
Isso me lembra um amigo de Damasco que, em 1988, insistiu fortemente que constituíssemos um grupo de trabalho, a fim de colocar em prática passos concretos que nos conduzissem no caminho da unidade da Igreja. Asseguro-lhe
que, francamente, não vi muito o que fazer, exceto orar. E especialmente por meio de minha experiência pessoal. Eu percebi centenas de vezes que existem obstáculos humanos que são quase intransponíveis, senão realmente intransponíveis.
Porém, quando este grupo exigiu um esforço de concretização da unificação, daquilo que a Virgem nos pede, acabamos por concordar em tentar nos encontrar e refletir juntos. E é quando uma mensagem chega até nós, no sexto aniversário
de Soufanieh, 26 de novembro de 1988. Jesus disse à Myrna, e a nós através de Myrna: “Meus filhos, Tudo o que vocês fazem, é feito por Meu amor? Não digam: que faço? Porque isso é obra Minha. Vocês devem jejuar e orar, porque na oração se encontrarão em face da Minha Realidade (Verdade) e suportarão todos os golpes. Eu lhes asseguro que isso foi uma espécie de revelação para nós. Acreditamos poder descobrir o que há a fazer. E certamente há o que fazer.
Mas, no fundo, além de uma oração que nos coloque frente a frente com o Senhor, frente a frente com nos sas misérias, e que fundamentalmente nos prepare para
esta conversão que permitirá nos unirmos ao Senhor e ser uma pedra viva no corpo unificado de Jesus, fora desta oração sustentada por um jejum, nos perguntamos o que podemos fazer de concreto em nossa situação no Oriente Médio … Isso foi uma revelação para todos. E isso nos levou a orar mais e a praticar um jejum que levou mesmo alguns a jejuar como a Virgem pediu em Medjugorje. As coisas se
conectam. Jejuar a pão e água, na quarta e na sexta-feira.
Logo, quando a Virgem nos diz: Unam-se! Eu lhes digo: orem, orem e orem!, pelo simples fato de que depois da frase Unam-se, Ela repete três vezes orem, Ela parece nos dizer: “Não procurem nada mais além da oração. Na oração vocês
têm Deus, e com Deus vocês farão tudo”. Caso contrário, estamos nos enganando. Caso contrário, procuramos rotas de fuga. Talvez com toda a franqueza, com a melhor das intenções. Mas corremos o risco de nos perder e não fazer o que o Senhor quer.
E é por isso que, depois de ter dito: orem, orem e orem!, a Virgem continua: Como são belos meus filhos quando se ajoelham, a implorar. Ela poderia não ter dito essa frase. Pessoalmente, quantas vezes, ao entardecer, quando chego em casa, exausto, literalmente exausto, tenho apenas um desejo, fazer o sinal da cruz e depois me deitar, dizendo: “Senhor, eu me abandono a Ti.” Mas imediatamente me lembro das palavras da Virgem. E eu digo, “Bom, eu vou me ajoelhar, mesmo que apenas por um segundo, para agradar à Maria, mesmo que apenas por este segundo”. É claro que o segundo dura um pouco, porque penso: “Há tanta tristeza no coração da Virgem, que devemos tentar, mesmo assim, trazer–Lhe uma certa alegria. E se Ela nos disse que estava feliz em nos ver ajoelhados em oração, vamos dar essa alegria a Ela”.
É assim para mim, e estou certo de que milhares de outros que leram as mensagens se lembram desta frase de Maria. E que esta frase os convida de vez em quando, a agradar à Maria, a se ajoelhar. E, uma vez que você está de joelhos diante de Deus, muitas coisas desaparecem. Porque, no final, ficamos de joelhos diante de muitos homens. Estamos de joelhos diante de tudo, exceto de Deus. É hora de se ajoelhar
diante de Deus e se levantar diante de tudo, contra tudo mesmo, se necessário, mas com Deus. É o único que nos liberta..
