A CRUZ COMO SUPERAÇÃO DE TODAS DUALIDADES E SEPARAÇÕES

Abaixo meditação do Padre Richard Rohr (Center for Action and Contemplation) sobre a única saída para os extremos políticos, ideológicos, de qualquer natureza, que é CRUZ de Cristo, a LOUCURA DA CRUZ como aponta São Paulo que nos diz: “Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito. (I Coríntios 12, 13)”:

“Uma das dialéticas que Paulo apresenta é o conflito perene que hoje chamamos de conservador e liberal. Em seus escritos, o próprio povo de Paulo, os judeus, tornou-se o substituto de conservadores piedosos e cumpridores da lei; os gregos forneceram sua metáfora para intelectuais, críticos culturais e pessoas que chamaríamos de liberais. Paulo vê os judeus tentando criar ordem no mundo pela obediência à lei, tradição e laços de parentesco. Os gregos tentam criar ordem pela razão, compreensão, lógica e educação.

Paulo insiste que nenhum deles pode ao final ter sucesso porque não têm a capacidade de “incorporar o negativo”, que sempre estará presente. Ele reconhece que o maior inimigo da bondade e da alegria cotidianas comuns não é a imperfeição, mas a exigência de alguma suposta perfeição ou ordem. Parece haver um lado sombrio em quase tudo; todas as coisas estão sujeitas às “potências e principados” (Efésios 6:12). Somente a mente unitiva ou não-dual pode aceitar isso e não entrar em pânico, mas, de fato, crescer por causa disso e crescer além disso.

Nem o padrão liberal nem o padrão conservador podem lidar com desordem e miséria. Paulo acredita que Jesus revelou a única resposta que funciona. A revelação da cruz, diz ele, nos torna indestrutíveis, porque diz que há um caminho através de todo absurdo e tragédia. Essa maneira é precisamente aceitando e até usando o absurdo e a tragédia como parte da agenda insondável de Deus. Se pudermos internalizar o mistério da cruz, não cairemos em cinismo, fracasso, amargura ou ceticismo. A cruz nos dá um caminho preciso e profundo através do lado sombrio da vida e através de todas as decepções.

Paulo permite que tanto os conservadores quanto os liberais definam a sabedoria à sua própria maneira, mas ele se atreve a chamá-los tanto de inadequados quanto de errados. Ele acredita que tais visões de mundo acabarão por falhar com as pessoas. “Deus mostrou a sabedoria humana como loucura” na cruz (1 Coríntios 1:21), e isso é “um obstáculo que os judeus não podem superar”, e que os gentios ou pagãos pensam que é simples “loucura” (1: 23).

Para Paulo, as senhas para o pensamento não-dual, ou a verdadeira sabedoria, são “loucura” e “insensatez”. Ele diz, com efeito: “Meu pensamento é loucura para você, não é?” É certo que não faz sentido a menos que tenhamos confrontado o mistério da cruz. O sofrimento, a “loucura da cruz”, destrói a mente dualista. Por quê? Porque na cruz, Deus assumiu a pior coisa, a morte do Deus-humano, e a transformou na melhor coisa, a própria redenção do mundo. A compreensão compassiva do absurdo ou da tragédia, como Jesus faz na cruz, é a resolução final e triunfante de todos os dualismos e dicotomias que enfrentamos em nossas próprias vidas. Somos assim “salvos pela cruz”! Isso agora faz sentido?” https://cac.org/daily-meditations/


 

Deixe um comentário