
Quão urgente e atual se faz a mensagem de Soufanieh, dada nos anos 80 à Myrna Nazzour. Abaixo o testemunho e exegese do Padre Elias Zahlaoui acerca da mensagem de 24 de março de 1983 (uma das últimas mensagens da Virgem). Quando fala em igreja, aqui, a Virgem não se refere aos ortodoxos, católicos, protestantes, espíritas, religiões de matriz africana, ou outra divisão. Ela se refere aos CRISTÃOS, melhor ainda, àqueles que creem no Cristo, frequentem ou não, façam parte ou não de qualquer ramo religioso. Em uma hora onde a divisão entre estes se aprofunda em várias partes do mundo, e do Brasil em particular, como são importantes e urgentes as palavras de Maria ditas naquele longínquo ano de 1983. A guerra sequer era uma ameaça para a Síria e a divisão e intolerância entre cristãos, assim como a utilização política disto, que surgiria no Brasil era algo distante e, talvez, impensável. Como isso é importante para cada um de nós, em particular, meditarmos e tentarmos incorporar e divulgar. A igreja é UNA porque Jesus é UM. A igreja dividida é a destruição da visão cristã do mundo e a barbarização completa da humanidade. Passarão a predominar, então, o desamor, o egoísmo, o olho por olho, dente por dente, a crueldade contra tudo e contra todos. Enfim, como disse há 200 anos atrás Dostoievski: “Se Deus morreu, tudo é permitido! Tudo!”
Meus filhos, a minha missão terminou. Naquela noite,
o Anjo me disse: “Bem-aventurada és tu entre as mulheres”.
E eu só pude lhe dizer “Eis a serva do Senhor”. Eu estou feliz. Eu mesma não mereço lhes dizer: “Os seus pecados estão perdoados.” Mas o meu Deus o disse. Fundem uma igreja. Eu não disse: “Construam uma igreja”. A Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una, porque Jesus é Um. A Igreja é o reino dos céus na terra. Aquele que a dividiu pecou. E aquele que se regozijou com a sua divisão também pecou. Jesus a construiu, ela era pequena, E quando ela cresceu, ficou dividida. Aquele que a dividiu não tem Amor dentro de si. Unam-se! Eu lhes digo: “Rezem. Rezem. Rezem!” Como são belos meus filhos quando se ajoelham, a implorar. Não tenham medo: eu estou com vocês. Não se dividam como os grandes. Vocês, vocês mesmos, ensinarão às gerações a palavra da Unidade, do Amor e da Fé. Rezem pelos habitantes da terra e do céu. (Quinta aparição da Virgem, quarta mensagem. Quinta-feira, 24 de março de 1983).
“Foi a quinta aparição e a quarta mensagem das aparições. Vejam como a Virgem se coloca aqui como uma serva. Sempre o mesmo: meus filhos. Nós temos muito a tendência de esquecer que somos verdadeiramente filhos de Deus e da Virgem. Meus filhos, minha missão acabou. A Virgem está aqui para cumprir uma missão e depois ir embora. Ela permanece a criatura na dependência do Criador. Apesar de toda a grandeza que o Senhor lhe deu, ela conhece seus limites. Mas é extraordinário pensar nisso.
Isso nos assustou um pouco. Dissemos a nós mesmos que o fenômeno Soufanieh poderia ter acabado. Minha missão acabou. Então, talvez fosse como em Lourdes, onde Ela apareceu para Bernadette e depois desapareceu. Então agora… E para nós foi uma verdadeira tristeza, embora tenhamos ficado muito felizes em ouvir tal mensagem. Mas ficamos profundamente tristes ao pensar que este clima, esta nova vida vivida com Deus e com Maria, através de Maria, poderia, talvez, acabar. Mal podíamos acreditar que isso poderia cessar. Apesar do Padre Malouli ter dito que vivíamos num estado
de sonho, que não era realidade mas sim um sonho que nós vivíamos, de fato, tínhamos muita dificuldade em pensar que esse sonho pudesse acabar. Mas a Virgem nos lembrou que ela estava em missão e que a missão estava para terminar.
Claro, o que termina aos olhos de Deus não termina aos nossos próprios olhos da mesma maneira. Maria cumpriu uma missão, ela cumprirá outras. E isso acabaria em seguida.
Naquela noite, o Anjo me disse: “Bem-aventurada és tu entre as mulheres.” Em alguns textos dos Evangelhos em árabe, esta frase é colocada na boca do anjo. Em outras traduções, foi retirada da boca do Anjo e mantida apenas na boca de Isabel. É por isso que, quando ouvi este texto, corri para a igreja
naquela mesma noite para ver, no livro do Evangelho que usamos na missa, se essa frase existia ali na boca do anjo … ou não. Eu tinha dito a mim mesmo que, se realmente nos Evangelhos em uso agora, não encontramos esta frase, alguns aproveitariam sua ausência para dizer: “Veja que isto não é verdade.
