considero que esta mensagem dirigida ao Padre Malouli foi um ponto de guinada em todo o fenômeno. Porque o Padre Malouli é um padre que vive em Damasco desde 1940. Sem qualquer suspeita. Um homem de uma integridade e justiça como eu, francamente, nunca vi antes. E um homem idoso. Ele não poderia ser acusado de ter uma tal afeição especial por Myrna, como me foi sugerido. Além disso, por temperamento e formação, o padre Malouli sempre foi alérgico ao maravilhoso. Ele é conhecido por ter combatido ferozmente as muitas manifestações “fantásticas” que ocorreram em Damasco desde 1940. Por outro lado, embora o conhecesse antes, percebi depois que, do ponto de vista da formação teológica, o Padre Malouli estava cem côvados à minha frente. Realmente. Finalmente, ele tem um dom de que eu estou privado. Por causa da minha memória muito poderosa, eu não escrevi nada, memorizei tudo ou pensei ter feito. Mas não percebi que se tivesse me contentado em memorizar tudo assim, depois de um tempo eu teria perdido muita coisa sobre Soufanieh. O Padre Malouli, desde o primeiro minuto, teve o cuidado de anotar tudo. Tudo. Até os segundos. Tanto que conseguiu montar um dossiê do qual nos disse um professor de psicanálise, que trabalha na Bélgica, na Alemanha e nos Estados Unidos: “Eu apresentei o dossiê elaborado pelo padre Malouli como sendo o melhor dossiê científico que eu já tive em mãos”. Graças às anotações que ele fazia dia a dia, minuto a minuto, segundo a segundo, algo em que eu nunca teria pensado. Ou talvez eu tivesse pensado nisso depois de alguns meses, mas teria perdido muitas coisas. Portanto, a minha partida foi benéfica para Soufanieh, porque permitiu a presença do Padre Malouli, que é um sacerdote verdadeiramente excepcional. E a Virgem, aqui, lhe perguntando através da mensagem: Não é isso, meu filho Joseph? lhe permitiu compreender algo que não entendíamos naquela altura e que depois nos explicou, revelando-nos a oração que fizera no coração, pouco antes desta mensagem de Maria. Portanto, foi a mensagem de 21 de fevereiro de 1983 que realmente prendeu o padre Malouli a Soufanieh. E sua presença em Soufanieh foi decisiva. Vou dar um exemplo. Em 1984, estive em Boston, nos Estados Unidos, com um amigo de Damasco, Antoine Horanieh, doutor em farmacologia. Passei dois dias com ele. E na primeira noite ele convidou um grupo de amigos de Damasco. Jovens emigrantes, infelizmente, que se estabeleceram nos Estados Unidos. Eles passaram a noite toda, até as duas da manhã, me ouvindo falar sobre Soufanieh. Eles estavam lá para ouvir como crianças. Em um ponto durante a palestra, um deles, que eu não conheci em Damasco mas que fora aluno do Padre Malouli, me perguntou: “Padre, existem outros Padres além de você?” Eu compreendi. Diante de tais fatos, por mais que confiemos em quem os conta, às vezes podemos nos perguntar: “Mas ele não está exagerando? Ele não está derrapando? O que ele está nos dizendo?” Então eu entendi e lhe disse: “Sim, o Padre Malouli”. Ele então teve uma reação espontânea muito clara: “Bem, se é o Padre Malouli, acabou!” Ou seja, não há mais dúvidas. Suportem e perdoem. Novamente o perdão. Vocês suportam muito menos do que suportou o Pai. A palavra Pai, em árabe, “El Ab”, é Deus Pai. Na época, não entendíamos. Só mais tarde, por meio de outras mensagens, entendemos que a Virgem dizia, como em outras aparições, La Salette, Medjugorje: “O braço do Pai começa a pesar muito e eu tenho dificuldades em retê-lo”. Isso foi dito. Ora, em uma das mensagens, em 18 de agosto de 1989, a Santíssima Virgem disse à Myrna: Diz a todos que aumentem suas orações porque eles precisam da oração para apelar ao Pai. E Ela nos fez entender, em 21 de fevereiro de 1983, que o Pai está suportando muito. E tudo o que toleramos não é nada comparado com o que Ele suporta por nossa causa. Isso nos traz diretamente de volta à mensagem de La Salette, à mensagem de Lourdes, à mensagem de Medjugorje e em todos os lugares: o Senhor que nos convida à oração. E, no dia 26 de novembro de 1985, sem explicar o que foi dito pela Virgem, ou o que foi dito em filigranas mas que Ela explicou depois, Jesus disse à Myrna: Vai à terra onde a corrupção se espalhou e esteja na paz de Deus. A generalização da corrupção sugere, portanto, que o bom Deus não está feliz.”
Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.
Casa de Soufanieh em DamascoPorta da entrada da casa de SoufaniehCasa de Soufanieh onde a Virgem Maria apareceu, com o banner de Nossa Senhora de Kazan
Continuamos abaixo com as meditações do Padre Elias Zahlaoui em torno das mensagens de Nossa Senhora em Soufanieh. E que Deus nos permita perceber a PROFUNDIDADE dessas mensagens. Elas não se repetem, elas dizem coisas muito simples, porém, profundamente substantivas à condição humana e sua relação com Deus. Ela, a Virgem que é emissária, não pede que lhe construam nenhum templo, ela irá às casas das pessoas. Ela, como Seu Filho, o Cristo Jesus, pede apenas que ajudemos uns aos outros.
Mergulhar na profundidade espiritual de Soufanieh e uma rara oportunidade, um convite que vem de Deus, para um mundo perdido em um torvelinho de mentiras, de falsidades, de superficialidades que sufocam a alma do ser humano.
Soufanieh, este bairro simples e popular de Damasco, mesmo durante a terrível guerra, se tornou um lugar de peregrinação. Uma simples e humilde casa, onde é PROIBIDO SE VENDER OU ACEITAR QUALQUER DINHEIRO OU BENS!
SOUFANIEH: UMA LUZ PARA A IGREJA DE CRISTO!
Diz o Padre Zahlaoui:
“Em seguida Ela [ Nossa Senhora] nos diz: Vou visitar mais as casas. Quem ama vai ao outro. A Encarnação é a visita de Deus ao homem, porque amou o homem. A Virgem, que continua a amar os homens porque é a mãe de Jesus, a mãe de Deus, vai nos visitar. Esta frase permaneceu incompreensí- vel para nós. Como Nossa Senhora iria nos visitar? Mas, a partir do dia em que o óleo escorreu de muitas imagens do ícone de Soufanieh, tanto nas casas cristãs como nas muçulmanas, em Damasco, depois em todos os outros lugares, e as pessoas começaram a rezar diante da imagem que lhes dera este sinal, a partir daquele dia percebemos que, de fato, a Virgem estava começando a visitar-nos, de forma tangível. O Senhor não lança suas palavras assim sem mais.
Então a Virgem considerou que haveria uma grande possibilidade de se querer construir uma grande igreja para Ela, como está acontecendo em quase todos os lugares, porque naquela época, correríamos o risco de nos envolvermos na preocupação em ter dinheiro para construir e esquecer o homem, que é, ele, o Templo de Deus, e que tudo leva ao Senhor. E é por isso que Ela nos disse: Não estou pedindo que me construam uma igreja, mas um lugar de peregrinação. Ela nos esclareceu durante um posterior êxtase que, para este lugar de peregrinação, portanto de oração, teríamos que retirar uma pedra do arco da porta de entrada externa da casa, e colocar em seu lugar um ícone da Virgem, com uma pequena palavra de gratidão e agradecimento a Jesus. Isso é o que foi feito. E colocamos uma janela com uma pequena lamparina, acesa noite e dia. Muitas vezes as pessoas que passam em casa param para orar ou até se ajoelham na calçada. Não era incomum para mim ver pessoas, mesmo jovens, ajoelhadas na calçada, quando passavam à noite e viam a porta fechada. Eles estavam orando de joelhos na calçada. É um lugar de oração, não mais do que isso.
E a Virgem termina dizendo: Doem. Não privem ninguém que procure ajuda. Deus é um presente. Deus é um dom ou Ele não é nada. E para ser realmente um filho de Deus, você tem que dar. Isso, Myrna e Nicolas entenderam desde o primeiro minuto. Eles abriram suas portas. E até agora, eles não recusaram nenhum pedido. Mesmo à noite, quando alguém chega, a qualquer hora, eles abrem a porta. Eles dão o que podem dar. Primeiro suas boas-vindas. Com uma paciência e um sorriso desconcertantes. Em seguida, uma discrição total. Um apagamento total de si, sem nenhuma pretensão, sem nenhuma vaidade. Eles apresentam o ícone às pessoas e se afastam. E se estas não fizerem perguntas, eles as deixam com a Virgem. É Deus quem tem prioridade.”
Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.