Meditação sobre a Igreja

Igreja da Natividade, Tocantins.

Esta é uma meditação encontrada em um banco, em 2010, na Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, em Madrid. Ela foi escrita por Carlo Carretto e vale a pena ser retomada nestes tempos difíceis para a Igreja, onde imperam a perda de fé, o contratestemunho, a apostasia e a divisão. E aqui vale lembrar a mensagem principal de Soufanieh: a unidade dos cristãos.

“Que discutível és Igreja…e, não obstante, quanto te quero!

Quanto me hás feito sofrer…e, não obstante, quanto te devo!

Queria ver-te destruída…e, não obstante, tenho necessidade de tua presença.

Me hás escandalizado muito…e, não obstante, me hás feito entender a santidade.

Nada hei visto no mundo que seja mais obscurantista e mais falso…e nada hei tocado mais puro e mais generoso.

Quantas vezes hei tido ganas de cerrar em tua cara a porta de minha alma…e quantas vezes hei pedido para morrer em teus braços seguros.

Não, não posso livrar-me de ti, porque sou tu, mesmo não sendo completamente tu.

E depois…? Aonde iria?…A construir outra?

Mas eu não poderei construí-la senão com os mesmos defeitos, com os meus que levo dentro de mim.

E se a construo, será minha Igreja, mas não a de Cristo. Já sou bastante adulto para compreender que não sou melhor que os demais.

Aqui está o mistério da Igreja de Cristo, verdadeiro mistério impenetrável: tem o poder de dar-me a santidade e está formada toda ela, do primeiro ao último, de pecadores…

Tem a fé onipotente e invencível de renovar o mistério eucarístico e está composta de homens débeis que se debatem a cada dia contra a tentação de perder a fé.

Leva uma mensagem de pura transparência e está encarnada em uma massa suja, como sujo é o mundo.

Fala da cultura do Mestre, de sua não-violência, e na história tem mandado exércitos para destruir infiéis e torturar hereges.

Transmite uma mensagem de evangélica pobreza e busca dinheiro e alianças com os poderosos.

Mas não…não me vou desta Igreja fundada sobre uma pedra tão débil, porque fundaria outra sobre uma pedra ainda mais débil, que sou eu”.

Deixe um comentário