Não foi o Anjo que disse isso à Santíssima Virgem. Portanto, não é a Santíssima Virgem que está falando”. Vejam como foi necessário navegar por várias águas, para procurar evitar todas as especulações possíveis, todas as acusações possíveis.
E eu só pude lhe dizer “Eis a serva do Senhor”. Mas que humildade tem a Virgem! Quanta humildade! Que simplicidade! Ela poderia ter dito mais alguma coisa? Eu só pude … Você vê a construção da frase: só. Ela se sentia tão plena que Sua língua estava presa. Ela não podia mais dizer nada, exceto: Eis a serva do Senhor.
Não gostaria de fazer um longo comentário sobre isso, mas gostaria de me alongar sobre um ponto em particular: como a Igreja atualmente tem interesse de se fazer serva, em deixar de ser poder, em imitar Maria! Que deixe de ser poder! Ela não será realmente uma Igreja, onde quer que esteja, senão no dia em que se tornar uma serva. E uma serva, começando pelos mais pequenos, os mais necessitados, os mais
pobres. Enquanto a Igreja quiser flertar com o poder, ela não pode ser uma serva! Haverá servos na Igreja porque ela é o reino. O Senhor quis assim. Mas a instituição como tal corre o risco de se putrefazer, de apodrecer, se a Igreja não for serva.
Então a Virgem nos diz: eu estou feliz. Ficamos felizes em ouvir alguém maior do que nós nos dizer: “Eu estou feliz”. Sempre me lembra aquela palavra atribuída a Napoleão:
“Soldados, estou feliz com vocês!” Ele estava dizendo isso ou não? Ainda assim, fomos ensinados, quando estudávamos a história da França, que Napoleão conseguiu, por meio de pequenas palavras como esta, galvanizar seus milhares de soldados: “Soldados, estou feliz com vocês!” E a Virgem disse: Eu estou feliz. Não é a mandachuva, não é a vizinha, não é uma religiosa. É a Virgem que nos diz: Eu estou feliz. Portanto, foi um reconhecimento do nosso modesto esforço em tentar orar, em responder aquilo que o Senhor esperava de nós.
Na verdade, muitas vezes não sabíamos o que fazer. Agora que nos lembramos de certas iniciativas, de certas palavras, dizemos a nós mesmos: “Mas foi Ele quem nos guiou!” Foi o Senhor que nos ajudou dizer tal e tal coisa, quando nós, com nossa estupidez e talvez com nosso amor-próprio ou com nosso orgulho, poderíamos ter dito ou feito exatamente o contrário. Foi Ele quem nos impediu de nos desviarmos, de escorregarmos ou de nos orgulharmos e, em última instância, talvez até de distorcermos toda a mensagem. Mais uma vez, não temos nada a ver com isso. Eu estou feliz!
E então Ela nos diz uma coisa extraordinária: Eu mesma não mereço lhes dizer: “Os seus pecados estão perdoados.” Mas o meu Deus o disse. De fato, duas coisas incríveis.
Diante de Deus, o homem que tenha um pouco lucidez sempre se reconhece culpado. Podemos nos esconder, fugir, nos justificar, buscar a justificativa humana, no fundo sabemos que somos culpados. Nós sabemos que somos culpados. E
precisamos, diante desse sentimento de culpabilidade, saber que fomos perdoados. E não perdoados por qualquer um. Os homens podem perdoar, eles não conhecem a profundidade de nossa ferida. Eles podem nos dar a ilusão de ter perdoado. Mas, embora iludido, o homem, olhando para o fundo de si mesmo, sempre encontra a ferida do pecado a transbordar. Por isso, ficamos felizes em saber que fomos perdoados, embora não tivéssemos passado pelo sacramento da penitência. Este texto pode parecer uma espécie de fenda aberta no sacramento da penitência. É o Senhor quem perdoa.
Ele quis dentro da Igreja nos perdoar através do canal do sacramento da penitência. Mas se Ele quer também dizer, como no Evangelho, “Teus pecados estão perdoados”,
quem pode impedi-Lo? Então, para nós, foi um consolo e uma alegria saber que fomos perdoados, apesar de todas as nossas misérias, de todas as nossas fraquezas e talvez até de todas as nossas estupidezes, cometidas por causa de Soufanieh ou em relação a Soufanieh. E não é Maria quem nos perdoa, é o seu Deus. E Ela, que é a mãe de Deus, sabe que é sempre criatura, que Deus é sempre Deus e que não há Deus,
senão Deus. É extraordinário ouvir Maria falar tão simplesmente de verdades tão profundas, tão totais e tão radicais.