E é por isso que Ela diz: Não tenham medo, Eu estou com vocês. Não tenham medo! No entanto, há um motivo. Há um motivo, acreditem-me! O fenômeno Soufanieh surgiu
em um momento em que, na própria Síria, a situação deixava a desejar. As emoções de natureza confessional, sobre os quais não sabíamos muito na Síria, e que, de certo modo, desapareceram durante algum tempo, começaram a ressurgir de 1958 a 1960. E desde então só cresceram lentamente. A chegada de Khomeini ao Irã teve muito a ver com esse tipo de aumento do fundamentalismo. E, com a guerra no Líbano chegou ao auge. Mais recentemente, o que foi chamado de crise e guerra do Golfo realmente não ajudou a diminuir essa efervescência confessional. E quando há fundamentalismo
de um lado, frequentemente há fundamentalismo do outro.
Em última análise, é o jogo do pêndulo e tal jogo não é feito para trazer paz, amizade ou verdadeira assistência mútua entre os homens. Pelo contrário, corre o risco de dividir as pessoas e, mais do que isso, corre o risco de fazer com que
aqueles que estavam muito próximos se afastem lentamente uns dos outros. E isso nós o vemos, infelizmente. Agora, Nossa Senhora nos diz: Não tenham medo, eu estou com vocês.
Quando você pensa que, às vezes, algumas pessoas, por fazerem amizade com alguém em posições elevadas, adquirem um sentimento de segurança, de poder, ao passo que
essa pessoa de quem elas derivam tal sentimento de segurança pode, um belo dia, estar completamente no chão, por que não pensar que do Senhor e que somente Dele você pode tirar a verdadeira paz? Só com Ele temos a paz, a verdadeira paz, apesar de todos os condicionamentos que podem ser perigosos, graves, incertos … Só Ele é capaz de dar esta paz.
Nossa Senhora nos disse: Não tenham medo, eu estou com vocês. E descobrimos que, realmente, Ela está conosco. Ela tem estado conosco em Soufanieh. E creio que
cada um de nós, quando se volta realmente para si mesmo e revê um pouco de sua vida, inevitavelmente deve dizer : “O Senhor estava comigo sem que eu percebesse”. Jesus também o disse, durante a mensagem que deu à Myrna, em 26 de novembro de 1988: Rezem por aqueles que se esqueceram da promessa que me fizeram, porque eles dirão: Por que não senti a tua presença Senhor, apesar de Tu estares comigo? Temos a tendência de esquecer do Senhor … Mas Ele não se esquece de nós. Isso me lembra as palavras do profeta: “Mesmo que a mãe esqueça o filho que
está amamentando, eu não te esqueceria nunca!” (Is 49:15).
Portanto, nos diz a Virgem: Como são belos meus filhos quando se ajoelham, a implorar. Não tenham medo, eu estou com vocês. Não é a primeira vez que Ela
nos diz: não tenham medo, eu estou com vocês. Ela é a mãe do Senhor. E nos dará provas tangíveis nos próximos nove anos. Porque, em Soufanieh, só aconteceram alegria, fé, felicidade e amor. Portanto, não tenham medo!
Ela sabia, a Virgem, que se pode ter medo. Medo em um nível humano, é claro. Mas Deus também dá medo. Deus também. Não é bom lidar com Deus. Sabemos algo sobre isso por meio das figuras extraordinárias do Antigo e do Novo Testamentos. Não se pode ver Deus e sobreviver. Com Deus, devemos morrer. Você realmente tem que morrer, para tudo, para si mesmo. Para renascer com Ele. E a morte é assustadora. Portanto, existe um medo real de Deus. E, com Deus, devemos mudar. Entretanto, não gostamos de mudar, nós nos acomodamos. Isso é o que, às vezes, me faz
dizer que muitos daqueles que recusam Soufanieh depois de tantos sinais, o recusam porque temem a mudança que Deus exigiria deles no dia em que reconhecerem Sua presença no fenômeno de Soufanieh. Eu digo isso sem intenção de julgar ninguém. Só Deus conhece as consciências. Só Deus as julga. Mas aí, atrevo-me a dizer, porque é um fato: o homem gosta de se acomodar. Ele não quer mudar. E a grande
mudança é quando Deus o invade, não lhe deixa mais nada.
E a Virgem termina com três frases. A primeira: Não se dividam como os grandes. Quem é grande diante de Deus? Nossa Senhora usa nossas palavras. Os grandes para nós são aqueles que têm uma certa responsabilidade, às vezes são os
ricos, são os poderosos neste mundo. Mas, diante de Deus, somos todos coisas pequenas. Se Ela, a mãe de Deus, se autodenomina serva, que dizer dos homens, sejam eles quem forem, por mais poderosos que sejam, por mais ricos que sejam, por
mais eruditos que sejam? Mas Maria usa a nossa linguagem.
Portanto, não se dividam como os grandes. Divididos por causa de quê? Por causa de interesses que nada têm a ver com Deus.
Então, de repente, a Virgem nos disse algo que Jesus nunca cessou de repetir: Vocês, vocês mesmos, ensinarão às gerações A PALAVRA da Unidade, do Amor e da Fé. Nossa
Senhora não disse “as palavras”, mas “a palavra”. Vocês ensinarão. Quando ouvi e pensei sobre isso, imediatamente me referi à palavra de Jesus: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12)- “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Imagino os apóstolos
dizendo uns aos outros: “Nós, a Luz do mundo? Mas, quem somos nós para ser a Luz do mundo?” Quem somos nós? Nós, ensinarmos às gerações? Mal conseguimos aprender alguma coisa. Ensinar às gerações: a missão parece ir muito além de
todas as nossas possibilidades. Mas apenas essa palavra nos permite adivinhar que o Senhor está conosco e que é Ele que se encarrega de ensinar as nações por meio de nossa mesquinhez, de nossas misérias e de nossa pouca inteligência.
A PALAVRA: é muito importante notar que em três ocasiões, Maria e Jesus usam esta frase: Vocês, vocês mesmos, ensinarão às gerações a PALAVRA da Unidade, do
Amor e da Fé. Para entendermos as coisas nós costumamos dissecar, separar palavras e ideias. Aqui, Maria e Jesus unem tudo. E, se você pensar um pouco sobre isso percebe, se assim posso dizer, que Eles estão absolutamente certos. Podemos encontrar uma unidade que não seja baseada no amor?
Só o amor une. E amor é confiança em quem nos ama. Ou
seja, fé naquele que nos ama. Quando sei que o Senhor me
ama, quando realmente acredito que Ele me ama, nesta certeza do Seu amor permaneço em coesão comigo mesmo. Eu
permaneço unido em mim mesmo. É aqui que vejo a perfeita unidade entre essas três palavras, unidade, amor e fé.
E, na Igreja, a unidade só pode ser alcançada no amor.
E o amor só pode surgir da certeza de Seu próprio amor por
nós. Não o nosso miserável amor por Ele. Nós somos capazes de vendê-lo a qualquer minuto. E de justificar qualquer venda que operemos sobre Deus. De mil e uma maneiras. Mas Seu amor por nós é sólido, a ponto de ser eterno! São
Paulo disse: “Deus é fiel.” Fim. Isso não muda. Somos nós que somos mutáveis. Eu, pessoalmente, sabendo que Deus me ama, a partir desta certeza do Seu amor, posso manter, com a Sua graça, a minha coesão comigo mesmo. E o que se aplica ao indivíduo se aplica ao pequeno grupo e pode se aplicar ao grande grupo que é a Igreja. É por isso que o Senhor insiste tanto na PALAVRA da unidade, do amor e da fé.
Então a Virgem, mais uma vez, nos convida a rezar:
Rezem pelos habitantes da terra e o céu. […] Os habitantes
da terra e do céu. Habitantes da terra, nós entendemos. Mas
habitantes do céu? A construção da frase árabe pode significar: “Rezem aos habitantes do céu”, no sentido de “implorem as suas orações”. Mas também podemos compreender no sentido daqueles que estão a caminho, que foram adiante
e estão a caminho do céu, lá no que se chama de Purgatório,esta etapa de preparação para a visão divina, etapa de purificação essencial. Compreendo que, nesta perspectiva, Nossa Senhora também nos diga: “Rezem por aqueles que habitam o céu”. Ou seja, orem por aqueles que estão a caminho do céu. Enfim, por todos os nossos falecidos. Para aqueles que vieram antes de vocês e para vocês mesmos quando vocês estiverem lá também. Portanto, a oração da Virgem não pode excluir ninguém. […] Os habitantes da terra e do céu. Não pode excluir ninguém. Finalmente, na oração, o homem
se deixa dilatar por Deus às dimensões de Deus mesmo!”