E então veio uma frase que pessoalmente me abalou bastante: Fundem uma igreja. Eu não disse: “Construam uma igreja”. Ela nos conhece, não é? Ela nos conhece em todas as nossas misérias, em todas as nossas fraquezas e em todas as nossas tentações. Fundem uma igreja. À primeira vista, reagimos, e podemos sempre reagir, a esta frase, dizendo o seguinte: “Mas quem fundou a Igreja é Jesus”. Ele sozinho é o fundador. Quem somos nós para fundar uma Igreja?
E a Igreja, por outro lado, já está fundada. Jesus a fundou há dois mil anos. O que temos agora para fundar uma Igreja? E podemos concluir, como outros já fizeram: “Portanto, não é Maria, não é Jesus que fala, é outro”. E outro é o Diabo. Portanto, deve haver algum deslizamento aqui, alguma clivagem diabólica! Alguns concluíram isso, chegaram a isso.
Mas, olhando mais de perto e dentro da verdade, entendemos o quanto o Senhor vê muito além de nós. Não conseguimos sequer ver a ponta do nosso nariz. Mas Ele vê. E
quando Maria disse: Fundem uma Igreja, Ela não negou a Igreja, pois, dois minutos depois, Ela disse: A Igreja é o reino dos céus na terra. E a Igreja, foi Jesus quem a construiu. Mas a Igreja está dividida. E, porque ela está dividida, porque é
dividida, ela é incapaz de testemunhar como deve ser testemunhado. Portanto, “Eu estou ordenando que vocês refaçam uma Igreja que seja Uma e que seja a Igreja de Jesus. A Igreja de Jesus existe, mas vocês agora estão tão espalhados, tão
dispersos, tão dilacerados, que não constituem uma Igreja”.
E de fato, por mais que finjamos, mesmo aqui no Ocidente, que a Igreja é Una e que é a Igreja de Jesus, bem, sejamos francos e honestos conosco mesmos, antes de o sermos
com o Senhor e com Maria, a Igreja não é o que deveria ser. Somente uma Igreja pode dar testemunho de Jesus. E é por isso que Jesus disse na sua oração depois da Última Ceia: “ Para que todos sejam um, e o mundo creia que Tu me enviaste” (Jo 17, 21). Em quem o mundo deve acreditar? As diferentes igrejas católicas? As diferentes igrejas ortodoxas? As diferentes igrejas protestantes? As milhares de seitas que
falam em nome de Jesus? Em quem é o mundo deve crer? E quando a Virgem disse: Fundem uma igreja. Eu não disse: “Construam uma igreja”. A Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una, porque Jesus é Um. Ela deixou claro que ela não quer uma igreja. Ela havia dito isso antes: “Não, eu não quero uma igreja. Quero um lugar de oração”. Fundem uma Igreja significa unir-se, buscar unir-se para ser Igreja.
E a Virgem esclareceu: A Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una, porque Jesus é Um. Ele poderia ter adotado outra. Pela palavra adotado, até nos perguntamos: “Foi
isto que a Virgem falou?” Ouvimos a fita novamente, porque o padre Malouli, a partir da data de 21 de fevereiro, adquiriu um gravador alimentado por bateria. Ele havia dito a si mesmo: “Se houver outras aparições e outras mensagens, então registraremos tudo”. E, de fato, tudo foi registrado. E ouvimos a gravação novamente. Isso é bom: a Igreja que Jesus adotou é uma Igreja Una. Ele poderia ter adotado outra. É Ele quem é o A e o Z. E a Igreja é Una porque Jesus é Um.
Claro, quando falamos em fundar uma Igreja, trata-se de compreender as palavras. Vislumbrar a fundação de uma Igreja é vislumbrar a revisão de tudo o que atualmente leva o nome de Igreja. Não para questionar as igrejas existentes: elas são o Corpo de Jesus Cristo. Mas, elas não são o que deveriam ser. Elas devem reencontrar a sua unidade para testemunhar a unicidade de Jesus.
E assim, seis anos e meio depois, no domingo, 26 de novembro de 1989, a Virgem disse à Myrna: Meus filhos, Jesus disse a Pedro: Vós sois a pedra e sobre ela edificarei a minha Igreja. E eu digo agora: Vocês são o coração sobre o qual Jesus construirá a sua UNICIDADE. Portanto, a Igreja, em última análise, não é a pedra. Não são as diferentes igrejas que estão próximas umas das outras, uma ao lado da outra, Católica,
Ortodoxa, Greco-Católica, Greco-Ortodoxa, Siríaco-Católica, Siríaco-Ortodoxa … Todas estas são células da Igreja que deve ser uma. Mas a verdadeira Igreja são os corações dos crentes. É a unidade de todos os crentes juntos, que devem através
de sua unidade de coração constituir a unicidade de Jesus.
Excerto de Padre Elias Zahlaoui. LEMBRAI-VOS DE DEUS: MENSAGENS DE JESUS E MARIA EM SOUFANIEH.
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